MC5: A marginália do rock n' roll
Por Paulo Severo da Costa
Postado em 30 de julho de 2012
RITA LEE disse em uma de suas letras que "roqueiro brasileiro sempre teve cara de bandido". Verdade seja dita: perto de alguns espécimes paridos no ninho do rock n´roll, os rockers brasileiros são a mais fina flor da sociedade.
No livro "Mate-me, Por Favor", o autor, jornalista e porra louca LARRY "LEGS" MCNEIL (em parceira com GILLIAM MCCAIN) traça um retrato das bandas e artistas do punk, desde seus graus de parentesco mais remotos, a partir da "costura" de depoimentos dos próprios protagonistas da cena. História escabrosas e quase surreais envolvendo groupies, sodomia, cafetões, heroína e outras "amenidades" estão lá, contadas pela santa palavra de gente como LOU REED, IGGY POP, JOHNNY THUNDERS e outras figuras.
Agora, em termos de ficha policial corrida, o MOTOR CITY FIVE - MC5 - mostra que, além de seminais para o punk, overdoses e prisões por arruaça eram coisa para o time juvenil do rock n´ roll. Esquerdistas radicais, traficantes e junkies ao extremo, eles deixaram claro que, se o caminho para o topo do rock n roll é longo, ele também é dolorido como uma paulada na orelha.
Em um curto período de duração inicial (de 1964 a 1972), as apresentações do MC5 foram descritas pelo aclamado (e odiado) colunista ROBERT BIXBY como "uma força da natureza catastrófica que a banda mal era capaz de controlar". Se IGGY POP rolava por cimas de cacos de vidro e vomitava no palco toda noite, as guitarras de WAYNE KRAMER e FRED "SONIC" SMITH funcionavam como metralhadoras cuspindo riffs a torto e a direita. Influenciados por forças tão diversas quanto CHUCK BERRY e marxismo, o som da banda casava a política reacionária e a violência das ruas em um som nocivo, barulhento, maravilhoso.
"Kick out the jams, motherfuckers!" – vamos detonar filhos da p..." - era a singela mensagem do MC5 a seu público no debut da banda - dez anos antes dos PISTOLS serem banidos da mídia inglesa por dizerem "escroto" em rede nacional. Depois de três álbuns clássicos, o grupo se separou e cada um foi cuidar da vida: KRAMER puxou uns anos de cadeia por tráfico de entorpecentes, o vocalista ROB TYNER morreu de ataque cardíaco com quarenta e seis anos, "Sonic" Smith morreu de overdose com quarenta e cinco, o baixista MICHAEL DAVIS morreu de cirrose hepática e o baterista DENNIS THOMPSON... está vivo. E reativou a banda em 2003 que já contou com LEMMY e IAN ATSBURY como vocalistas em participações especiais.
E tem gente por aí que acha que é perigoso...
Discografia essencial:
• 1969: Kick out the Jams
• 1970: Back in the USA
• 1971: High Time
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