Resenha - Na Calada da Noite - Barão Vermelho
Por Olímpio M. Rocha
Postado em 14 de maio de 2003
Havia um tempo em que valia a pena esperar pelos lançamentos de discos das bandas nacionais - era uma efervescência maravilhosa, de onde saíram grandes músicas, grandes letristas, que proporcionava a nós, meros mortais, grandes agitos, paqueras e discussões filosóficas - sobre letra, ilustrações de capas e etc. É, os anos 80 foram muito legais - até a chegada da tal "mídia instantânea", que desfez o romantismo da coisa, mas por outro lado deixou tudo muito mais acessível.
Bom, voltando a falar dessa época (1986 ~ 1990), era muito louco! Tinha o IRA! e sua revolta, os Titãs e seu peso, o Ultraje e seu senso de homor, Paralamas e seu suíngue, Legião e sua "seita" de fãs... e o Barão Vermelho, que após a saída de Cazuza ficou meio na "segunda divisão", mas sempre fazendo bons discos (como o ótimo Carnaval, de 88), excelentes shows e ostentando a melhor dupla de guitarras do rock brasuca: Frejat e Fernando Magalhães.
Barao Vermelho - Mais Novidades
Em 1990, resolvem dar um tempo naquele mar de guitarras (tinham lançado o Barão Ao Vivo, em 89) e usar um pouco mais o violão, pois tanto Fernando como Peninha (percussão) tinham sido recém-efetivados na banda, aumentando o já enorme caldeirão sonoro do Barão.
Porém, nas gravações do disco, uma briga (que quase chega as vias de fato) entre Dé (baixo) e Frejat (guitarra e voz) sobre a concepção do disco que viria faz Dé pular fora da banda. Foi recrutado então o (muito bom) baixista Dadi, ex-A Cor Do Som, já tendo tocado com meio mundo da MPB, hoje tocando com Marisa Monte.
Formação estabilizada, o Barão começa a gravar o Na Calada da Noite. Um moribundo Cazuza (que viria a falecer semanas antes do lançamento do disco) frequentava as sessões de gravação, o que animava e muito a banda. Guto Goffi (bateria), incentivado por Cazuza e pelo eterno escudeiro Ezequiel Neves, começa a se arriscar mais como letrista, sendo o símbolo dessa fase extremamente criativa do Barão Vermelho.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Na Calada da Noite acabou sendo um disco que recolocou o Barão Vermelho em seu devido lugar: uma das melhores e mais competentes bandas do rock brasileiro em toda a sua história. Uma gigantesca tour nacional se seguiu, com a banda inspiradíssima, exorcizando seus fantasmas (tocando muitos sons da fase com Cazuza, covers de amigos como o pessoal do Gang 90) e levantando a bandeira do autêntico rock and roll.
Falemos mais especificamente do disco, faixa a faixa:
Política Voz: Uma introdução que muitos julgam ser plágio de Smells Like Teen Spirit, do Nirvana, o que é um absurdo, pois essa música veio quase um ano antes. A letra cheia de imagens de Jorge Salomão, o casamento perfeito entre violão e guitarra, o baixo grave marcando o som e a bateria rock, porém suingada, de Guto, tornam essa música um perfeito cartão de visitas para o ouvinte. Grande som!
O Invisível: Rockão pancadão, Barão na veia! Bateria na cara, e um alucinado solo de violão flamenco. Boa letra, outra grande música.
Na Calada da Noite: Parceria Frajat / Luiz Melodia, um momento relax no disco. Excelente arranjo, a percussão se destaca e o vocal de Frejat dá o clima exato pra essa mezzo balada "tropical". Outra boa interação violão / guitarra.
Beijos de Arame Farpado: Outra música onde a percussão se destaca. Mas o brilho mesmo fica para o solo de, se não me engano, Frejat. O riff de baixo fica marcado na cabeça do ouvinte, mesmo na primeira audição.
Sonhos pra Voar: A favorita de Cazuza, que pediu para a banda executá-la, ao vivo no estúdio, só pra ele ouvir. Contribuição de Guto, a letra é muito boa, sobre o que o homem precisa. Resta a pergunta: por que Goffi não começou a escrever antes?
