Resenha - Electro-Cidade - Astronautas
Por Nelson Endebo
Postado em 17 de julho de 2005
Existe vida inteligente no rock feito no Brasil (não confundir com rock brasileiro). Você procura aonde? Enquanto a MTV mostra o resultado de conchavos armados sob uma carapuça escrota e individualista (bandas gaúchas? Bandas cariocas?), repleta de falsa atitude e pose milimetricamente estudada, gente bacana como a que toca o selo goiano Monstro Discos lança bandas como esses Astronautas aqui resenhados. Electro-Cidade é um suspiro de fôlego renovador. É um disco de rock sincero, poderoso, muitíssimo bem produzido, com um artigo raro chamado conceito. O mote aqui é o homem do futuro, um dia imaginado em antigos filmes de ficção científica e livros de Isaac Asimov. Só que o futuro chegou e esses homens somos nós.

O power trio recifense – o rock feito no Nordeste está entre os melhores do underground mundial – utiliza de maneira bem pessoal referências bacanas como Queens Of The Stone Age, surf music, Kraftwerk, cultura trash e a tecnologia digital, gerando o maravilhoso casal música+letra, algo cada vez mais difícil de se encontrar por aí. A abertura, com o rockão sarado "Cidade Cinza", fala da vida corrida nas grandes metrópoles: "pedestres passam, palavras ficam". "Tecnologia" e "Comunicação em Bossa Moderna" são quase proféticas e definem o atual estado difuso que se encontram música e músicos em meio à ilógica das facilidades da tecnologia; se a primeira diz "eu vou compor uma música eletrônica no meu violão", a segunda ensaca João Gilberto nos HDs da vida e resume o pânico da indústria fonográfica em uma frase: "serão todos sampleados em sistema digital".
A urgência do discurso encontra corpo ideal nas fortes composições. "Compulsivo", "Fora de Controle", "Não Faço Nada" (uma das melhores letras do disco) e "Monotonia" são hits prontos nos cornos do robot rock que a imprensa musical tentou inventar anos atrás. O líder e principal compositor do conjunto, André Frank, também tratou de fazer as programações eletrônicas e aqui elas são mais que mero apêndice; elas dão sentido à tudo. E, ironia maior, "Sentimentos" é a faixa menos orgânica do álbum.
Astronautas é uma banda pronta cheia de desafios por completar. Não se mistura à podridão do establishment das magérrimas "rádios rock" e o esquemão MTV. Puxa para si um lugar no universo das boas bandas brasileiras (das quais algumas estão na própria Monstro) e pede licença para não participar das chantagens. Como canta Frank em "Compulsivo", "meu universo é paralelo e nunca foi o seu". Pra ficar melhor, basta que você, obtuso leitor, entenda a mensagem.
(Monstro Discos)
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Geddy Lee não é fã de metal, mas adora uma banda do gênero; "me lembram o Rush"
Megadeth lança seu último disco de estúdio, que traz versão de "Ride the Lightning"
Versão do Megadeth para "Ride the Lightning" é oficialmente lançada
Francis Buccholz, baixista do Scorpions em sua fase clássica, morre aos 71 anos
O guitarrista que BB King disse ser melhor que Hendrix; "toca melhor do que qualquer um"
Fabio Lione rompe silêncio e fala pela primeira vez sobre motivos da sua saída do Angra
Como EP de apenas três músicas mudou o rumo do rock dos anos 2000, segundo a Louder
O hit do Van Halen que Eddie se recusou a regravar mesmo com erros técnicos na guitarra
Bruce Dickinson já questionou a posição de Steve Harris no Iron Maiden
Como uma canção "profética", impossível de cantar e evitada no rádio, passou de 1 bilhão
Shawn "Clown" Crahan fala sobre o próximo álbum do Slipknot: pausa agora, criação em andamento
Helloween coloca Porto Alegre na rota da turnê de 40 anos; show antecede data de SP
Fabio Laguna quebra silêncio e fala sobre não ter sido convidado pelo Angra para reunião
Jimmy Page celebra 25 anos de show do Iron Maiden no Rock in Rio III
Geddy Lee fala em material novo do Rush; "suspeito que alguma música vai acabar saindo"
Stephen King e sua canção favorita dos Beatles; "Ainda soa totalmente fresca quando ouço hoje"
Cinco músicas que parecem ser românticas, mas não são
Johnny Marr relembra a música que separou o The Smiths: "Nunca mais vi Morrissey"


Alter Bridge, um novo recomeço no novo álbum autointitulado
Com "Brotherhood", o FM escreveu um novo capítulo do AOR
Anguish Project mergulha no abismo do inconsciente com o técnico e visceral "Mischance Control"
Motorjesus pisa fundo no acelerador, engata a quinta e atropela tudo em "Streets Of Fire"
Metallica: em 1998, livrando a cara com um disco de covers
Whitesnake: Em 1989, o sobrenatural álbum com Steve Vai



