Resenha - Stranger In Us All - Rainbow
Por Carlos Swancide
Postado em 14 de agosto de 2000
Nota: 7 ![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
![]()
"A vingança é um prato que fica melhor frio." Definitivamente Ritchie Blackmore jamais acreditou nessa frase. Logo após uma conturbada saída do Deep Purple (reunido para comemorar seus 25 anos de carreira), graças a desavenças pessoais/musicais com Ian Gillan e os demais membros, Blackmore, provavelmente curtindo a ressaca de ter sido substituído por Joe Satriani e Steve Morse (dois virtuosos que, inegavelmente, davam a pinta de que o Purple mudaria de estilo mais uma vez), reformou sua legendária banda Rainbow com um grupo de semi-desconhecidos (incluindo sua amada Candice Night como backing Vocal, apostando que conseguiria abafar o novo disco de sua ex-banda. O mais conhecido dos músicos envolvidos era o vocalista (muito competente) Doogie White, que chegou anos depois a ser cotado para entrar no Iron Maiden.

Os resultados ficaram muito distantes do satisfatório. Não somente o novo Rainbow gravou uma obra muito irregular (Stranger In Us All) como o Purple rejuvenescido faria a obra-prima Purpendicular...
Stranger..., como disco do Rainbow, é um híbrido pretensioso, se dividindo entre o Hard Rock comercial do Rainbow dos anos 80 e o Metal Melódico esboçado em discos magníficos como Rainbow Rising e Long Live Rock N Roll. Não atinge, no fim das contas, nenhuma das duas referências, adicionando ainda elementos do que futuramente seria o Blackmore's Night, com seus climas renascentistas/medievais calmos e plácidos. É um disco, antes de tudo, indeciso e eclético, que poucas vezes consegue preencher as espectativas de cada canção.
WOLF TO THE MOON é hard rock básico, poderia estar no disco Down To Earth (1980).
COLD HEARTED WOMAN ameaça ser um Hard Blues a lá Whitesnake, mas Doogie não consegue ultrapassar os tons médios, e o resultado final é mediano.
HUNTING HUMANS é metal melódico a lá Stratovarius, soando pouco original, ainda que bem feita.
STAND AND FIGHT é uma das raras músicas Hard Rock que empolgam um pouco...
ARIEL é o clássico do disco, perfeita fusão do Hard Rock do Deep Purple e das obras semi-orquestradas de Malmsteen e do próprio Rainbow da era Dio. Blackmore 'coloca as manguinhas de fora' com solos épicos, grandiosos, e Doogie consegue comover enfim, numa interpretação cheia de feeling e técnica. A ressaltar, ainda, o belo final, com vocais absolutamente maravilhosos de Candice Night sobre o delicado dedilhar de Mr. Blackmore.
TOO LATE FOR TEARS é Whitesnake de segunda categoria.
BLACK MASQUERADE é a segunda melhor faixa. Poderia estar em qualquer 'Best Of' do Stratovarius, e supera mesmo várias músicas do Rainbow antigo. Metal épico e exalando técnica por todos os poros.
SILENCE é singela, calma, desacelerada...
HALL OF THE MOUNTAIN KING (não, não é uma cover de Savatage) é outra faixa que faria os fãs de Sratovarius trocarem de ídolo. Rapidíssima e totalmente melódica.
STILL I'M SAD, recriação do clássico tema dos YARDBIRDS, merece todos os elogios do mundo, por sua interpretação cativante e absolutamente respeitosa. Blackmore mostra aqui o que faria no Blackmore's Night, anos depois.
Resultado final: um disco desigual e um tiro que errou o alvo. Pouca repercussão se comparada a Purpendicular. O Purple reergueu sua carreira e Blackmore logo abortou o 'projeto Rainbow', preferindo investir em sua paixão por música renascentista (e por Candice Night). Mas, nos seus melhores momentos, Stranger In Us All é um belíssimo disco de Hard Rock 'progressivo'.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Tony Iommi posta foto que inspirou capa de "Heaven and Hell", clássico do Black Sabbath
O membro dos Titãs que foi convidado para entrar no Angra três vezes e recusou todas
O álbum do Iron Maiden que Bruce Dickinson adora e Steve Harris odeia
Cachorro Grande retorna e anuncia novo álbum após hiato
As duas músicas do Iron Maiden na fase Bruce que ganharam versões oficiais com Blaze
O baixista mais importante que Geddy Lee ouviu na vida; "me levou ao limite como baixista"
As duas músicas do Black Sabbath que quase foram arruinadas por títulos ruins
Crypta oficializa Victória Villarreal como a nova integrante efetiva
A atitude que Max Cavalera acha que deveria ter tomado ao invés de deixar o Sepultura
Fãs chamaram Sepultura de "vendidos" na época de "Morbid Visions", segundo Max Cavalera
A música que nasceu clássica e Ronnie James Dio teve que engolir, embora a odiasse
Edu Falaschi anuncia Roy Khan e Veronica Bordacchini como cantores convidados de "MI'RAJ"
Andria Busic lança primeiro álbum solo "Life As It Is" pela Dynamo Records
O que fez o Rage cancelar a turnê no Brasil? Banda enfim explica todos os detalhes
O artefato antigo que voltou à moda, enfrenta a IA e convenceu Andreas a lançar um disco

O clássico que o Rainbow nunca tocou ao vivo porque Ritchie Blackmore esqueceu o riff
Astros do rock e do metal unem forças em álbum tributo ao Rainbow
"A maioria dos guitarrista não são boas pessoas mesmo", admite Ritchie Blackmore
Ritchie Blackmore fala sobre saúde e atual relação com membros do Deep Purple
Os cinco maiores solos de guitarra de Ritchie Blackmore, que completa 81 anos
O guitarrista com o qual Ronnie Romero (ex-Rainbow) se recusaria a trabalhar
Richie Blackmore responde; qual a canção definitiva do Rainbow?
Pink Floyd: The Wall, análise e curiosidades sobre o filme


