Resenha - Rising Out Of The Ashes - Warlord
Por Leandro Testa
Postado em 04 de fevereiro de 2003
Nota: 6 ![]()
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Warlord é um nome imponente, não? Lembra algo de True Metal, daquelas duas canções soberbas do Manowar, remetendo a um som pesado, com guitarras furiosas, acompanhado de vocais em tom de desafio, e a bateria representando o caos bélico... A primeira impressão de fato poderia ser esta, caso nos dias de hoje os termos a ele correlatos não aparecessem de forma tão exacerbada, e a proposta deste conjunto, oriundo de Los Angeles e falecido nos idos tempos de 1984, não fosse relativamente "leve". Teve, porém, enorme relevância na época e mesmo com poucas músicas registradas na sua curta carreira, tornou-se ‘cult’, influência para vários outros grupos, e revelou ao mundo o talento chamado Mark Zonder (Fates Warning), ou simplesmente "Thunderchild" para os velhos conhecidos.

Em 2001, quando o dono das seis cordas, Willian "Destroyer" J. Tsamis, foi contatado por uma gravadora que demonstrou interesse em relançar o primeiro EP, este resolveu checar se o seu ex-parceiro, Zonder, também aprovava a intenção, que, por sua vez, além de concordar, propôs um retorno inusitado da banda. Assim, em estado de nostalgia, o primeiro frontman cogitado foi Joacim Cans do Hammerfall, que já homenageara o próprio Warlord em seu excelente debute de 1997, tendo inclusive uma retribuição de Tsamis no trabalho seguinte, Legacy of Kings. Claro que o convite foi aceito de imediato, afinal ele sempre se declarou um grande fã dos californianos... Mas será que ele foi uma escolha acertada?
Sim e não... Por todos os motivos acima, seria uma sacanagem deixá-lo de fora desta, contudo, mesmo simpatizando com o seu timbre, e ele se destacando bastante em diversas partes, já é de conhecimento geral que lhe faltam "os graves" e (se ignorados), não quer dizer que o sueco se saia bem em nove das nove faixas que compõe "Rising Out of the Ashes". Um forte exemplo é "Achilles Revenge", que o encerra, uma das performances mais difíceis de se habituar, tanto dele como do camarada "Destroyer". Por que cito este último? Bem, ao passo que Mark usufruiu dezoito anos de constante aprimoramento (desde a separação), Tsamis enveredou para o lado do estudo, virou professor, pai de família, formou o Lordian Guard para matar a saudade desse nosso amado estilo, e por razões compreensíveis parece carregar nos seus solos a ferrugem das eras. Não raro ele se mostra "atrasado", não "pega na veia" e só para agravar ainda encontramos inserções desnecessárias de seu instrumento, ou seja, colagens aqui e acolá mixadas acima de tudo, que em vez de acrescentarem, pelo contrário, só prejudicam. As bases (importantes ao infinito) mais do que nunca continuam sendo seu forte.
Fora a citada acima, que (pelo menos) conta com belos corais, de resto nos deparamos com um material até certa forma homogêneo, tendo seus pontos mais diversificados em "Enemy Mind" (um tanto sombria) e "My Name is Man", uma balada com enfoque no refrão marcante e no lampejo folk/medieval que a ele precede. Registrada no último projeto de Tsamis juntamente com "Battle of the Living Dead", "War in Heaven" e "Winds of Thor", é a única dentre elas que de fato não foi originalmente escrita na outra encarnação do Warlord. Todavia, isso não significa que podemos esperar o mesmo pique de uma "Deliver Us", da magnífica "Black Mass" ou a velocidade da (agora famosa) "Child of the Damned". Talvez cheguem perto da emocional "Winter Tears" ou, mais ainda, da paranóica "Aliens", que já despontava a técnica assombrosa de "Mr.Thunderchild".
Devido ao longo hiato, não me apetece ficar comparando com os primórdios, e ainda que eu esteja avaliando "Rising Out of the Ashes" ‘de per si’, só consigo colocá-lo no lugar que ele merece, caso não recorra aos clássicos e aos cantores originais, os quais eu prefiro. Se eles foram uma das ‘desculpas’ para o Warlord ter sucumbido, não seria neste ensejo, mesmo com a fama e a produção melhoradas anos-luz, que tudo iria progredir. A situação é outra: há Internet, lugares para ensaiar, a indústria fonográfica está melhor de se lidar, mas não existem no século XXI incontáveis "Joacims" Cans que possam suplantá-los a contento, com seus dez, doze anos de idade (ou seja, a molecada pode deixar todo esse retro-metal passar desapercebido, por isso aconselho-os a escutar os trechos escolhidos à dedo no website oficial - www.warlord.ws - para tirarem suas próprias conclusões. Vejam bem: não quero influenciar ninguém...).
Indicado, na minha opinião, a quem viveu com unhas e dentes aquela fase, ratificando que o título do disco é auto-explicativo: uma Fênix tentando alçar vôo. A intenção foi boa, mas o resultado não vai lhes extrair lágrimas... Eles podem melhorar, e quem sabe seja no próximo, que já está em fase de composição... enquanto isso não ocorre, serve ao menos de ‘hobby’ para o trio "parada quase-dura"...
Duração – 50:51 (9 faixas)
Material cedido por:
Rock Brigade Records/Laser Company Records
http://www.lasercompany.com.br
www.rockbrigade.com.br (remake de "Lucifer’s Hammer" disponível p/ download)
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