Em 31/03/2006 | Resenha - Dr Sin e Shaaman (Kazebre, São Paulo, 31/03/06)

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Resenha - Dr Sin e Shaaman (Kazebre, São Paulo, 31/03/06)


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Dr. Sin e Shaaman vivem situações diferentes em suas carreiras. Os primeiros, que há 13 anos brilharam no Hollywood Rock, estão numa posição cômoda no cenário rock/metal. Não são tão grandes, nem tão pequenos, mas são respeitados e tem um público fiel. Atualmente lançaram um Cd só de covers com a palavra “doctor” no nome, que deve servir de aperitivo para um novo trabalho. São sons como "Doctor Doctor," do UFO, "Dr. Fellgood" do Motley Crue e "Rock ‘n Roll Doctor", do Black Sabbath.

O texto representa a opinião do autor, não do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Fotos: Rafael Solano Karelisky

Já o Shaaman ainda procura a sua identidade e o seu espaço. Sim, eles, já têm grandes fãs e um nome forte, mas apenas dois álbuns não são o bastante para definir o futuro da banda. Eles lançaram no último ano o álbum Reason, que foi bem recebido e depois de uma longa turnê também devem estar se preparando para o próximo.

As duas bandas têm se cruzado muitas vezes; a última foi na sexta-feira, 31/03, no Kazebre Rock Bar, em São Paulo. O Kazebre é um lugar a que se deve dedicar algumas linhas em especial. Em primeiro lugar, o que chama a atenção é o espaço. Parece um rancho... duas fogueiras, um laguinho, cabaninhas que vendem doces, bebidas, pizza e até espetinhos e muita coisa feita de madeira, logo à frente de um grande espaço verde. Tudo isso faz parecer que você saiu de São Paulo e foi assistir a um show no interior. Em segundo lugar, se parece que o visual de rancho atrapalha, muito pelo contrário, é até legal mudar de ares (literalmente) para assistir a um show. Além disso, os ingressos são baratos, a capacidade do local é grande — só nesta noite, mais de cinco mil pessoas estiveram presentes e ainda há um segundo palco.

Um aspecto bastante negativo é a organização. Para este jornalista e o fotógrafo se credenciarem, foi preciso falar com as produções das bandas, pois as pessoas que deveriam fazer isso pelo recinto simplesmente não cooperaram. Com isso, mais uma rodada de tentativas foi necessária e finalmente conseguimos apenas uma pulseirinha, que possibilitou tirar as fotos, mas que deixou impossível que se pegasse declarações dos músicos quanto ao show. Além disso, houve um atraso que obrigou o Dr. Sin a fazer a passagem de som quando parte do público já tinha entrado na casa.

Deixando de lado os aspectos negativos, o Dr. Sin entrou no palco com roupas de médico às 00h25 com “Calling Dr. Love”. Durante quase duas horas, provaram que são uma das melhores bandas do Brasil. Tecnicamente, Ivan Busic (bateria/vocal), Andria Busic (baixo) e Edu Ardanuy (guitarra) são impecáveis e têm uma sincronia incrível. Claro que só isso não basta. As composições também são de alto-nível, sem contar com a simpatia que a banda tem com o público, que se mostrou bastante animado.

Entre outras, tocaram o clássico "Fire", a ótima "Time After Time", do Dr. Sin II e a cover "Doctor Doctor".

Em “Stone Cold Dead” do primeiro CD da banda, auto-intitulado, contaram com a participação especial de Nando Fernandes na voz. No Bis, foi a vez de “It’s Allright”, do Black Sabbath, que tal qual na versão original, foi cantada pelo baterista (a gravação original traz Bill Ward cantando, nos shows do Dr. Sin, Ivan assume o vocal). Para fechar, há alguma dúvida? "Futebol, Mulher e Rock ‘n Roll" nunca perde a graça. A música já tem 8 anos — foi lançada no Insinity, de 1998 — mas o público não se cansa.

A apresentação do Dr. Sin foi impecável. Ivan arrasa na bateria, Andria além de cantar muito é um exímio baixista e Edu, se não é o melhor, está entre os melhores guitarristas deste país. Deve se destacar a participação de Rodrigo Simão, o tecladista sempre muito animado. A única ausência ficou por conta de André Matos, do Shaaman, que poderia ter repetido o dueto em “Fire” que fez com Andria no DVD 10 Anos Ao Vivo, do Dr Sin. Resta torcer para que o trio grave logo o sucessor de Dr. Sin II, lançado há longínquos 6 anos.

