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Já parte do calendário de eventos do gênero na cidade, o Titans of Metal, criado pela Tamanduá Produções para resgatar e valorizar nomes que marcaram época na cena metálica piauiense, acabou por incorporar novas bandas e também atrações interestaduais. Anteriormente realizado na região central da cidade, sofreu mudanças nesta quarta edição, mudando-se para o Bueiro do Rock (zona norte), espaço para shows que tem deixado sua marca por oferecer estrutura e tratamento profissionais tanto ao público quanto às bandas locais e nomes de fora que por lá passam com frequência; tudo de primeira para receber no palco do Bueiro dez atrações em dois dias; três nacionais e seis locais.
Stygma, banda de power metal que já foi bastante ativa na cena local, tendo aberto inclusive shows de nomes como Shaman, começou a primeira noite do Titans 2012, resgatando a ideia original do festival, trazer de volta trabalhos que marcaram na cena. Hoje reduzida a um quarteto, a Stygma, que em outros tempos chegou a flertar com a inclusão de ritmos regionais em seu som, sofreu com a limitação técnica da atual formação e fez o aquecimento para as atrações principais com um set curto de canções suas demos e alguns covers.
O Scrok é uma banda há tanto tempo em atividade que não se sabe, e nem vem mais tanto ao caso, se eles são de Teresina ou da vizinha Timon (MA). Dezoito anos atrás o Scrok começou a cruzar o Parnaíba para shows no Piauí e assim cravou seu espaço na cena local. Sempre com um trabalho acima da média para as dificuldades que encontravam (falta de grana, dificuldade com instrumentos e gravações, etc), Valter e cia sempre deram a volta por cima nos atropelos do caminho, e após uma parada estratégica em 2006, a banda voltou como quarteto e melhor organizada em seus objetivos, o que já mostra bons resultados nos shows que a banda fez dentro e fora do estado, como o opening act da banda suíça Samael em Brasília (DF) no último mês de junho. Mesmo com a recente saída do guitarrista Eduardo Macêdo, brindaram os presentes com mais uma performance brutal de seu mais recente trabalho, o EP “Devastation”. Sem heresias ou exageros, o Scrok é hoje, ao lados dos decanos do Megahertz, o melhor cartão de visitas thrash que o Piauí pode apresentar fora de casa.
Pela segunda vez em Teresina e com um público agora numericamente à altura, os paraibanos do Warcursed mostraram bastante entrosamento, tanto entre os músicos no palco como com a platéia. O grande às na manga do Warcursed são dois guitarristas afiadíssimos, que não ficam apenas trocando bases, são ambos excelentes solistas, conseguindo tirar a banda, com nota dez, dos clichês do gênero death/black. Repertório baseado no CD “Escape From Nightmare”, que a julgar pela movimentação na banca de merchandising da banda após o show, agradou em cheio.
Já se vão catorze anos desde que o NervoChaos passou por Teresina a primeira vez, acompanhados do Krisiun (na época também estreantes pelos palcos mafrenses). Nesses anos o Nervochaos voltou uma meia dúzia de vezes, sempre com boa repercussão, mas algumas interrogações ficam na cabeça de quem já viu, ao menos, dois shows distintos da banda: Por que a sensação de que o estilo sempre muda? A banda, em si, é impecável. As composições são à altura do que se propõem, mas as mudanças escapam à linha tênue da mera “evolução musical”, parecem ater-se à mudanças de mercado (e o metal tem mudanças de mercado, não sejamos românticos quanto a isso), ou seria uma tentativa de andar sempre um passo a frente e fugir das famigeradas “modinhas”? Sempre um excelente show, material de qualidade para os fãs, o Nervochaos vai finalmente fincar bandeira quando decidir que rumo quer tomar. Os que acompanham a carreira da banda, certamente, agradecerão.
Fechando a primeira noite, os estreantes (ao menos no Titans) do Dreim Deimor, fazendo um heavy/thrash engajado, com fôlego e com certeza sentem na pele o fato de serem uma banda autoral, ou no popular “que toca músicas que ninguém conhece”. Fazem fila com outra dezena de bandas da cidade tentando botar a cabeça do lado de fora e mostrar a que vieram, com dedicação, entrega e levando muita porta na cara nessa maré de bandas cover que não acrescentam nada, não fomentam nada e nem sequer servem pra valorizar os catálogos dos artistas aos quais “prestam tributo”, já que as gravadoras (todas majors) que tem essas bandas no seus castings andam caindo pelas tabelas com a cultura do download. Eis outro papel fundamental do Titans of Metal: semear, pois sua sobrevivência não depende apenas de bilheterias, mas da continuidade de uma cena.
