Resenha - Tuonela - Amorphis
Por Fabricio Boppre
Postado em 30 de abril de 2000
Nota: 9 ![]()
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"Tuonela", lançado em 1999, serve para sacramentar uma mudança de direcionamento, que no caso do grupo finlandês Amorphis (e diferente de várias outras bandas da atualidade), é resultado latente do amadurecimento e evolução dos músicos do conjunto. Essa mudança é inicialmente notada no disco "Elegy", onde a banda começa gradualmente a abandonar os vocais guturais e os andamentos doom/death originais de sua música (vide o clássico "Tales from the Thousand Lakes", lançado pela banda em 1994), fazendo uso de influências e estilos distintos em suas músicas.
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"Tuonela" dá continuidade a esse desenvolvimento, ao mesmo tempo que conserva algumas características básicas que fizeram do Amorphis um nome bastante respeitado e admirado no mundo do metal, como o uso de instrumentos variados, a atmosfera anos 70 causada pelos teclados presentes na maioria das canções do disco e os riffs portentosos e épicos. As influências e temáticas folclóricas de "Tales from the Thousand Lakes" é deixado um pouco de lado, mas a bem dosada mistura de peso, psicodelia e melodia do disco "Elegy" é repetida aqui, com um destaque um pouco maior para o elemento peso, que a banda distribuiu mais generosamente entre as 10 faixas desse disco do que em "Elegy".
Com essa nova sonoridade, a mudança de tipo de vocal foi algo natural, pois o antigo vocal podrão não se encaixava mais na música do Amorphis, e o vocalista Pasi Koskinen acaba sendo um dos destaques do disco, com seu vocal mais hard-rock do que propriamente metal (não se preocupa muito com a técnica e a potência, e sim, com o feeling e a emoção que transborda das canções).
O uso de saxofones, flautas e cítaras, característica já comum na música do Amorphis, mais uma vez é muito bem encaixado ao contexto das músicas, dando méritos à excelente produção de Simon Efemey (que já produziu o Paradise Lost).
Dentre as canções podemos destacar as faixas "The Way", que abre o disco de maneira brilhante, com sua melodia refinada, vocais e harmonias viajantes e trabalho de guitarras soberbo (usando muito bem os famosos efeitos wah-wah); "Greed" que é a mais pesada do disco, com letra inspirada, andamento arrebatador e vocais lembrando os tempos de podreira fazendo dueto com partes mais melodiosas e limpas; e "Divinity", com sua melodia cativante, refrão contagiante e novamente, trabalho de guitarras primoroso e cheio de feeling.
Em suma, um excelente disco, que prima por não se prender a nenhum rótulo muito específico do metal (sem cair na armadilha das bandas que querem inventar novos estilos ou se livrar de algum deles e acabam se perdendo). Se você é muito fã do Amorphis mais pesado e extremo de antigamente, pode ser que fique com um pé atrás, mas, se antes de tudo, você gosta de música de qualidade e criativa, então pode ir atrás de "Tuonela" sem medo, pois é êxtase na certa.
Formação
Pasi Koskinen: Vocais;
Tomi Koivusaari: Guitarras;
Esa Holopainen: Guitarras;
Olli-Pekka Laine: Baixo;
Pekka Kasari: Bateria
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