Em 29/05/2008 | Resenha - Jimi Jamison e Jeff Scott Soto (Manifesto Bar, São Paulo, 29/05/08)

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Resenha - Jimi Jamison e Jeff Scott Soto (Manifesto Bar, São Paulo, 29/05/08)


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"Fairytales of yesterday will grow but never die / I can fly, my friends / The show must go on". Em 1991, no disco Innuendo do Queen, o genial Freddie Mercury, já enfrentando a Aids, deu a deixa nesta música, "Show Must Go On". Sim, o show tem de continuar e é assim que a vida funciona. Uma rodada dupla em São Paulo colocou à prova o título, mostrando que a música nunca pára e, mais ainda, que o poder dos anos 80 ainda está plenamente vivo. Pelo menos para as cerca de 300 pessoas que compareceram ao Manifesto na noite de quinta-feira, dia 29 de maio.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fotos: Rafael S. Karelisky

A noite prometia uma repassada histórica que marcou muita gente. Veja só. Quem nunca viajou nas trilhas sonoras como as dos filmes "Rocky" e "Karate Kid"? Poucos devem ter imaginado ver ao vivo e a cores estas músicas, mas a oportunidade chegou. Jimi Jamison, ex-vocalista do Survivor e também de bandas como Cobra e Target, desembarcou por aqui para revisitar sua carreira. Além disso, a noite foi especial por outro motivo, a presença do quase-brasileiro Jeff Scott Soto (ex-Malmsteen, Talisman, Journey...) trazendo um show que prometia há tempos por estas terras, com sua apresentação de covers do Queen, que deu origem até ao CD/DVD "Live at Queen International Fan Club Convention". Portanto, ninguém melhor para fazer esta homenagem.

A "rodada" começou cerca de 21h30min. Sem maiores enrolações, um sorridente Jimi Jamison fez as honras de abrir a festa e já disse se sentir em casa. Era um trocadilho para a primeira música, "Feels Like Love", que começou a esquentar o público. Uma das bandas mais importantes e emblemáticas do AOR, o Survivor ganhou versões mais pesadas para os seus sucessos, lideradas mais na guitarra do que no tradicional teclado. Tudo a comando do maestro Jimi e da banda de apoio brasileira, formada por integrantes do excelente Tempestt - Gus Barros (guitarra), Paulo Soza (baixo) e BJ (backing vocals) -, além do baterista Gustavo Napoleone e do tecladista Rafael Perim.

A primeira surpresa foi exatamente pela voz de Jamison. Prestes a completar 57 anos, o americano mostra estar em plena forma. Esbanja qualidade tanto nos vocais mais limpos quanto nos rasgados, e uma confiança que só tanto tempo na estrada pode permitir. Tudo isso ele provou em "Broken Promisses", do disco "Vital Signs", de 1984, seu primeiro com o Survivor. Se a banda começou um pouco tímida, talvez insegura e recorrendo a partituras, já que foi realizado apenas um ensaio com cada vocalista (foi o primeiro show com Jimi), a reação do público em "High On You", cantando o grudento refrão, quebrou o gelo. O vocalista se divertia dando o microfone para os fãs colados ao palco darem uma palhinha, mostrando que também é um frontman de primeira e que com muita simpatia, deixa o público na palma de suas mãos.

O show seguiu com a bela "I See You in Everyone" e mais um tanto de clássicos. "Rebel Son" tem aquele comecinho no teclado de arrepiar e depois vira um baita Hard Rock. Ela deu vez à emocionante "The Search Is Over", outro clássico do "Vital Signs", com mais um show da galera, cantando junto, e outra muito bonita, "Is This Love". Encerrando o set, que teve uma hora, "Ready For Love", originalmente do Bad Company, "Caught In The Game", do álbum homônimo (1983), e "I Can't Hold Back".

Faltou algo? Sim, mas quando Jimi perguntou aos fãs o que eles gostariam de ouvir, eles tiveram seus pedidos atendidos. "Eye of the Tiger" mostrou mais uma vez porque marcou época, principalmente pelo seu riff sensacional, trilha de qualquer luta de boxe que se preze. Gus liderou e Jamison fez a festa: espiadinha por baixo dos óculos, mostrando o "olho do tigre", paradinhas para o público cantar sozinho e chamou BJ para o meio do palco para dividir as linhas principais de voz. A animação era tanta que ele até pediu para o batera Gustavo Napoleone acelerar a levada. Momento histórico no Manifesto!

Tudo ia muito bem, mas o show acabou de maneira abrupta. Os músicos subiram ao camarim e, enquanto a galera aguardava o bis, os instrumentos começaram a ser ajustados para o próximo show. Por hora, ninguém entendeu nada, já que o clássico "Burning Heart" fora ignorado. Mesmo assim, Jamison já tinha provado o seu valor como um grande vocalista e o do Survivor, banda tremendamente injustiçada nos idos do Rock, mas que no teste do tempo comprova que o show sempre continuou.

