Resenha - In The Arms Of God - Corrosion Of Conformity

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Por Nelson Endebo
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Cinco anos desidratando os excessos ao sol do purismo setentista fez bem ao Corrosion of Conformity, esse batalhão de macacos-velho da tradição dixie. O último álbum de estúdio, "America’s Volume Dealer", trouxe o quarteto ofegante, desfalecido na repetição. Nos braços de Deus eles reencontraram inspiração – um Deus nascido na Louisiana, bebedor de whisky e atirador profissional. O resultado é uma de suas melhores coleções até hoje, "In The Arms Of God", que está milagrosamente saindo em edição nacional.

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O fato é que o Corrosion Of Conformity, (C.O.C. para os íntimos) é uma banda lendária dentro dos círculos subterrâneos dos EUA. Desde a década de 80, quando apareceu com o barulhento "Eye For An Eye" pelas vias clássicas do bom metal americano – thrash apunkalhado -, vem criando uma legião de fanáticos, alguns, inclusive, nas esferas mais impensáveis da música pop. Pepper Keenan, guitarrista desde 1985 e vocalista do C.O.C. há (já) dez anos e cérebro do projeto Down, é ícone de um tipo particular de sonoridade que se convencionou chamar Sludge Metal, forjado inicialmente por bandas como os Melvins e o próprio C.O.C. pré-"Blind", o álbum de ruptura, que consiste em hibridizar Black Sabbath com noise e vocais cavernosos, tudo em baixíssima rotação.

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"In The Arms Of God" é o sacramentar do trabalho desenvolvido a partir de "Blind", de 1991, quando admitiram a sombra sabbáthica e lapidaram a sonoridade para um Sludge nem tão enlameado assim, nas raias do Stoner de mais alto nível. Abre com a acachapante "Stone Breaker", cuja introdução revive os melhores momentos de Tony Iommi em pleno 1972 radiante. Tanto Pepper, dono de voz e performance únicas, quanto o guitarrista e líder Woody Weatherman estão em grande forma, despejando toneladas de riffs e solos old school, coisa fina. "Opioid Paranoid", "Infinite War" e as maravilhosas "The Backslider" e "World On Fire" são pura quebrada no remelexo, liberando os caminhos para o sangue sulista correr. O baterista do disco, Stanton Moore, é referência em Nova Orleans e já tocou com grandes músicos de jazz e funk, como o organista John Medeski e o baixista dos lendários Meters, George Porter Jr. Com esse currículo, fica óbvio dizer que Moore injetou no C.O.C. um artigo precioso chamado groove, sem desvirtuar os mandamentos. A balada "Rise River Rise" tem adorno mágico, música e letra caminhando juntos pela estrada, solidão imensa que engole corações de pedra pela sombra. No desfecho, com o arranjo bem-cuidado de "Crown Of Thorns" e a pancada do thrash épico da faixa-título, fica a lágrima (e o suor) de coisa feita, artigo sincero.

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Sobre Nelson Endebo

Estudante de Comunicação Social na Puc-Rio, cheirou dúzias de carreiras de Música e hoje é completamente debilitado por causa disso. Tem um corte no córtex por causa do Mr. Bungle, mas acredita que isso seja legal. Doutrinado no bom e velho Metal (ainda chora ouvindo o grande Venom), aprendeu a ouvir Jazz e Samba na marra. É responsável pela coluna Nós do Noise e colabora com o site Bacana e a revista Valhalla. Sua máxima é: "quanto mais você sabe, mais você sabe que pouco sabe". Traduzindo, gosta de aprender e de ensinar. Espera poder somar algo à família Whiplash a partir de 3, 2, 1 segundo!

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