Resenha - Stranger In Us All - Rainbow

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Por Carlos Swancide
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"A vingança é um prato que fica melhor frio." Definitivamente Ritchie Blackmore jamais acreditou nessa frase. Logo após uma conturbada saída do Deep Purple (reunido para comemorar seus 25 anos de carreira), graças a desavenças pessoais/musicais com Ian Gillan e os demais membros, Blackmore, provavelmente curtindo a ressaca de ter sido substituído por Joe Satriani e Steve Morse (dois virtuosos que, inegavelmente, davam a pinta de que o Purple mudaria de estilo mais uma vez), reformou sua legendária banda Rainbow com um grupo de semi-desconhecidos (incluindo sua amada Candice Night como backing Vocal, apostando que conseguiria abafar o novo disco de sua ex-banda. O mais conhecido dos músicos envolvidos era o vocalista (muito competente) Doogie White, que chegou anos depois a ser cotado para entrar no Iron Maiden.

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Os resultados ficaram muito distantes do satisfatório. Não somente o novo Rainbow gravou uma obra muito irregular (Stranger In Us All) como o Purple rejuvenescido faria a obra-prima Purpendicular...

Stranger..., como disco do Rainbow, é um híbrido pretensioso, se dividindo entre o Hard Rock comercial do Rainbow dos anos 80 e o Metal Melódico esboçado em discos magníficos como Rainbow Rising e Long Live Rock N Roll. Não atinge, no fim das contas, nenhuma das duas referências, adicionando ainda elementos do que futuramente seria o Blackmore's Night, com seus climas renascentistas/medievais calmos e plácidos. É um disco, antes de tudo, indeciso e eclético, que poucas vezes consegue preencher as espectativas de cada canção.

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WOLF TO THE MOON é hard rock básico, poderia estar no disco Down To Earth (1980).

COLD HEARTED WOMAN ameaça ser um Hard Blues a lá Whitesnake, mas Doogie não consegue ultrapassar os tons médios, e o resultado final é mediano.

HUNTING HUMANS é metal melódico a lá Stratovarius, soando pouco original, ainda que bem feita.

STAND AND FIGHT é uma das raras músicas Hard Rock que empolgam um pouco...

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ARIEL é o clássico do disco, perfeita fusão do Hard Rock do Deep Purple e das obras semi-orquestradas de Malmsteen e do próprio Rainbow da era Dio. Blackmore 'coloca as manguinhas de fora' com solos épicos, grandiosos, e Doogie consegue comover enfim, numa interpretação cheia de feeling e técnica. A ressaltar, ainda, o belo final, com vocais absolutamente maravilhosos de Candice Night sobre o delicado dedilhar de Mr. Blackmore.

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TOO LATE FOR TEARS é Whitesnake de segunda categoria.

BLACK MASQUERADE é a segunda melhor faixa. Poderia estar em qualquer 'Best Of' do Stratovarius, e supera mesmo várias músicas do Rainbow antigo. Metal épico e exalando técnica por todos os poros.

SILENCE é singela, calma, desacelerada...

HALL OF THE MOUNTAIN KING (não, não é uma cover de Savatage) é outra faixa que faria os fãs de Sratovarius trocarem de ídolo. Rapidíssima e totalmente melódica.

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STILL I'M SAD, recriação do clássico tema dos YARDBIRDS, merece todos os elogios do mundo, por sua interpretação cativante e absolutamente respeitosa. Blackmore mostra aqui o que faria no Blackmore's Night, anos depois.

Resultado final: um disco desigual e um tiro que errou o alvo. Pouca repercussão se comparada a Purpendicular. O Purple reergueu sua carreira e Blackmore logo abortou o 'projeto Rainbow', preferindo investir em sua paixão por música renascentista (e por Candice Night). Mas, nos seus melhores momentos, Stranger In Us All é um belíssimo disco de Hard Rock 'progressivo'.

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