Resenha - Kettle Whistle - Jane's Addiction
Por Fabrício Boppre
Postado em 04 de maio de 2000
Esse disco nasceu da turnê que o Jane’s Addiction fez em 1997, chamada I-Its M-My Party Tour, 6 anos depois da banda ter terminado oficialmente. Essa reunião da banda só não contou com o baixista original, Eric Avery, o que não tirou o brilho da volta do Jane’s, uma vez que para substituí-lo foi chamado ninguém mais ninguém menos que Flea, companheiro do guitarrista Dave Navarro no Red Hot Chili Peppers.
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"Kettle Whistle" pode ser considerado uma coletânea dessa banda cult de Los Angeles, que lançou três discos irrepreensíveis em sua curta carreira ("Jane’s Addiction" de 1987, "Nothing’s Shocking" de 1988 e "Ritual de lo Habitual" de 1990). O álbum é um conjunto de músicas tiradas das históricas apresentações ao vivo do conjunto, algumas canções inéditas, algumas demos e outras canções que não saíram oficialmente em nenhum disco da banda. Mas os destaques ficam mesmo por conta das canções já conhecidas do grupo, em versões ao vivo de tirar o fôlego.
Henry Rolins (vocalista da Rolins Band), que é amigo de Perry Farrel, acertou em cheio ao dizer no texto do encarte do disco que o Jane’s Addiction era essencialmente uma banda de palco. "Jane’s was a band that needed to be seen to be heard the full impact" diz ele. "It was a chapter of your life" completa ele. Claro que não podemos ter uma idéia completa do que Henry realmente quer dizer apenas ouvindo as músicas ao vivo no CD player, mas dá pra entendermos pelo menos uma fração da eloquência com a qual costuma-se se referir ao Jane’s "on stage". "Three Days", "Ain’t No Right", "Up the Beach" e "Stop", todas retiradas de um show gravado em 1990 nos EUA corroboram as palavras acima. É incrível a energia que emana dessas faixas: seja na agressividade e no feeling de "Ain’t No Right" e "Stop", seja nos solos delirantes de Dave Navarro e na batida "tribal" de Stephen Perkins em "Three Days", ou na beleza quase palpável da incrível "Up the Beach". Aliás, essas duas últimas músicas são os grandes destaques do álbum: "Three Days" é realmente delirante, uma obra prima de 13 minutos de viagem e feeling puro, e "Up the Beach" é lindíssima - difícil não se emocionar com a atmosfera criada pela sua melodia refinada e seu trabalho de guitarra fenomenal.
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As outras canções ao vivo ajudam a darmos razão a Henry Rolins. Entre elas, "So What", "Whores", e as belas "Slow Divers" e "Jane Says", com seus arranjos exóticos e harmonias cativantes. Das músicas inéditas, destaque para a faixa que dá nome ao disco, com sua linha de baixo compassada e melodias levadas pela guitarra, resultando em um clima exótico e sombrio.
Para aqueles que não conhecem o Jane’s Addiction e seu importante papel na história do rock alternativo, esse disco pode ser uma ótima pedida, principalmente pelas faixas ao vivo. E são também essas faixas que fazem o disco ser indispensável aos velhos fãs da banda.
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