Resenha - Unity - Rage
Por Leandro Testa
Postado em 07 de julho de 2002
Nota: 9 ![]()
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Desde que escutei "End of All Days", a obra prima irretocável lançada em 1996, passei a efetivamente acompanhar o Rage. Tudo naquele álbum me fascinava e o grande trunfo da formação que o fez eram os guitarristas, já que poucos eram os músicos que conseguiam encaixar tão bem seus solos em uma música. Ao receber a notícia de que ambos haviam partido, assim como o baterista, deixando Peter "Peavy" Wagner (baixo/vocal) na mão, confesso que fiquei um tanto cabisbaixo. Tal fato ocorreu um pouco antes das finalizações de "Ghosts", de 1999, o que refletiu no som da banda, pois as coisas não deviam estar nada boas. Apesar de este ser um bom álbum, carece de "punch", e dá bastante ênfase à participação da Língua Mortis Orchestra, que também esteve presente em "XIII", de 1998, e num mini-álbum com versões de músicas antigas voltadas à orquestra, lançado no mesmo ano de "End of All Days".

Em meio a tantas confusões, Victor Smolski, um russo multi-instrumentista, acabou concluindo as partes derradeiras de guitarra, e logo em seguida Mike Terrana, um homem também multi... bandas, se uniu a eles, aparecendo na foto interna do CD. Assim, o futuro da banda era incerto, e mal poderíamos prever a grata surpresa que estaria por vir: "Welcome to The Other Side". Um álbum perfeito, o primeiro oficialmente gravado pelo trio, e que pode facilmente ser classificado como um dos melhores lançamentos de 2001. Em decorrência disso, a expectativa para "Unity" era imensa. Para quem acompanhou o "Studio Report" e viu as fotos de divulgação, percebeu que eles estavam levando o negócio a sério, e o resultado é não menos que maravilhoso.
Mantendo o nível de seu antecessor, a banda mais uma vez mostra um baterista inumano, um vocalista capaz de criar grandes melodias e refrões hiper-grudentos, e um guitarrista deveras criativo. Também pudera, Victor Smolski é filho de um famoso compositor, e por isso é versátil e reúne diversas influências. Sabe fazer suas firulas sem soar chato, alto-indulgente e o melhor de tudo, ele é imprevisível. Faz dissipar qualquer resquício de saudade de Sven Fischer e Spiros Efthimiadis (a dupla anterior das seis cordas), pois é uma cabeça pensando no lugar do que costumavam ser duas.
Com este, a banda, que mais parece a O.N.U. pois conta com um russo, um alemão e um americano radicado em terras germânicas, atinge um equilíbrio surpreendente entre peso e melodia, sendo uma tremenda injustiça apontar qualquer faixa de destaque, se considerarmos que todas são dotadas de muito "feeling" e criatividade. "Unity" marca o início da parceria com a SPV Steamhammer (lançado aqui no Brasil pelo selo Century Media Records, seu parceiro) e com isso o Rage tende a crescer muito, levando em conta que o trabalho da gravadora anterior, GUN Records, era insuficiente, principalmente quando se falava na divulgação de seu casting. Talvez por isso o Rage não tenha despontado como deveria em terras tupiniquins. Anos atrás, fez um show por estas paragens junto ao Grave Digger, também contratado da GUN, mas o público era minúsculo, o que não deve ter sido vantajoso nem para as bandas, nem para os produtores. Vejamos se as vendagens de Unity, irão condizer com a sua preciosidade, para que essa nova formação venha fazer miséria em palcos brasileiros.
OBS.1: A faixa-título é instrumental. Pitoresco, né? E conta com mais de sete minutos de duração, para se ter uma idéia da boa fase em que a banda se encontra.
OBS.2: Ao adquirirem o mesmo, não deixem de dar uma espiada nos agradecimentos de Mike Terrana... um sujeito MUITO modesto.
OBS.3: Só leva 9 pois "Welcome to the Other Side" é mais digno de uma nota 10.
RAGE ON!
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