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As novas faces do progressivo: Sleepytime Gorilla Museum

Por Roberto Lopes
Em 25/08/06

Caracterizado normalmente como algo grandiloqüente, auto-indulgente, distante da realidade mundana, o progressivo também pode ser provocador, incisivo e agressivo. Vindo dos Estados Unidos, um grupo que se encaixa nesta definição é o Sleepytime Gorilla Musuem, com seu som engajado, experimental e vanguardista.

Em 12 de março de 1978, em um festival no New London Theatre, Londres, consolidava-se um novo caminho dentro do rock progressivo, totalmente diferente do trilhado por bandas como Yes, Genesis e outros medalhões que surgiram no final da década anterior. O festival tinha o nome de Rock In Opposition (ou RIO), que acabou batizando também todos os grupos dessa vertente, como Henry Cow e Univers Zero. Essas bandas faziam a junção do rock progressivo com elementos da música de vanguarda desenvolvida entre os anos 20 e os anos 60 (com especial influência de compositores como John Cage e Edgar Varese), o free jazz de Ornette Coleman e John Coltrane, o fusion de Miles Davis e Frank Zappa e, em menor escala, o som canterburiano do Soft Machine e Caravan e a música neoclássica de Stravinsky e Schöenberg. Surgia assim uma vertente do progressivo que fugia de qualquer padrão comercial ou convencional. Nessa vertente, predominava o atonalismo, isto é, as mudanças bruscas de tonalidade, bem como formas completamente diferentes de se tocar um determinado instrumento e o experimentalismo, às vezes levado ao extremo.
A partir dos anos 80, vários bons cenários ligados ao RIO apareceram, fazendo com que o estilo se renovasse continuamente e mostrasse sempre uma evolução sonora, que continua até hoje. Uma dessas cenas é a norte-americana. Grupos como French TV, Doctor Nerve, Thinking Plague, Birdsongs of the Mesozoic, 5UU's e U Totem, além de artistas como Bill Laswell, mostravam uma interessante proposta, unindo a sonoridade de grupos RIO setentista com jazz, eletrônica e até mesmo punk rock em uma junção perfeita de progressivo e vanguarda. No início do século XXI, contudo, apareceu talvez um dos mais empolgantes – e inovadores – representantes dessa vertente, juntando os mais diferentes e inusitados estilos musicais, somados a uma proposta visual e performática bizarra e até mesmo extremada em alguns momentos. Trata-se do californiano Sleepytime Gorilla Museum.
Formado em 1999 pelos músicos Nils Frykdahl, Dan Rathbun e Carla Kihlstedt, todos os três multi-instrumentistas e com uma respeitável experiência musical dentro de meio de vanguarda, o grupo, desde os primórdios, apostou em desempenhos teatrais, muitas vezes com leituras de textos e artigos de escritores alternativos e mistura de influências das mais variadas vertentes vanguardistas. O primeiro resultado em estúdio, "Grand opening and closing", lançado em 2001, chamou a atenção do meio RIO pela proposta inovadora e ousada. Faixas como "Sleepytime" e "Powerless" mostravam uma releitura eficiente do experimentalismo de grupos como Henry Cow e Doctor Nerve, só que com uma roupagem atual e ainda mais sombria. Influências de rock industrial e de grupos como Fantômas e Residents também se fazem perceber em seu som.
Após um fraco trabalho ao vivo gravado em 2003, que não fazia juz às complexas e intensas apresentações que o grupo realizava, a banda consolidou sua reputação e nome dentro do cenário progressivo de vanguarda com um dos melhores e mais sombrios discos lançado nos últimos anos, "Of natural history", lançado em 2004. Aqui, a junção do velho progressivo de vanguarda (Henry Cow, Univers Zero, Residents e até King Crimson fase "Red") se unia de forma quase perfeita com o novo vanguardismo (John Zorn, Mr. Bungle e Fantômas). Algumas faixas eram extremamente melancólicas ("A hymn to the morning star"); outras, pesadas e soturnas ("The donkey-headed adversary of humanity opens the discussion e Gunday's child"); e outras, de puro experimentalismo ("FC: The Freedom Club" e "Babydoctor"). Todas evidenciavam mais uma nova e talentosa geração de músicos a surgir dentro dessa vertente do progressivo.
O destaque ia para o desempenho dos músicos, seja o vocal distorcido e sombrio de Frykdahl, o baixo estridente de Rathbun ou o esquizofrênico violino de Kihlsted.
O disco foi muito bem recebido pela crítica e público do meio de vanguarda. Sua turnê de promoção, entre 2005 e 2006, recheada de elementos teatrais e repertório eficiente, teve uma resultado entusiasmante. Um estranho DVD chamado "The face", lançado em 2005, mostrava alguns trechos em áudio dessa turnê. Curiosamente, em vez de apresentar os músicos se apresentando, aparecia somente a imagem de uma face. Atualmente, o grupo encontra-se em processo de gravação e produção de um novo trabalho de estúdio, com previsão de lançamento para meados de 2007. O grupo também pretende relançar seus trabalhos anteriores com algumas faixas-bônus. O Sleepytime Gorilla Museum é, enfim, um excelente exemplo de um progressivo de vanguarda criativo e renovado.

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Discografia recomendada: "Grand opening and closing" (2001), "Of natural history" (2004).

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Roberto Lopes, 28, é arquivista e moderador do Ummagumma, onde é conhecido como bobblopes. O Ummagumma é um fórum que procura discutir todas as vertentes do progressivo. Todos estão convidados a visitá-lo e discutir a música progressiva, desde os medalhões sinfônicos até as bandas mais experimentais.


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Sobre Roberto Lopes

Arquivista, professor, cientista da informação e pseudo escritor de música nas horas vagas. Apesar de mais focado no Rock Progressivo e clássico, também curte metal, punk, rock alternativo e indie Rock.

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