O Shaaman é uma banda nova (não tão nova, mas só gravou dois álbuns), mas que a cada show mostra o seu valor. No Kazebre, fizeram a apresentação que tem sido usual na turnê do CD Reason. Entraram no palco às 2h35, depois de uma intro bem eletrônica e abriram com "Turn Away", uma paulada que agitou o público presente. Seguiram com outra música 'nova', "Trail of Tears" e com o já clássico "Distant Thunder, que com certeza é uma das melhores da banda, com um riff matador.

A banda é bem coesa. André Matos continua com seus agudos, Ricardo Confessori segura no ritmo, Luís Mariutti agita e Hugo Mariutti mostra não ser apenas o irmão de Luís, mas um ótimo guitarrista. Em seguida, "Time Will Come", "For Tommorow" e a bela balada "Innocence". Esta última, tal qual "Fairy Tale", arrebatou os fãs e é um dos grandes momentos do show.

Depois da "Reason", intercalaram-se solos, com destaque para as já características giradas de baqueta de Confessori. O cover do Sisters of Mercy, "More", foi a próxima, seguida de outra paulada, "Pride", do primeiro álbum. O Shaaman tem mostrado que, ainda que precise abrir ainda mais o seu espaço na cena metálica, é um nome forte, já está marcado na história e já tem até os seus clássicos. Sem dúvida a banda tem tudo para continuar por cima em seus próximos trabalhos.

Para quem acha que o Bis quer dizer que o show já está acabando, pode esquecer se a banda que estiver no palco for o Shaaman. Eles voltaram e tocaram cinco músicas. "Fairy Tale", "Here I Am", faixa de abertura do Ritual e um dos clássicos, e "Iron Soul". Mesmo que a galera tenha pedido insistentemente, não tocaram "Carry On". A questão é polêmica. A música ficou conhecida na voz de André Matos e é um dos hinos do metal nacional, mas a banda tem o direito de tentar se desvincilhar da imagem de "banda dos ex-integrantes do Angra". Além do mais, eles têm tocado (e tocaram no Kazebre) "Lisbon", que tem muito mais a ver com o som que fazem.

Tristes pois não teve "Carry On"? Então espere pela música com que fecharam o show. "Painkiller"! Precisa comentar? É incrível o que Hugo faz apenas com uma guitarra numa música de alta dificuldade técnica e que no Judas Priest é tocada com duas guitarras!

Fim da noite. Duas horas de um mais um bom show. Do Shaaman fica a expectativa de qual será a direção que a banda seguirá em seu próximo álbum de estúdio, ainda mais se levarmos em conta que há bastante diferença entre "Ritual" e "Reason". Vale destacar a presença do tecladista Fábio Ribeiro, que mais uma vez mandou bem.

Apesar dos altos e baixos da noite, principalmente quanto à organização, tratando-se de música, a madrugada de sexta para sábado mostrou a força da cena brasileira!

Dr. Sin:

Calling Dr. Love
Fire
Fly Away
Time After Time
Doctor Doctor
Down in the Trenches
Solos (teclado, bateria e baixista)
Miracles
Stone Cold Dead (Nando Fernandes - voz)
Emotional Catastrophe
It’s Allright
Futebol, mulher & Rock ‘n Roll

Shaaman:

Turn Away
Trail of Tears
Distant Thunder
Time Will Come
For Tommorow
Innocence
Reason
Instrumental/solo de bateria
Scarred Forever
More
Pride
Fairy Tale
Here I Am
Iron Soul
Lisbon
Painkiller

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Sobre Maurício Dehò

Nascido em 1986, é mais um "maidenmaníaco". Iniciou-se no metal ao som da chuva e dos sinos de "Black Sabbath", aos 11 anos, em Jundiaí/SP. Hoje morando em São Paulo, formou-se em jornalismo pela PUC e é repórter de esportes, sem deixar de lado o amor pela música (e tentando fazer dela um segundo emprego!). Desde meados de 2007, também colabora para a Roadie Crew. Tratando-se do duo rock/metal, é eclético, ouvindo do hard rock ao metal mais extremo: Maiden, Sabbath, Kiss, Bon Jovi, Sepultura, Dimmu Borgir, Megadeth, Slayer e muitas, muitas outras. E é de um quarteto básico que espera viver: jornalismo, esporte, música e amor (da eterna namorada Carol).

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