Desafortunados os que nunca puderam presenciar Freddie Mercury ao vivo, cantando seus imortais sucessos do Queen. Mas, afortunados os que puderam curtir os covers de Jeff Scott Soto. Às 22h40, um playback do vocalista, falecido em 1991, começou a rolar e subiram ao palco BJ, Paulo, Gus e desta vez o baterista Edu Cominatto, fechando o quarteto do Tempestt, banda apadrinhada por Soto. O showman, como de costume, entrou detonando com "One Vision" e o público acompanhou as letras de cabo a rabo. O título da segunda canção, liderada no baixo de Paulo, foi na medida: "Let Me Entertain You". E entretenimento de qualidade foi a tônica das apresentações.

"Tie Your Mother Down" teve um dos momentos mais pesados da noite e foi seguida pela, digamos, excêntrica "Another One Bites the Dust", que apesar de uma troca de caixa (da bateria) no meio da música, não foi prejudicada. Pelo contrário, JSS improvisou um medley com o clássico do Talisman "I'll Be Waiting", antes de voltar a cantar Queen. Apesar dos poucos ensaios e de alguns problemas técnicos, em nenhum momento o show teve grandes problemas, até pelo talento do vocalista, um pouco transformado pelas suas Caipiroskas, de transformar tudo em momentos cômicos. Sobrou para as mulheres presentes e até para um sujeito idêntico a Freddie Mercury (com bigodão e tudo!), convidado a subir ao palco, mas que preferiu não arriscar a voz, no momento mais hilário da noite.

Neste clima íntimo criado por JSS, que salientou se sentir em casa em São Paulo, foram rolando os maiores hits do Queen, apesar de que seria necessário acrescer mais umas três horas de show às 1h30min originais para satisfazer a todos. Algumas das melhores foram "Fat Bottomed Girls", "Radio Ga Ga" e suas palmas, o Metal de "I Want It All" e, principalmente, "Somebody To Love", com destaque para as vozes e backing vocals perfeitos. Sobre as vozes, Soto prova cada vez mais ser um dos melhores vocalistas de Hard Rock da atualidade, tanto que teve uma passagem pelo Journey e seria uma opção grande para o próprio Queen, se Paul Rodgers não tivesse entrado. Sabiamente, o americano não busca copiar Mercury, apesar de imitar todos os trejeitos, mas coloca sua interpretação, dando nova vida às composições. Mérito da banda também, que foi muito precisa na seção instrumental, junto aos playbacks de teclado e outras passagens.

Fora do Queen, Soto pediu apenas um momento de "egoísmo". Vestindo uma camiseta do Los Angeles Lakers, da NBA, ele disse que deveria estar na frente da TV, assistindo à partida de seu time, que passava no momento. Mas se rendeu aos fãs e escolheu o cover de "Crazy", do Seal, botando um swingado a mais no show. Já chegando ao fim, não podia faltar "Bohemian Rhapsody", com todos cantando sua parte central junto com o playback, e "Show Must Go On", é claro.

A surpresa final foi a volta de Jimi Jamison ao palco. Lembra-se que ele não cantou "Burning Heart"? Eis a explicação. JSS explicou que, há 22 anos, cantava a música numa banda cover e que gostaria de repetir a dose. Como esqueceu a letra, Jamison a anotou numa caixa de pizza e pronto. Palco lotado para o tema do filme "Rocky IV", completando a festa. Depois de "We Will Rock You", outro convidado foi Nando Fernandes, vocalista do Hangar, para "We Are the Champions", fechando o show com chave de ouro.

É isso aí. Com dois vocalistas que manjam do que fazem e ainda esbanjam simpatia, a música não pára e o show continua, sempre homenageando o passado. Os paulistanos tiveram a grande chance de ver isso numa noite festiva, em que Jimi Jamison deu revida aos sons do Survivor e Jeff Scott Soto lembrou a inesquecível imagem de Freddie Mercury. E, afinal, um pouco de nostalgia não faz mal a ninguém!

Jimi Jamison

Set List:
Feels Like Love
Broken Promisses
High on You
I See You in Everyone
Rebel Son
The Search Is Over
Is This Love
Ready For Love
Caught In the Game
I Can't Hold Back
Eye of the Tiger

Banda:
BJ – backing vocals
Paulo Soza – baixo
Gus Barros – guitarra
Gustavo Napoleone – bateria
Rafael Perim – teclado

JSS – Queen Cover:

Set List:
One Vision
Let Me Entertain You
Tie Your Mother Down
Another One Bites the Dust / I'll Be Waiting (Talisman)
Crazy (cover do Seal)
I Wan't to Break Free
Fat Bottomed Blues
Somebody to Love
I Want It All
Under Pressure
Radio Ga Ga
Bohemian Rhapsody
Spread Your Wings (trecho à capela)
Show Must Go On
Burning Heat (Survivor, com Jamison)
We Will Rock You
We Are the Champions (com Jamison e Nando Fernandes)

Banda:
BJ – backing vocals
Paulo Soza – baixo
Gus Barros – guitarra
Edu Cominatto – bateria

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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