Segundo dia do Titans com cara de programão de domingo. O público conseguiu rivalizar com a noite do sábado, sendo que a presença feminina foi maior. Abrir um parêntese pra presença das mulheres nos shows, coisa praticamente inexistente nos anos 90, onde mesmo as namoradas dos músicos eram rostos raros nas apresentações. Mulher em show é sinal que vai longe o tempo do estigma de violência que rondava os shows; e também serve de selo de qualidade dos eventos, já que mulher repara e reclama quando a coisa está ruim, sem cerimônia.
Começando, sabiamente, cedo, a produção escalou o Madhouse pra abrir a noite. É uma banda de cover, pelo nome dá pra desconfiar que tocam coisas do Metallica, Megadeth e um ou outro medalhão tipo “classic rock”, como Ozzy Osbourne. O que falar de uma banda de cover? Tem um repertório feito pra agradar o seu (?!) público e já que o faz, precisa suar, e muito, a camisa pra mostrar serviço. Quem sair na chuva que se molhe. Como preliminar ou teste de som, fez a função.
Faltando uma semana para o Titans, o trio Capitalistic Death ficou sem baterista, em seu lugar no line up os parnaibanos do Kick Head. O litoral bem representado e mandando bem, surpreendendo sempre que se faz presente em shows na capital. Um thrash/crossover bem na praia do que se fazia na segunda metade dos anos 1980, na praia de bandas como Hirax e Excel, pegou de cheio um público que foi ao evento pra ver o Capitalistic Death. Bola dentro pela substituição à altura.
Caberia aqui um texto semelhante à uma tese de sociologia pra explicar a importância de bandas da geração do Empty Grace, que a caminho do segundo disco já pode levar o nome de veterana. Nascida em um ponto de transição do chamado ‘metal underground’ piauiense, lá pelo começo da década passada, foi das primeiras, e continua uma das últimas, na ativa a usar e abusar das novas tecnologias e meios de comunicação para divulgar seu trabalho. Se por um lado isso rendeu ao Empty Grace uma rápida ascensão como bola da vez da cena, deixou a banda engessada em um gueto do qual ela só conseguiu sair com o lançamento de “Subterranean’s Souls March” em 2009, migrando de um Black Metal ginasiano para um Death Metal cru porém atípico. Com a chegada de Ângelo Fernando nas baquetas o Empty Grace conseguiu estabilizar-se de ensaios e composições para seu segundo disco, algumas presentes no set do show do Titans. Só foram prejudicados pelo som do contrabaixo, inexistente nos P.As. Nanno T., como sempre, dando show à parte. Guitarrista técnico quando precisa solar e bastante agressivo (queria usar o termo “ignorante” mas não sei se seria bem interpretado) nas bases, mostra também uma preocupação com a escolha dos timbres, carregando, inclusive, backline pros próprios shows, coisa ainda rara por essas paragens.
O Andralls é velho conhecido de Teresina desde quando era quarteto. De lá pra cá muitas turnês, até pela gringa, deram à banda e seu Thrash Metal dos mais tradicionais a manha de palco pra saber fechar um festival, já quase meia noite de domingo. Cinco álbuns de estúdio e mais dois ao vivo não são assim pra qualquer banda que não está em selos ou gravadoras grandes, com staff de divulgação e estrutura de agendamentos de excursões. É muita ralação, e ela se reflete na segurança com que o Andralls comandou quase uma hora de apresentação sem deixar o pique cair.
Na contramão de toda a choradeira sobre a atual fase da cena nacional, e sem se deixar abalar por eventos não realizados recentemente que viessem a queimar o filme dos produtores nordestinos (no caso, o infeliz episódio do MOA), produções como o Titans of Metal mostram a viabilidade de se fazer eventos em locais condizentes, com estrutura de som, luz e acomodações decentes, respeitando o público pagante e dando às bandas a chance, acima da média, de mostrar seus ofícios de maneira condizente com a dedicação com que se empenham no desenrolar de seus trabalhos musicais. Fica o bom exemplo, e lição pra todo lado.
Veja no link abaixo a resenha com imagens:
http://www.fullrock.com/destaques/titans-of-metal-2012-review-e-fotos-dos-dois-d...
www.diaderock.com.br: Veja as fotos de quem foi no show e compartilhe as suas.
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Trabalha desde 2002 com produção de shows em Teresina. Teve a oportunidade de trabalhar com grandes nomes do Heavy Metal e Rock and Roll como Paul Di Anno, Ira!, Hangar, Angra, Shaman, Andralls, Drowned, Clamus, Dark Season, Megahertz, Anno Zero Empty Grace, Mordydia, Káfila, entre outros.
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