Ghost no Grammis 2016: um prêmio merecido e uma leitura
Por Rodrigo Contrera
Postado em 13 de agosto de 2016
Há muitos anos que uma apresentação de banda em premiação (no caso do Grammis 2016) não me afetava tanto quanto esta da banda Ghost. A música é boa, sim, e é que nem chiclete, fica na mente; mas não é isso o que realmente ficou, e ora me causa admiração, ora me causa um certo pavor (porque a banda é realmente satânica, e eu me reconverti ao cristianismo recentemente). Vou tentar lhes explicar o que acontece.
Irei me basear no vídeo da apresentação premiada, que está aqui:
Todos nós por vezes - ou vezes sem conta - nos sentimos joguetes do destino, ou, para quem acredita nisso, do diabo, do Belzebu, do Demônio mesmo. Como se não fôssemos donos de nossos destino, como se fôssemos meros brinquedos a ser tratados com displicência, como se nada fôssemos. Pois é assim mesmo que começa a música, mostrando atores fazendo as vezes de marionetes, enquanto lá atrás, numa tela perfeita, está ele, alguém que realmente conduz o jogo. O demônio. Claro, vemos apenas uma pessoa fantasiada, com um rosto de faces marcadas, fazendo as vezes de manipulador daqueles atores. Mas vemos mais. Porque ele mantém uma face incólume, nem sorrindo, nem sério. Como se estivesse fazendo aquilo para o que foi feito: como se fosse SEU destino. Pois o destino do Diabo é ser ele mesmo. Mesmo.
Daí os vocais começam e a gente se vê diante de um Papa com a Cruz ao contrário, cantando He is, de forma cativante, praticamente sem mexer os lábios, ao que parece sinceramente prestando tributos a Ele, o dono das vidas práticas, mas não das almas, aquele que parece nos dominar o tempo todo, e o nosso destino, fazendo com que nos reviremos, tentando viver, tentando tocar nossas vidas, sem sucesso. Pois quando aparecem as guitarras em solos em duo vemos as figuras (os atores marionete) simplesmente voando pela vida, caindo e se tornando meros joguetes, na realidade. E com um detalhe bastante representativo: uma camada de vermelho por cima de seus corpos, como se fosse o Inferno a ditar as regras da vida real.
Confesso-lhes que eu tremo quando vejo tudo isso. Porque é muito forte, sim, e muito cativante. E temos tendência a cantar aquilo, quando aquilo simplesmente diz: o dono das vidas, aqui na Terra, não é Deus, não, meus caros, é o Belzebu, mesmo, o Deus mau dos gnósticos. Daí a força de tudo, que porém diminui quando vejo entrevistas de Ghouls da banda, e mesmo do próprio Papa destes anos (que antes foi outras pessoas). Claro, a banda já teve outras formações, e outras caras, com outras máscaras e tudo mais (especialmente na premiada Cirice). Mas nesses momentos a banda não me causa arrepio.
Mas nesta apresentação, premiada, me causa. É forte. Ainda mais para mim.
Espero que tenham apreciado.
Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



O maior álbum grunge para muitos, e que é o preferido de Eddie Vedder
As únicas três músicas do Sepultura que tocaram na rádio, segundo Andreas Kisser
Bob Daisley chama de "verdadeiro crime" falta de crédito em clássico de Ozzy Osbourne
Mike Portnoy passa mal e vomita durante show do Dream Theater
O país em que Axl Rose queria tocar com o Guns N' Roses após ver Judas Priest brilhar lá
Evanescence lança música inédita e anuncia novo disco, que será lançado em junho
Dave Mustaine afirma que setlists dos shows do Megadeth são decididos em equipe
A melhor música de cada álbum do Ozzy Osbourne, de acordo com a Loudwire
Anika Nilles conta como se adaptou ao estilo de Neil Peart no Rush
A música "fundamental" que mostrou ao Metallica que a simplicidade funciona
Andreas Kisser fala sobre planos para o pós-Sepultura e novo EP
Rolling Stones lançam amanhã música sob nome falso e segue o mistério sobre novo álbum
AC/DC nos anos 70 impressionou Joe Perry e Eddie Van Halen: "Destruíam o lugar"
Roger Waters procura vocalista para banda cover de Pink Floyd do filho
Yes anuncia detalhes do seu novo álbum de estúdio, "Aurora"
A banda de rock clássica que era briguenta e marrenta demais, segundo Regis Tadeu
A cantora a quem Frejat e Cazuza ofereceram "Malandragem" mas recusou por causa da letra
O álbum da Legião Urbana que Renato Russo fala sobre sua paternidade, doença e Collor

Tobias Forge denuncia stalker às autoridades na Suécia
O melhor disco de heavy metal da década, segundo a Louder
Os 30 melhores discos de heavy metal lançados nesta década, segundo a Louder
Ghost se despede do Cardinal Copia/Papa Emeritus IV/Frater Imperator
A música envolvente do Ghost inspirada em serial killer enigmático que nunca foi capturado
Dez covers que são mais ouvidos que as versões originais no Spotify



