Resenha - Black Sun - Primal Fear
Por Leandro Testa
Postado em 07 de julho de 2002
Nota: 9 ![]()
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A banda alemã em questão começou sua carreira em 1997, gozando de uma enorme vantagem: parte de seus integrantes já eram conhecidos, seja no mundo todo ou mais precisamente no underground germânico. Ralph Scheepers (vocal), ex-Tyran Pace, que no início de 1995 havia deixado o Gamma Ray sem quaisquer conflitos, juntou forças com a dupla dinâmica da também alemã Sinner, Mat Sinner (baixo/backing vocals) e Tom Naumann (guitarra) e para completar o time, recrutaram um amigo de infância de Ralph, Klaus Sperling (bateria, ex-integrante do M.P. - Metal Project), lançando um excelente debut auto-intitulado no início do ano seguinte, que contou com a participação de Kai Hansen (mentor do Gamma Ray, ex-parceiro de Scheepers e conforme reza a lenda, fundador do metal melódico). Na época muito se comentou sobre a influência latente de Judas Priest, tanto na parte visual, quanto no som da banda, e apesar de o próprio vocalista tentar disfarçar um pouco, não havia como, por motivos bem óbvios: ele se candidatara a vaga de substituto de Rob Halford, esperando cerca de dois anos e meio por uma resposta dos empresários da banda inglesa. Enquanto isso, mantinha uma banda de covers chamada... adivinhem.... Just Priest, é claro, para se manter em forma caso fosse um dia chamado para alguns testes, já que a sua voz lembra bastante a do seu ídolo carequinha. Voltando a falar do Primal Fear, a capa de seu primeiro álbum, que já trazia a mascote da banda, uma águia metálica, é uma referência clara ao "Screaming for Vengeance" do Priest, mesmo alegando que havia sido "uma coincidência o fato de o estilo do ilustrador lembrar o das capas antigas do Judas". Sim, todos nós percebemos isso... O tempo passou, incluindo uma passagem meteórica por São Paulo, num festival que também reuniu nomes como D.C. Cooper e Pink Cream 69, durante a turnê de "Jaws of Death", o álbum seguinte, que já contava com um segundo guitarrista, Stefan Leibing, também amigo de infância do batera Klaus Sperling. Em 2001 lançam "Nuclear Fire", o terceiro full lenght, com Ralph Scheepers careca (parecendo quem???) e Henny Wolter no lugar de Tom Naumann, cuja postura individualista incomodava o restante do grupo.

Com a formação estabilizada, eis que é concebido "Black Sun", um álbum empolgante, mais pesado que seus antecessores, e definitivamente um passo à frente para uma banda que havia lançado o álbum anterior há apenas um ano. Essa rapidez é atribuída à criatividade que todos os integrantes vem apresentando, já que após uma extensa turnê, e pelo fato de que este é o segundo álbum com a mesma dupla de guitarristas, o entrosamento ficou muito maior, lembrando que todos ali colocam o seu dedinho na parte instrumental. O trabalho de guitarras é sem dúvida o melhor já feito, colocando a banda num patamar mais elevado, pois basta ouvirmos "Armageddon" (que trata do fatídico dia 11 de setembro), "Lightyears from Home" (veloz, com um refrão grudento, assim como "Armaggedon" e a faixa-título), "Fear" e "Controlled". Estas duas últimas, além de serem pesadonas, com riffs bem thrash, contam com os solos de Mike Chlasciak, guitarrista da banda solo de um "cara" que vocês já devem ter ouvido falar: Halford... (sim, o carequinha de novo!!!)
Por falar no Rob, algo me espanta: não ouvi, nem li nada na crítica especializada, nenhum comentário sequer sobre o faixa "We Go Down" (que inicialmente se chamaria "Into the Fire"). O fato é que a introdução é simplesmente idêntica a de "Nightcrawler" do definitivo "Painkiller", ainda que um pouquinho mais extensa. Plágio ou Homenagem? Se o Gamma Ray fez uma música igualzinha à "Rapid Fire", por que o Primal Fear não poderia fazê-lo com uma mera introdução? Quando a escutei, logo pensei "agora entram aquelas guitarras cortantes", mas aí caí na real e percebi que estava ouvindo a cópia autenticada e não a composição original. Aliás, durante as gravações, um cover do Judas também foi gravado, mas sabe-se lá em que versão de "Black Sun" ele saiu, podendo até ser incluso num futuro EP junto às oito canções que ficaram de fora do álbum, e que segundo a banda estavam longe de ser ruins.
Como destaque ainda temos "Mind Control" (talvez a que conta com o melhor refrão do álbum), "Magic Eye" (por ser um tanto diferente de tudo o que a banda já fez no passado e por contar com belos solos), não esquecendo da introdução, "Countdown to Insanity", que até nisso é melhor que nos outros álbuns, pois finalmente é algo tocado, e não somente um conglomerado de barulhinhos de 20, 30 segundos. A propósito, o comecinho dela se repete ao fim do disco, dando assim ainda mais destaque a ela. Será que estou me esquecendo de algo? Mas é claro que sim... "Mind Machine": primorosa, porradona, a melhor dentre elas, de deixar qualquer banger "com o sorriso de orelha a orelha", como diria a minha mãe.
Além de o instrumental ser bem trabalhado, principalmente quando os dois bumbos entram em ação, há outro detalhe grandioso, inédito em composições do conjunto: Ralph Scheepers interpreta o bem, enquanto Mat "bolo fofo" Sinner é o mal, travando-se uma batalha de titãs, neste que é o tema da faixa que recomendo ouvir no último volume.
Bom, se de 13 canções temos tantas altamente recomendadas, ressaltando que as não citadas também são boas, mas que repetem a fórmula já manjada no som do Primal Fear (não apresentando grandes inovações que chamem tanta atenção), podemos concluir que este é um item obrigatório na coleção de quem já os conhecia e uma ótima oportunidade para a iniciação daquele que por infortúnio não ouvira as pedradas desta banda no passado. Aliás, querem incentivo maior do que a união da Nuclear Blast com a Century Media Latina, que de cara está nos brindando com bons frutos como este, proporcionando material de alta qualidade por um preço bastante acessível? Não dá, então compre sem medo de ser feliz...
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