Resenha - Wall Live 1980/81 - Pink Floyd

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Por Marcos Balbinotti
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Is There Anybody Out There?

Sim Roger, estou aqui!! A Brazilian is growing a tree e isso não é um milagre, posso te assegurar! Milagre foi, depois de 20 anos de espera, ter em minhas mãos a edição oficial desse documento sonoro que foi, sem dúvida alguma, o maior espetáculo do Rock-Teatro de todos os tempos: The Wall Live!

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Is There Anybody Out There? retrata soberanamente, e com uma qualidade sonora digna das mais modernas técnicas de gravação ao vivo, uma compilação das melhores músicas apresentadas nos shows de Earls Court, entre os períodos de 4 a 9 de agosto de 1980 e 13 a 17 de junho de 1981.

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Para começar a minha resenha, apresento duas pequenas reclamações concernentes a este lançamento oficial. A primeira é pelo fato de terem cortado, ao menos pela metade, a participação do mestre de cerimônias, aquele sujeitinho que anuncia a chegada da banda. Sua participação insólita traz um clima cômico no início do espetáculo, quebrado abruptamente pela velocidade e intensidade da In The Flesh. Na minha opinião, o show já tinha começado com o mestre de cerimônias... A partir da In The Flesh, em sua importante entrada, marca-se a seriedade que será apresentado o tema central do espetáculo (o show propriamente dito foi uma das obras mais maravilhosas do Rock’n’Roll). Minha segunda, e quem sabe, insignificante reclamação foi não poder ter a chance de sentir a emoção do pós-show. Eles poderiam ter deixado registrado oficialmente alguns minutos da ovação dos espectadores após o término do espetáculo! Isso nos daria a impressão de estar lá, (re)vivendo aquele momento sublime, de ter passado ileso por todo aquele mar de som... Mas é claro que esses dois pontos não retiram, nem obnubilam, o brilhantismo do espetáculo!

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No começo os músicos de suporte aos "Floyds" (Roger Waters, David Gilmour, Nick Mason e Rick Wright) entram mascarados, o que certamente confunde os espectadores. Essas máscaras estão retratadas na capa do CD e cassete. Quando aparecem os verdadeiros "Floyds" em frente à cena, a partir da segunda música, o show "vem abaixo", de tanta emoção. The Wall foi uma visão de Roger Waters. Um documento autobiográfico. Roger trouxe à consciência esse desejo, logo depois do espetáculo final da turnê Animals, de 1977, no Estádio Olímpico de Montreal, no dia 6 de julho. Nesse dia, os fogos de artifício tomaram conta do estádio, e uma bomba estourou bem em frente ao palco, quando Roger cantava a balada Pigs On The Wing. O susto do cantor associado ao temor do fato e a indignação de que o público não estaria interessado em suas letras fez que com que Roger parasse o show e, num rompante de raiva, cuspisse num dos fans que gritava incessantemente! Este fato surreallista fez com que Roger se desse conta que ambientes intimistas seriam mais adequados para apresentações de shows de Rock.

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David Gilmour, em entrevista concedida à Radio WZLX de Boston, afirma que Roger sempre se preocupou em saber se os espectadores estavam conseguindo escutar suas letras, carro chefe de suas obras. Nick Mason não apenas confirma essa afirmação, mas indica que essa preocupação era mais de Roger mesmo, pois a preocupação dos outros integrantes da banda era com a parte musical em primeira instância, e teatral, subsequentemente. Mas como mentor intelectual dos álbuns conceituais da banda e possuidor de uma personalidade forte, Roger acabava por impor as suas vontades… Entretanto, representar The Wall foi o estopim de um processo interno que o incomodava muito. Na verdade, pode-se dizer que a partir dessa turnê Roger se conscientizou, definitivamente, de que ele nunca mais gostaria de se apresentar em grandes estádios. Segundo ele próprio, "isso é uma contradição! A cada vez que se quer aproximar-se do público [em um movimento de direção mais intimista], os grandes estádios nos colocam em palcos cada vez mais afastados do público, estimulando apenas uma idolatria e não uma conscientização e uma apreciação crítica do espetáculo". Rick Wright, que enfrentava problemas pessoais muito sérios, tinha uma influência muito limitada na banda. Esses problemas ocasionaram sua saída, oportunamente.

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Foram situações como essa que acabo de descrever que, de certa forma, contaram para o impedimento do lançamento desse material, anteriormente. Devemos, contudo, agradecer a Harry, filho de Roger, por tê-lo convencido a concordar com esse lançamento, alegando que existe um mercado importante de pessoas interessadas em performances ao vivo (Harry coleciona os shows da banda Phish). Thanks Harry, you was great!!!

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Bem, depois de apresentar essa série de informações e opiniões pessoais, cabe comentar o lançamento propriamente dito, não acham? Eheheh

O CD foi lançado em duas versões: uma edição limitada e uma edição regular. A edição limitada é um long box onde se destaca um livro de capa dura que apresenta fotos inéditas, informações gerais e ainda entrevistas. Na edição regular encontra-se dois livretos como se fosse uma síntese das informações contidas na primeira. Os discos são os mesmos, embora a definição da imagem no disco feito na Inglaterra seja de melhor qualidade do que a impressão americana.

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Honestamente, eu aconselho a compra da edição limitada apenas para fans mais dedicados. Fans ocasionais deveriam, ao menos essa é a minha opinião, optar pela edição regular, ela é mais econômica e traz um resumo das melhores imagens e informações. A versão em cassete, embora bem interessante, eu desaconselho pois o cuidadoso trabalho de remasterização é melhor sentido na versão em CD. Mas é claro que para as coleções especializadas, esta é uma peça que não pode faltar.

Concluindo, conhecedores ou não, fans ou não, colecionadores ou não, o The Wall Live veio para ocupar um espaço importantíssimo na história oficial do Rock, na história dos espetáculos ao vivo! O Rock-Teatro "The Wall Live" não é apenas um espetáculo ao vivo, é uma perfeita sincronia entre música (rock) e representação teatral, onde a falta de um interfere na presença do outro! Portanto, esperemos agora o próximo passo: o lançamento da versão The Wall Live em vídeo, para que possamos nos deliciar plenamente.

Roger, eu daria tudo para assistir em vídeo o teu sapateado em frente a mais de 70 mil pessoas, em Dortmund (Alemanha), apenas para ocupar os cinco minutos que faltaram para finalizar a construção do Muro... Tuas atitudes criativas são mesmo um show à parte!

Shine On,
Marcos Balbinotti

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