Resenha - Acoustically Driven - Uriah Heep
Por Rossano Agostini
Postado em 26 de abril de 2003
Se por um lado os anos 70 "canonizaram" bandas como Led Zeppelin, Yes, Deep Purple, entre outras, por outro, formações de mesma genialidade foram inexplicavelmente marginalizadas pela crítica e mídia; o Black Sabbath talvez seja o exemplo mais clássico. Porém, haviam outros desafortunados no mesmo barco e o Uriah Heep era um deles. A mistura de progressivo e rock pesado que Mick Box (G) e cia. praticavam dividia as opiniões dos críticos da época, que não conseguiam compreender com exatidão sua musicalidade singular.
Uriah Heep - Mais Novidades
Assim como muitos de seus contemporâneos, o Uriah Heep vivenciou o auge (anos 70, com David Byron (V) e Ken Hensley (K)), a decadência (início dos anos 80, com várias mudanças na formação e discos irregulares) e a volta por cima (final dos 80 e início dos 90). E, se existe um responsável por essa virada de mesa, essa pessoa se chama Bernie Shaw (V). O cara entrou na banda tendo como estréia um disco ao vivo (‘Live In Moscow’, 86), tendo que conviver com a pressão do mercado musical, que na época investia no glam rock (os dois álbuns seguintes, ‘Raging Silence’ (89) e ‘Different World’ (91), evidenciam o fato) e, ainda por cima, tendo que conviver com o fantasma carismático de Byron, fator determinante para o insucesso dos outros vocalistas que passaram pela banda. Esse emaranhado de problemas, no entanto, teve efeito contrário no trabalho do Uriah Heeep, que solidificou a formação com Box, Shaw, Lee Kerslake (D), Phil Lanzon (K) e Trevor Bolder (B) e lançou dois bons álbuns de estúdio (‘Sea Of Light’ (95) e ‘Sonic Origami’ (98)).
‘Acoustically Driven’ só vem a coroar a competência da banda ao longo dos anos. Gravado em Londres, no Mermaid Theatre, este disco faz parte de um projeto ousado idealizado por Lanzon e Box, que previa um show com um set acústico que mesclasse sucessos com músicas pouco executadas ao longo da carreira sem, no entanto, soar oportunista e desgastado como os ‘unpluggeds’ atuais. O que esperar, então, de temas como ‘Echoes In The Dark’, ‘Wonderworld’, ‘Traveller In Time’ e ‘Lady In Black’? Execução perfeita e contagiante. Surpresas? ‘Different Word’ e ‘More Fool You’ dois petardos que não perderam o pique com a inclusão dos violões. E, se você não achou o bastante, ‘Circus’ e ‘Blind Eye’ contam com a participação especialíssima de ninguém mais, ninguém menos que Ian Anderson (Jethro Tull).
Mesmo com as atuações exuberantes de todos os músicos envolvidos, este é, sem dúvida, o álbum de Bernie Shaw. Como (en)canta esse cara! O feeling e a técnica empregados por ele em todo o set fica evidente já nos primeiros versos de ‘Why Did You Go’, faixa que abre o show. Em ‘The Easy Road’ e ‘Come Back To Me’ sua interpretação chega a arrepiar. E, para fechar com chave de ouro, um belo medley com as não menos clássicas ‘The Wizard/Paradise/Circle Of Hands’. Para os poucos felizardos que assistiram o show, foi um evento que não sairá tão cedo de suas mentes. Para nós, humildes mortais, foi a concepção de uma pequena obra prima.
Rossano Agostini
Caxias Do Sul-RS
[email protected]
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Angra realizará primeiro show da carreira na Finlândia
Duff McKagan reflete sobre o dramático fim do Velvet Revolver
Graham Bonnet Band lança "The Fifth Force Of Nature", que traz participação de Bruce Dickinson
O que realmente significa quando um álbum é lançado em versão remasterizada?
Johnny Ramone: o guitarrista que revolucionou o rock com três acordes faria 78 anos
A música de 1984 que o Metallica tocou ao vivo uma única vez
Epica esgota ingressos para show com orquestra e coral em São Paulo
A canção dos Beatles em que Paul McCartney já enxergava o fim da banda
Fabio Lione debocha de fala de Felipe Andreoli: "Inventaram hiato para eu sair do Angra?"
A situação inusitada (e fedorenta) que marcou gravação de clipe de Ozzy Osbourne
Ninguém tinha sobrenome na casa onde os Rolling Stones gravaram "Exile on Main St."
Por que é importante que artistas se posicionem politicamente
Amanda Somerville se manifesta após diagnóstico de tumor cerebral agressivo
Emily Armstrong não se vê como substituta de Chester Bennington no Linkin Park
O astro do rock brasileiro morto há décadas que ainda tem 8 milhões de ouvintes
A banda de rock que Angelina Jolie curte tanto que fez tatuagem em homenagem
Paulo Ricardo lembra os dois primeiros nomes do RPM: "Decidimos usar esse número antes"
Velvet Revolver: Slash diz que falecido Scott Weiland era "irrecuperável"



Uriah Heep se manifesta após entrada de baixista no Judas Priest
Ian Hill se afasta temporariamente do Judas Priest devido a lesão no braço
10 álbuns dos anos 70 abriram caminho para o heavy metal nos anos 80
As três capas que enganaram Gastão: "Achei que era metal, mas era outra coisa"
O disco hard-prog que fez Morten Harket do A-HA escolher a música para sempre
Iron Maiden: Review do novo álbum publicado na revista Kerrang



