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Resenha - Twisted Sister (Via Funchal, São Paulo, 14/11/09)

Foram anos e anos de espera. Mas, enfim, os americanos do TWISTED SISTER chegaram ao Brasil, em São Paulo, para o primeiro show da banda no país.

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Em noite de calor intenso, o divertido MASSACRATION foi escalado para animar os fãs antes da atração principal, apresentando músicas como “Metal Is The Law” e “Metal Bucetation”, em meio a piadas e gozações. Apresentaram-se vestidos a caráter, como verdadeiros “glam rockers”, de roupas coloridas e coladas ao corpo, tocando por pouco mais de meia hora. No final, o vocalista Detonator ainda brincou, ao dizer que a banda que viria a seguir “estava começando e os caras precisavam de uma força”.

Ele se referia a Dee Snider (vocal), Jay Jay French (guitarra), Eddie Ojeda (guitarra), Mark Mendoza (baixo) e A.J. Pero (bateria), membros originais do TWISTED SISTER, que de principiantes não têm nada. Pelo contrário, demonstraram experiência, técnica e carisma e esbanjaram energia na Via Funchal.

Às 22:30h, a banda entrou no palco, sendo recebida de forma intensa pelos ardorosos fãs presentes, descarregando logo de início clássicos como “What You Don't Know (Sure Can Hurt You)”, “The Kids Are Back” e “Stay Hungry”. Parecia algo inacreditável ter o TWISTED SISTER ao vivo no palco, executando suas músicas em uma Via Funchal lotada e com ótimo (e alto) som.

Apesar de comemorar 25 anos do lançamento do álbum do “Stay Hungry” e ter tocado na íntegra todas as músicas desse disco nos últimos shows pelo mundo, o TWISTED SISTER, como prometido na coletiva de imprensa algumas horas antes da apresentação, veio ao Brasil disposto a “passear” por toda sua longa carreira. Assim, vieram “Captain Howdy”, do álbum “Stay Hungry”, “Shoot `Em Down”, do “Under The Blade” e “The Fire Still Burns”, do “Come Out And Play”, para citar alguns exemplos.

Lógico que não poderia ficar de fora a mais do que clássica e imortalizada “We’re Not Gonna Take It”, um verdadeiro hino do Hard Rock, conhecida de todos e cantada por uma vibrante Via Funchal.

Se o público estava emocionado ao ver o TWISTED SISTER pela primeira vez ao vivo, os músicos também não ficaram atrás. Dee Snider até se desculpou por ter demorado tanto para vir ao país e a banda não se cansou de dizer que a reação da platéia brasileira era uma das mais incríveis e surpreendentes que já tinham visto. Jay Jay French aproveitou a empolgação dos fãs para fazer um pedido: nesse dia era aniversário de sua filha Samantha, que completava 16 anos, e com uma filmadora em mãos, ele pediu a todos os presentes para cantar os parabéns para ela, o que, obviamente, foi atendido.

Ainda foram executadas “You Can’t Stop Rock n’ Roll”, a balada “The Price”, com direito a efeito de luz vermelha no rosto de Snider, e até a nova “30”, que fez parte da reedição comemorativa do disco “Stay Hungry”, lançada recentemente.

Já falei acima do calor que fazia na noite do show e foi, de fato, uma noite em São Paulo muito quente, agravada pela falta de ventilação da Via Funchal. O público sentiu o calor e Dee Snider também, tanto que ia freqüentemente (leia-se: em quase todas as músicas) se refrescar atrás dos amplificadores. “Burn In Hell” também foi tocada e veio a calhar, pois realmente a sensação era de “queimar no inferno”, devido à noite abafada do sábado.

A.J. Pero teve seu momento individual, quando aproveitou para detonar sua bateria em um solo espetacular, seguindo-se com a “I Wanna Rock”, a última música da primeira parte do show, executada em versão alongada, como sempre a banda faz nos palcos – Dee Snider pede a participação do público para cantar o refrão.

Sob o coro de “Ole, Ole, Ole, Ole, Twisted, Sister”, a banda retornou uma vez para tocar “Come Out And Play” e, em uma segunda oportunidade, para “Under The Blade”, uma das melhores da noite, e “S.M.F.”.

Em pouco mais de uma hora e meia de show, o TWISTED SISTER se mostrou extremamente simpático, carismático e feliz de tocar no Brasil pela primeira vez. Os músicos repetiram muitas vezes que a reação da platéia brasileira era a melhor de todas. E não sem razão, pois realmente o público deu uma aula de empolgação e devoção à banda.

Em suma: uma noite memorável, empolgante e cheia de energia. Um dos grandes shows de 2009. O TWISTED SISTER provou ser uma das melhores bandas de Hard Rock dos anos 80, principalmente em cima dos palcos.

Em sua mensagem final antes de se retirar, Dee Snider disse esperar voltar logo ao Brasil, mas, devido ao calor, deixou uma coisa bem clara: quando retornar, virá no inverno.

Como disse no começo, demorou anos para o TWISTED SISTER desembarcar no Brasil para um show, mas arrisco dizer que não demorarão a voltar, pois a banda ficou surpresa com tamanha receptividade. O baixista Mark Mendoza inclusive pediu aos fãs para insistir com os promotores brasileiros para que o retorno seja breve.

Então, mãos a obra: façamos nossa “lição de casa”, para que esse retorno ocorra e seja o mais breve possível.

Set List:
1 - What You Don't Know (Sure Can Hurt You)
2 - The Kids Are Back
3 - Stay Hungry
4 - Horror-Teria: Captain Howdy
5 - Shoot 'Em Down
6 - We're Not Gonna Take It
7 - The Fire Still Burns
8 - You Can't Stop Rock n' Roll
9 - 30
10 - The Price
11 - Burn in Hell
12 - I Wanna Rock
13 - Come Out and Play
14 - Under the Blade
15 - S.M.F.

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Sobre Otávio Augusto Juliano

Otávio é paulistano, tem 29 anos e faz algo nada a ver com o Rock: é advogado. Por gostar muito de música e não possuir talento algum para tocar instrumentos musicais, tornou-se um comprador compulsivo de cds. Sempre interessado em leitura ligada ao Rock e Metal, começou a enviar algumas pequenas colaborações para a Whiplash e hoje contribui principalmente com textos relacionados ao Hard Rock, estilo musical de sua preferência. De qualquer forma, é eclético e não dispensa álbuns de todas as demais vertentes do Metal, sendo fã incondicional de W.A.S.P., Mötley Crüe e dos trabalhos do guitarrista Steve Stevens.

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