Resenha - Stormbringer - Deep Purple

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Por Olímipio Moreira Rocha
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Há bandas que mudam a formação e lançam discos carentes de criatividade e talento, como se o "fantasma" dos que saíram atormentasse a banda - vide o Pink Floyd sem Roger Waters. Há bandas que mudam a formação e fazem o que faziam antes de maneira melhor - vide o Pearl Jam com Matt Cameron na bateria. E a bandas que mudam a formação, acenam com mudança de direcionamento musical, mas com o mesmo talento e qualidade musical. Esse é o caso do Deep Purple, especificamente a transição da MK II (o clássico line up Blackmore/Gillan/Glover/Lord/Paice) para MK III (Blackmore/Coverdale/Hughes/Lord/Paice). Após o (absoluto, clássico, estupendo, maravilhoso) álbum Machine Head, problemas internos vieram a tona, e um álbum fraco (Who Do We Think We Are) e Gillan e Glover pulam fora (alguns dizem que eles foram "atirados" para fora, mas isso é outroa história). Quando achavam que sem o Silver Throat não haveria mais nada, é recrutado então o novato David Coverdale para cantar e o baixista (ex-Trapeze) Glenn Hughes, que tinha o adicional de fazer de maneira competentíssima a segunda voz, projeto antigo de Ritchie Blackmore (uma das principais razões da debandada de Gillan e Glover). Lançam então o estupendo Burn - e o que viria depois? Um álbum até hoje capaz de provocar calorosas discussões entre os fãs da banda, do estilo "ame-o ou odeie-o", que é o alvo dessa (pseudo) resenha: STORMBRINGER!

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O romantismo exacerbado de Coverdale e as influências cheias de groove de Glenn Hughes aparecem de forma cristalina nesse disco, o que desagradou em cheio Blackmore. Composições como Hold On e You Can Do It Right não casavam de forma alguma com o hard rock veloz, pesado e virtuoso que Blackmore planejava para sua banda. O resultado é um novo "racha": sai Ritchie Blackmore e entra Tommy Bollin.

Mas como estamos aqui para falar do Stormbringer, segue um "track by track":

1) STORMBRINGER: Um começo de tempestade, um riff de guitarra avassalador e um David Coverdale furioso são o que essa ótima faixa de abertura nos traz. A banda se apresenta muito coesa, e com força. Grande música!

2) LOVE DON'T MEAN A THING: Momento mais cool e relax, com um bom trabalho de guitarra, e uma letra bem sacada, sobre um bon vivant que só se interessa por dinheiro, pois "amor não significa nada". Para os atentos, algumas impressões do que viria a ser, anos mais tarde, o Whitesnake.

3) HOLY MAN: É a hora de Glenn Hughes brilhar, numa balada emocionada, apesar da letra meio clichê. Mas com um arranjo simples, porém bonito. Destaques para a interpretação de Mr Hughes e para o solo cheio de feeling de Blackmore.

4) HOLD ON: Outro "momento Whitesnake". Se aproxima do que seria conhecido como "Hard Rock dos anos 80". Música meia boca, mas que ganha pontos pela letra franca sobre sexo. Se você gosta e pratica esse "esporte", vai acabar se amarrando nesse som. Destaque óbvio para a letra. Embora seu irmão de 16 anos tenha chances reduzidas de sacar qualé.

5) LADY DOUBLE DEALER: Finalmente um som do quilate Purple! Velocidade, berros, bateria alta. Destaque positivo para a coesão da banda e negativo para o solo sem inspiração de Ritchie Blackmore.

6) YOU CANT DO IT RIGHT: momento funky do disco, da abertura em diante. Coverdale utiliza seu dom de "sussurrar" a letra, mas aqui o show é de Glenn Hughes, sem dúvida. Aliás, é a faixa mais "Glenn Hughes" desse disco. Se você se despir de preconceitos bestas, pode até sair dançando pelo quarto.

7) HIGH BALL SHOOTER: Outro show de Hughes numa outra faixa um pouco mais veloz. Destaque para Ian Paice. Mais uma faixa "meia boca".

8) THE GIPSY: O ponto fraco do disco. Xoxa, não ata nem desata. Aquele som de fm romântica às 03 da madruga, saca? Pule.

9) SOLDIER OF FORTUNE: Uma das baladas mais lindas que já ouvi na vida. Triste de doer, com uma letra maravilhosa. Blackmore e Coverdele (autores) competem pra ver quem brilha mais. Quem sai ganhando é o ouvinte: o trabalho de Blackmore no violão e na guitarra e a interpretação emcionada de Coverdale levam o ouvinte mais despreparado às lágrimas. Linda música, belo final de disco.

Chama a atenção a discrição de Jon Lord, que pouco aparece. Talvez por isso a banda se mostrasse sem um direcionamento definido, ora fazendo o bom e velho hard que a consagrou (Stormbringer, Lady Double Dealer) ou caindo para uma vertente mais funky (You Can't Do It Right, Gipsy). Mas se você não é daqueles bitolados e cheios de preconceito, aqui tem um grande disco pra se escutar. Um ponto positivo é a bateria - alta, como deve ser um disco de rock and roll.

É isso, meus filhos. Grandes músicos, ótimas canções, feeling sobrando. Se você já tem Burn, Machine Head, In Rock e Fireball, ESSE é o disco. Esqueça as modernices do Morse, o retorno da banda no (regular) Perfect Strangers. Temos aqui um grande disco! Como diria Coverdale, na Sail Away, do Burn: "You buy, steal or borrow". Yeah, man!


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