A mega-influente banda que Ian Anderson acredita que deu origem ao grunge
Por Bruce William
Postado em 28 de agosto de 2025
Ao longo da carreira do Jethro Tull, Ian Anderson sempre se mostrou atento não apenas à própria música, mas também ao cenário que se formava ao redor. Dono de uma visão crítica sobre a indústria, o flautista e vocalista não perdia a chance de contextualizar tendências, muitas vezes apontando conexões inesperadas entre gerações de artistas.
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Nos anos 1960 e 1970, o Jethro Tull era constantemente colocado lado a lado com nomes como Genesis, Yes e King Crimson. Todos eles foram agrupados sob o rótulo de progressive rock, mas Anderson nunca gostou de ser visto como "derivativo". Para ele, o mérito da cena progressiva estava em justamente absorver elementos de blues, jazz, folk e rock e transformá-los em algo novo, mutante e original.
Duas décadas depois, já no início dos anos 1990, Anderson voltou a observar um movimento que tomava corpo: o grunge. Para muitos, bandas como Nirvana, Pearl Jam, Soundgarden e Alice in Chains representavam uma revolução. Para o líder do Jethro Tull, no entanto, a essência não era inédita - havia uma linha direta que ligava aqueles jovens de Seattle ao espírito contestador das bandas da virada dos anos 1960 para os 70.
Em entrevista ao The Tapes Archive em 1993, resgatada pela Far Out, Anderson declarou: "Vimos renascimentos de coisas dos anos 1960. Guns N' Roses não estão a um milhão de milhas dos primeiros Stones, e o Metallica tem muito do Black Sabbath. Você olha para algumas dessas bandas grunge, meio pós-hippies de Seattle, e percebe que elas devem muito a uma mistura peculiar de ideologia dos anos 1960 com o anarquismo do MC5. Estamos meio que reciclando todas essas noções, só que em formas ligeiramente diferentes."
O comentário mostra como Anderson enxergava a música em ciclos: cada nova geração traz sua energia, mas inevitavelmente retoma ideias de movimentos passados. Nirvana, por exemplo, podia soar completamente diferente do MC5 para um fã médio, mas, na visão dele, compartilhava o mesmo DNA de rebeldia crua e de simplicidade barulhenta.
Curiosamente, essa leitura não é tão distante da forma como o próprio Jethro Tull nasceu. O grupo também bebeu de diversas fontes já existentes para dar vida a algo único. Se para Anderson o grunge era uma reciclagem dos ideais dos anos 1960, o Tull, no final da década, também havia feito seu "pastiche criativo", misturando linguagens e rompendo fronteiras.
A fala de Anderson não diminui, de forma alguma, o impacto do grunge, mas o coloca dentro de uma tradição maior: a de bandas que reinterpretam o passado para projetar um futuro. Para ele, tudo é parte de um mesmo ciclo, onde a originalidade nasce justamente do ato de reciclar com ousadia.
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