Iron Maiden: Shakespeare e alienígenas no admirável novo álbum
Por Felipoud Tramparia
Fonte: Bruce Dickinson - Joe Shooman
Postado em 08 de maio de 2018
Seis anos longe da banda, mais especificamente desde a gravação do álbum Fear of the Dark, BRUCE voltou ao IRON MAIDEN para gravar Brave New World.
Músicas longas, melodias fortes e letras bem construídas brindaram os fãs mais antigos com os ares da renovação, além de conquistar toda uma nova geração de seguidores mundo a fora.
Navegue pelas mensagens que o admirável álbum dos anos 2000 tem a oferecer.
O trecho a seguir foi retirado do livro BRUCE DICKINSON, do autor Joe Shooman.
Local de Publicação: Belo Horizonte | Ano: 2014 |
Páginas: 304 | Editora: Gutenberg | Capa: Diogo Droschi (sobre imagem de Hayley Madden / Rex Features)
"Voltar ao rebanho significava, em grande medida, voltar à estrutura do passado: ensaiar, compor, lançar um álbum, desgastar-se fazendo turnês com eles, dar uma pausa e fazer tudo outra vez.
O contraste, contudo, com o início dos anos '90 era que a diversidade dos outros interesses e atividades de Bruce eram tão importantes para ele quanto o lado musical.
O problema, agora, era gerenciar o tempo, em vez de priorizar um interesse em detrimento dos demais, o que - juntamente com a percepção de um deslize nos padrões das gravações ou mesmo no controle de qualidade - havia sido fundamental para sua saída do MAIDEN, em primeiro lugar.
Brave New World, então, foi um dos álbuns mais ansiosamente aguardados de todos os tempos, pelo menos no mundo do metal. Perguntas de todo tipo pairavam no ar.
Será que STEVE e BRUCE se entenderiam musical e pessoalmente?
Como o grupo acomodaria três guitarristas? E, acima de tudo, como o álbum soaria?
A última questão foi respondida de forma inequívoca: ele soaria, simplesmente, como o IRON MAIDEN clássico, em seu melhor estilo narrativo, imaginativo e, por vezes, muito sombrio.
Brave New World é mais Seventh Son que Beast, claro, com o sexteto se permitindo expandir em algumas faixas, refinando e ampliando o espectro do Maiden em um nível muito contemporâneo, e com o regresso vocalista encaixando um desempenho genuíno e confiante, para completar.
Menos pesado que os dois últimos trabalhos solos de Bruce, o LP, não obstante, vence o peso do passado da banda e olha para o futuro com segurança.
As composições de BRUCE no álbum são na linha do MAIDEN clássico.
A primeira faixa do LP, "The Wicker Man" (não deve ser confundida com uma música de mesmo título que ele escreveu alguns anos antes), começa com um insistente riff de guitarra e baixo nervoso de STEVE, antes de explodir em refrões melódicos que se elevam e ressoam com a essência de uma nova ascensão. Dessa forma, então, essa colaboração com SMITH e HARRIS termina como se os três nunca tivessem se separado.
A canção foi lançada como single em 8 de março de 2000 e alcançou a nona posição nas paradas.
A segunda faixa do LP é uma composição conjunta entre BRUCE, STEVE e JANICK (que na época estava morando na casa de BRUCE e seu clã), a extensa "Ghost of the Navigator", que ressoa por quase sete minutos enquanto BRUCE se entrega em um conto que adota uma viagem marítima como metáfora para a vida, os medos, os anseios e a admiração fundamental quanto ao que pode acontecer quando a viagem termina.
Material muito envolvente, claro, mas veja - há um bom e velho solo no meio para ajudar a acelerar as coisas.
A faixa-título, escrita por BRUCE, STEVE e DAVE MURRAY, é uma música um pouco progressiva, que recorda temas do livro de Aldous Huxley com o mesmo nome, que especula sobre um futuro distópico, enquanto toma a imagem de um cisne morrendo como seu ponto fundamental para, a partir daí, apresentar um número implacavelmente obscuro e chocante, que é, essencialmente, a página seguinte da faixa anterior.
O último crédito que BRUCE recebe como compositor no álbum foi o segundo single do LP, "Out of the Silent Planet", lançado em 23 de outubro, chegando a 20ª posição nas paradas.
Outra vez, é uma música com cerca de seis minutos, cujo tema tem base no filme Forbidden Planet, um filme B de 1956, por sua vez levemente inspirado na peça A tempestade, de Shakespeare, da qual Huxley extraiu o título do livro, o qual se tornou o título do álbum do MAIDEN!
Talvez seja isso. Ou, talvez, como BRUCE comentou, seja apenas sobre "um grupo de alienígenas que destruiu seu planeta e agora... Estão vindo nos pegar".
É uma faixa divertida e galopante do MAIDEN, que vai e vem em mudanças tipicamente complexas de tempo e ritmo, mantendo um sentimento vivo que, mais do que qualquer coisa no álbum, soa como uma banda se divertindo.
Se quaisquer pistas adicionais eram necessárias para indicar que a atmosfera havia clareado, a faixa que fecha o álbum, "The Thin Line Between Love and Hate", de HARRIS, com sua letra sobre respeitar o direito de cada homem de seguir o próprio caminho na vida, é tão forte que pode te fazer tropeçar se você não tomar cuidado!"
Faixa 1: The Wicker Man | Álbum: Brave New World (2000) | IRON MAIDEN | Gravadora: EMI | Produtores: STEVE HARRIS e Kevin Shirley
Faixa 2: Ghost Of The Navigator | Álbum: Brave New World(2000) | IRON MAIDEN | Gravadora: EMI | Produtores: STEVE HARRIS e Kevin Shirley
Faixa 9: Out Of The Silent Planet | Álbum: Brave New World(2000) | IRON MAIDEN | Gravadora: EMI | Produtores: STEVE HARRIS e Kevin Shirley
Faixa 10: The Thin Line Between Love And Hate | Álbum: Brave New World(2000) | IRON MAIDEN | Gravadora: EMI | Produtores: STEVE HARRIS e Kevin Shirley
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