Rage: Não existe Peavy sem Rage e vice-versa
Resenha - Unity - Rage
Por Giales Pontes
Postado em 22 de novembro de 2014
Nota: 10 ![]()
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O Rage construiu, sem muito alarde, uma das discografias mais sensacionais do Heavy Metal. É bem verdade que a banda sofreu uma pequena queda de qualidade após o já bastante mediano ‘XIII' (1998). Mas após uma louvável recuperação com o bom ‘Welcome To The Other Side’(2001), a chegada a uma obra magistral como ‘Unity’(2002) foi um caminho totalmente natural.
Nem sei por onde começar a falar sobre esse álbum, então vamos do começo: a intro de ‘All I Want’, que aparece "acoplada" na própria faixa, já começa o ataque sonoro naquele estilo "marcha de guerra", descambando para uma maravilhosa passagem melódica com guitarras dobradas. O riff que se segue é um primor de técnica e feeling. Cortesia do guitarrista/ violinista/ tecladista/ violonista e outros "istas" Victor Smolski, que estreou na banda ainda na época do quase esquecido ‘Ghosts’ (1999), quando todo o resto dos músicos da formação anterior debandaram, deixando Peavy "a ver navios". O refrão é aquela apoteose tão comum nos álbuns do Rage: melódico e poderoso, pra cantar junto com a banda nos shows até ficar sem voz.
‘Insanity’ segue mais ou menos a mesma linha da primeira faixa, com riffs power capazes de fazer um necrotério inteiro ressucitar. A música tem várias mudanças de andamento, e só para variar, um refrão maravilhoso "Ooh-ô-all this insanity surrounding me". Aliás, muito interessante a levada de bateria com pedal duplo durante o refrão. Se temos em Victor um virtuoso das seis cordas, por outro lado temos outro mestre em Mike Terrana. O americano carequinha multibandas domina seu instrumento como poucos, e o que ele faz neste ‘Unity’ é simplesmente inexplicável de tão soberbo. O cara "brinca" com a bateria fazendo a quebradeira geral parecer a coisa mais simples do mundo.
A seguir temos a sombria ‘Down’, a música escolhida para virar videoclipe. Magnífica! Guitarras pesadaças, versos melódicos mas sem exageros, viradas de bateria "inumanas", solo maravilhoso. Música perfeita. ‘Set This World On Fire’ é de fazer chorar, tamanha a beleza de sua melodia. No mais, são aqueles riffs tipicamente Power Metal das antigas, com muito peso distorcido e melodia idem. ‘Dies Irae’ surpreende com um coral operístico introduzindo a música com versos cantados em latim. O coral volta a aparecer junto ao refrão da música, e torna a acompanhá-lo todas as vezes em que este ressurge. Os riffs que fazem a base para as estrofes são uma coisa descomunal, ainda mais com o discreto "tapete" feito pelos teclados, dando um molho todo especial a música. O solo de Victor... bom, não adianta eu tentar explicar. Escute-o e se delicie com a "guitarreira geral" promovida pelo gênio russo (Sim! Victor é russo, não alemão.)
A ótima ‘World Of Pain’ é aquele Heavy Metal tradicional com riffs "cortantes" e cheios de melodia. A suíte acelerada no pré-refrão já começa a fazer a adrenalina subir, e o refrão propriamente dito não decepciona, e mais uma vez mostra que isso é uma especialidade de nosso amigo Peavy. ‘Shadows’ é uma sentimental e exuberante peça instrumental, onde a guitarra de Victor parece literalmente chorar sobre uma bela base orquestral produzida pelos teclados, e serve como intro para ‘Living My Dream’. Esta aliás é uma das mais interessantes do álbum, pois chama a atenção pelo contraste entre o peso dos riffs nas estrofes e a melodia grandiosa do refrão. Solos, riffs, melodia, harmonia, ritmo, técnica, feeling... tudo nessa música soa nada menos do que perfeito.
‘Seven Deadly Sins’ é rápida, direta ao ponto, sem enrolações. Diz o que tem que dizer, e acaba tão rápido quanto começou, já que seus quatro minutos de duração parecem dois. ‘You Want It, You'll Get It’ é um Power Metal quase melodic, mas o Rage sempre soube dosar bem todos os elementos em seu trabalho, e ela mantem lá em cima o nível do álbum. E finalmente a faixa-título, uma instrumental que traz muito daquela veia Dream Theater, muito provavelmente uma influência para Victor. E apesar do guitarrista detonar nesta também, aqui é Mike Terrana quem acaba brilhando mais. O cara as vezes parece encarnar seu xará Mike Portnoy, tamanha a complexidade de seus arranjos na batera. ‘Unity’ tem mais de sete minutos de duração, mas estes sete minutos passam tão rápido que logo que a música acaba, a gente já sai instintivamente a procura do botão "replay" para ouvi-la de novo. Perfeito.
Manni Schmidt, o guitar da formação clássica do Rage, certamente gravou álbuns seminais com a banda. Mas nosso "camarada" vindo da terra da vodka, Victor, faz com que praticamente não se sinta saudades de nenhum dos guitarristas das formações anteriores. O homem simplesmente dá um show daqueles de mandar muito guitarristazinho dito "profissional" de volta para o conservatório. Mike é um mestre das baquetas, mais do que consagrado no mundo metálico, tendo tocado com Yngwie Malmsteen, Gamma Ray, Tony Macalpine e Tarja Turunen. E Peavy... bem, Peavy continua o genial baixista/ vocalista/ principal compositor de sempre. Ou seja, não existe Rage sem Peavy, assim como não existe Peavy sem Rage. Ele é, sempre foi e sempre será A ALMA da banda.
Line-up:
Peter "Peavey" Wagner (Vocal/Baixo)
Victor Smolski (Guitarras/Teclados)
Mike Terrana (Bateria)
Track-list:
1 . All I Want
2 . Insanity
3 . Down
4 . Set This World On Fire
5 . Dies Irae
6 . World Of Pain
7 . Shadows
8 . Living My Dream
9 . Seven Deadly Sins
10. You Want It, You’ll Get It
11. Unity
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