Resenha - Symphony - Alive IV - Kiss
Por Rafael Carnovale
Postado em 04 de agosto de 2003
Nota: 8 ![]()
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"You’ve wanted the best, you’ve got the best, the hottest band in the World, KISS!!!". Depois de várias especulações, o retorno da formação original num polêmico cd de estúdio ("Psycho Circus" de 1998), uma turnê de despedida e um suposto "Alive IV" que teria sido gravado no Canadá em 1999 (do qual só foi lançada uma faixa no famoso "Box-Set" em 2001), foi anunciado que o KISS iria fazer uma turnê de despedida, pendurando suas botas plataforma em grande estilo. Tal turnê varreu os Estados Unidos e passou pelo Japão e Austrália. No início de 2003 o KISS anunciou que gravaria um mega-show com orquestra em Melbourne na Austrália, e que teria além de Gene Simmons no baixo e Paul Stanley na guitarra, o retorno de Peter Criss para a bateria (ele saíra durante a turnê de despedida, sendo substituído por Eric Singer) e Tommy Thayer (ex-Black and Blue e um dos eternos regra-três do KISS). Tommy inclusive usaria a maquiagem petencente a Ace Frehley. Finalmente no dia 28 de fevereiro de 2003, com uma mega-estrutura e um público de quase 80000 pessoas, o KISS gravaria seu cd sinfônico, e (PASMEN!!!) o intitularia de "ALIVE IV". Tal fato gerou especulações sobre o outro cd ao vivo.... aliás como sempre acontece com o KISS. Nada é simples, tudo é grandioso e cercado de polêmicas e declarações.

Mas vamos ao que importa. "Alive IV" é duplo e dividido em 3 atos. O primeiro é o KISS tradicional tocando 6 músicas no formato elétrico. O segundo é o KISS com uma mini-orquestra de 60 componentes (todos maquiados!) tocando 5 músicas em formato acústico. O terceiro ato finalmente traz o KISS com a orquestra completa e um coro de 60 crianças (todos maquiadas!!!!), tocando 10 de seus clássicos no formato elétrico com acompanhamento de orquestra.... e o resultado?
Podemos afirmar que o KISS acertou em cheio, com um cd interessante, mas que tem altos e baixos. O primeiro ato é perfeito como sempre. O KISS ao vivo em seu formato usual mostra ainda ter muita lenha para queimar. "Deuce", "Strutter", "Let Me Go Rock and Roll", "Lick It Up", "Calling Dr. Love" e "Psycho Circus" mostram uma banda em ótima forma. As guitarras de Tommy e Paul estão muito pesadas e sujas, dando um toque especial ao primeiro ato e Peter, mesmo com seu estilo econômico e demonstrando estar fora de forma, segura o tranco com habilidade, mesmo que a bateria em "Lick It Up" esteja um tanto atrasada.
O segundo ato é muito legal e pessoalmente o considero a parte mais interessante do cd. O KISS acústico com uma mini-orquestra ficou muito bem feito. "Beth" abre o ato com extrema habilidade, e um Peter Criss cantando muito. A única falha deste ato é o sucesso "Forever", que ficou muito inferior ao que poderíamos esperar... faltou pegada neste caso. Pegada que sobrou em "Shandi" e "Sure Know Something" (um dos destaques do álbum "Dynasty"). Além destas, "Goin’ Blind" também ficou muito bem executada. A orquestra se coloca como um complemento, seguindo por muitas vezes o ritmo dos violões de Paul e Tommy.
O terceiro e mais importante ato pode ser descrito como uma montanha russa, com altos e baixos. "Detroit Rock City" ficou tão pomposa que só faltava o vocal de Frank Sinatra para completá-la, podendo muito bem ser tocada nos casinos de Las Vegas. A orquestra também não se acerta em "King of Night Time World" e no sucesso "Black Diamond" (ambas ficaram meio deslocadas). Mas a combinação KISS/orquestra ficou muito boa em "Do You Love Me?", "Shout it Out Loud" e na pesada "God of Thunder" (que ficou com um ar épico maravilhoso... embora se a orquestra desse uma levada mais soturna particularmente acho que ficaria perfeito). Novamente a orquestra se guia pelos riffs de guitarra, como em "Love Gun" e na balada super-esquecida "Great Expectations" (um dos melhores momentos). "I Was Made For Lovin You" novamente não ficou boa com orquestra e o mega-sucesso "Rock and Roll All Nite" também não se sai muito bem. Mas no geral o resultado é positivo, embora as escorregadas estejam visíveis.
A banda está bem entrosada com Tommy Thayer e demonstra que o KISS ainda vai detonar muito rock and roll por todos os lados, principalmente agora que se anuncia a turnê conjunta com o Aerosmith. Um cd legal, que vai agradar aos fãs e desagradar aos desafetos, mas que vai vender bem e manter o nome da banda em alta. Só que particularmente eu não acho que o nome clássico "ALIVE" devesse ser dado a este cd…. e você? Me diga no fórum…….. as primeiras edições vêm em formato "digipack" com um pôster especial aonde vemos uma foto de fãs brasileiros (e Paul cita a presença deles durante o show). Quem sabe não é um gancho para a banda dar as maquiagens… digo caras… por aqui?
OBS: Não entrarei no quesito "overdubs", pois senão teria que escrever muitas páginas e a polêmica seria grande, mas o fórum está aí para falarmos sobre eles…
Lançado no exterior pela Sanctuary/KISS Records. O lançamento nacional acontecerá em breve. Aguardem.
Site oficial: http://www.kissonline.com
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