Sweet 75
Por Alexandre Luzardo
Postado em 25 de junho de 2006
Originalmente publicada no site Dying Days
Uma das reuniões mais inusitadas do rock uniu o ex-baixista de uma das bandas mais importantes da década de 90, com uma anônima cantora de rua: o Sweet 75, formado no início de 1995 pela cantora venezuelana Yva Las Vegas e o ex-baixista do Nirvana Krist Novoselic. Na festa de aniversário de Krist em 1994, seus amigos contrataram Yva, que cantava músicas tradicionais latinas nas ruas e em bares de Seattle. Krist se entusiasmou pela cantora desconhecida e ofereceu ajuda para que ela gravasse algumas músicas. Depois de algumas sessões, os dois estavam tocando juntos. Krist assumiu a guitarra (de 12 cordas, diga-se) enquanto Yva tocava baixo.
Os dois começaram a escrever algumas músicas e logo a mídia fazia um estardalhaço sobre a inesperada nova banda de Krist com sua vocalista venezuelana. Mas o primeiro (e único) disco demorou a ser lançado. Depois de uma sucessão de bateristas, o talentoso ex-percussionista do Ministry, William Rieflin, um dos grandes músicos de Seattle, assumiu as baquetas.
Depois de alguns ensaios, eles iniciaram a gravação do disco com o produtor Paul Fox, a ser lançado pela gravadora Geffen (a mesma do Nirvana). O disco, simplesmente intitulado Sweet 75 era uma improvável mistura de um rock alternativo dissidente do Nirvana, e música latina, com letras dramáticas e confessionais.
A banda contou com dois convidados de peso, na música "La Vida", cantada em espanhol, Herb Alpert, um dos donos da gravadora A&M tocou um solo de trumpete, enquanto que a canção tradicional venezuela "Cantos de Pilon" trazia Peter Buck, guitarrista do R.E.M. no mandolin (ele que já havia celebrizado o mandolin no hit "Losing My Religion" do R.E.M.). O restante do álbum era cantado em inglês e trazia como destaque "Fetch", de refrão bem pop e outras músicas mais raivosas como "Bite My Hand" e "Poor Kitty", nessa última, Yva 'destilava o seu veneno' na letra: "Why don't you / Fuck yourself / 'Cause I don't wanna fuck / Not with you".
William Rieflin deixou a banda logo após o término das gravações e foi substituído pelo baterista Adam Wade.
Cercado de grandes expectativas, o disco foi lançado somente na metade de 1997, dois anos depois da formação do grupo. A reação da crítica não foi nada entusiasmante, embora o disco não tivesse sido criticado, mas o problema maior foi de promoção. A Geffen estava passando por dificuldades financeiras e não escolheu o Sweet 75 como uma prioridade. A conseqüência mais grave foi que a gravadora não pôde bancar a turnê da banda, que acabou sendo cancelada. Com isso, o baterista Adam Wade, que já não iria receber direitos autorais pelo disco (já que não havia participado das gravações), também não receberia nada pelos shows cancelados, então ele resolveu sair da banda. Sem shows e sem divulgação, o álbum Sweet 75 logo foi esquecido pelo público e teve uma vendagem bem baixa, em nenhum momento fez parte da lista dos 100 discos mais vendidos da Billboard.
Além disso, o Sweet 75 ainda enfrentava várias brigas internas entre Yva e Krist. O resultado foi que, ainda em 1997, poucos meses depois de lançado o disco, a banda se separou melancolicamente.
No ano seguinte, Las Vegas e Novoselic se reuniram novamente e com os ânimos renovados e com novas perpectivas resolveram tentar de novo. Eles ensaiaram novamente com William Rieflin e um músico experimentalista de Seattle, Jeff Grieke. Comporam novas músicas e gravaram demos para "What's Bigger Than Love?", "Siempre" e "Cover You". As novas músicas chamaram a atenção de promotores sul-americanos que ofereceram uma turnê ao Sweet 75 dentro de um projeto chamado Rock En Español. Para fazer os shows, a baterista Gina Mainwal foi chamada para tocar com Krist e Yva. Uma turnê pela Florida e Porto Rico foi organizada, mas tudo desmoronou depois de novas discussões entre os integrantes e problemas de dependência química de Yva. A banda anunciou seu final e desta vez definitivamente.
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