Seco: Vinheta que, para o povo do vinil, servia para fechar o lado A. Alguns segundos e pronto. Toda no violão, bem intimista.
Tão Longe de Tudo: Sem dúvida, a música mais alegre do disco, e outra feliz contribuição de Guto Goffi (nessa, letra e música são do baterista). Boa pra animar festinhas (pelo menos na época), com um piano muito bem tocado e um coralzinho empolgado. Outra onde o violão dá o tom. Curiosidade: ao vivo, Dadi fazia um solo de baixo espetacular.
A Voz da Chuva: Apesar da boa letra, a mais fraca do disco; só se salva o bom solo de guitarra.
Tua Canção: Linda balada, parceria entre Frejat e Sérgio Serra (Ultraje a Rigor). Toda acústica, um Frejat esbanjando feeling e uma letra muito boa. Até um steel guitar rola no meio, pra dar um clima. Daquelas de tocar no violão pra mulherada.
Invejo os Bichos: Maior pedrada do disco. Apesar da letra bisonha, um rock and roll empolgante, daqueles que só o Barão Vermelho tem competência pra trazer. Fernando Magalhães, com o perdão do trocadilho, solta os bichos nesta faixa.
O Poeta está Vivo: O grande hit do disco, a "balada pro Cazuza". Apesar da letra não ser diretamente pro Caju (só o refrão dá margem a esse pensamento, a letra é meio sem nexo mesmo), assim ela ficou marcada. Um lindo solo de guitarra de Fernando e outro show de sensibilidade da banda toda, que executa um belo arranjo. Assim termina um dos melhores discos de rock nacional.
Bem tocado, bem composto, bem produzido, bem escrito. Feito por músicos gabaritados, isentos de críticas por serviços prestados ao rock, apesar das derrapadas de 1997 em diante. Mas, como estamos em 90, esqueça "Puro Êxtase" e afins. Aqui temos um ótimo disco, que não envelhece com o passar dos anos. Ouça e descubra por que.
Outras resenhas de Na Calada da Noite - Barão Vermelho
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
O maior guitarrista da história para Bruce Springsteen; "um gigante para todos os tempos"
Regis Tadeu revela por que Guns N' Roses tocou no Maranhão
Ricardo Confessori compara Angra e Shaman: "A gente nunca tinha visto entrar dinheiro assim"
Baterista do Megadeth ouve Raimundos pela primeira vez e toca "Eu Quero Ver o Oco"
As duas bandas de metal que James Hetfield não suporta: "Meio cartunesco"
A banda de craques que Steven Tyler mais gostaria de ter integrado fora do Aerosmith
Derrick Green diz que Eloy Casagrande não avisou ao Sepultura sobre teste no Slipknot
A música que resume o que é o Red Hot Chili Peppers, de acordo com Flea
A redação de Kiko Loureiro que fez mãe chorar e escola achar que ele precisava de psicólogo
Turnê sul-americana do Drowning Pool é cancelada por conta da baixa venda de ingressos
A dura carta do Mägo de Oz ao México após política fazer homenagem a Hernán Cortés
Motörhead anuncia relançamento expandido do álbum "Kiss of Death"
Alirio Netto prestigia show do Dream Theater e tira fotos com integrantes da banda
10 bandas de rock que já deveriam ter se aposentado, segundo o Guitars & Hearts
Bill Hudson diz que tatuagem pode ter sido entrave para entrar no Megadeth
A música preferida de Andre Matos que ele nunca cantou com o Angra
A fortuna que Robert Trujillo recebeu só para se juntar ao Metallica
Barão Vermelho: os 35 anos do ótimo "Na Calada da Noite", o álbum que amadureceu o som da banda
O artista do rock nacional que viu Ozzy Osbourne de cuecas no Rock in Rio de 1985
Os astros do rock nacional que contribuíram com disco de Xuxa
O maior álbum de rock nacional de todos os tempos, segundo Dé do Barão Vermelho
Barão Vermelho celebra reencontro histórico em turnê que percorre o Brasil em 2026
