A cidade de Pouso Alegre comemorou 161 anos na segunda-feira dia 19 de outubro. Durante a semana aconteceram várias atrações culturais no município, dentre elas uma apresentação gratuita em praça pública do Titãs. Para encerrar a semana, a cereja do bolo foi a apresentação do veterano grupo de rock progressivo Recordando o Vale das Maçãs, no Teatro Municipal. Embora a entrada também fosse franca, o público ficou um pouco aquém do que a noite e os músicos mereciam. A casa não lotou, mas quem esteve lá pode presenciar uma apresentação impecável de um time de músicos de primeira linha.
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Dando sequência à apresentação, mais dois grandes temas: uma versão instrumental de “As Crianças da Nova Floresta”, do primeiro álbum da banda, e a excepcional “Ciclo da Vida”. Há de se ressaltar ainda a grande performance de Lael Campos, tirando sons e solos extraordinários de seus teclados. Emendando o final desta, a banda executou ainda a breve “Civilização Maia”, que Pacheco explicou de maneira muito bem humorada se tratar de uma introdução para uma grande sinfonia que ele ainda não compôs. Se durante todo o show os músicos se intercalavam em momentos de destaque pessoais, na medida exata, foi a partir deste momento que o brilhantismo de cada um deles ficou ainda mais evidente.
As duas próximas composições, “Universe” e “It’s Time To Change”, são músicas que fazem parte do álbum “Spirals Of Time”, gravado pelo G.A.L.F., que viria a se tornar o embrião desta nova formação do RVM. Agora a vez de brilhar foi do baixista Giuliano Tiburzio, que na primeira empunhou um baixo fretless e desceu a mão nele, numa levada cheia de variações junto ao baterista Tom Zé Bortolotto, enquanto Lael e Pacheco viajavam em grandes solos de seus instrumentos. Já na segunda, assumiu brilhantemente os vocais, cantando muito e demonstrando muita segurança numa composição simplesmente viajante, com seus mais de vinte minutos e suas inúmeras mudanças de arranjos, andamento e clima. Aliás, esta foi a única música não-instrumental da noite.
A essas alturas já tínhamos bem mais de uma hora de espetáculo, e chega o momento de anunciar a derradeira composição da noite, “Himalaia”, do álbum de mesmo nome. Quem roubou a cena desta vez foi o baterista Tom Zé, que embora tenha “desaparecido” em meio ao seu grande kit de bateria, percussão e pratos, destruiu tudo, no melhor sentido da palavra, demonstrando técnica e precisão invejáveis.
Chegava ao fim a apresentação deste quarteto brilhante, com músicos cujo talento infelizmente não têm o devido reconhecimento neste país de cultura tão pobre – garanto que o show sertanejo realizado na noite anterior na mesma cidade deveria estar lotado de “cowboys” cantando e aplaudindo as duplas que apresentavam aquelas composições de qualidade duvidosa de sempre... Uma pena. Quem não compareceu, perdeu um verdadeiro espetáculo, não só para fãs de rock progressivo, mas principalmente para admiradores de música de qualidade.
Sucesso e vida longa a estes quatro grandes músicos...
SET LIST:
Recordando o Vale das Maçãs
As Crianças da Nova Floresta
Ciclo da Vida
Civilização Maia
Universe
It’s Time To Change
Himalaia
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Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.
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