Resenha - Pato Fu (Bar Opinião, Porto Alegre, 17/11/1999)
Por André Pase
Postado em 17 de novembro de 1999
Nota: 9 ![]()
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O Pato Fu voltou a Porto Alegre para uma temprada de dois shows no Bar Opinião, tradicional casa de shows. Duas datas foram marcadas, 17 e 18 de novembro. O show do dia 17 começou com atraso, pois os dois clubes de futebol da cidade, Grêmio e Inter, estavam jogando. Perto da meia-noite, ao som de um tema jazz, entra no palco o baterista Xande.
Termina a música e o restante aparece, para alegria do público que aguardou até tarde. O show apresentou as principais músicas da carreira da banda. A banda conta com muitos hits, frutos de clips e rádios, que foram entoados pelo público. As principais músicas foram Isopor, O Filho Predileto do Rajneesh, Depois (Quando penso em nós dois/Deixo tudo pra depois/Quando penso em nós três/Fica pra outra vez - junto de uma troca de olhares entre Fernanda e John ;), Qualquer Bobagem, Eu Sei, Sobre o Tempo e Canção para Você Viver Mais. Mas é preciso mencionar Ring My Bell e Capetão 66.6 FM. Antes de Ring My Bell, Fernanda (lá pela metade do show, já literalmente mandando na platéia) brinca dizendo que a banda foi ameaçada - para poder continuar lançando discos precisaria colocar duas dançarinas no palco. Ela disse que não teria dançarinas, mas que faria uma dança. E o velho martelinho, dos tempos do Rotomusic de Liquidificapum aparece. Tal qual um Chapolin Colorado (pequeno, feliz e não menos divertido), Fernanda fez o público caminhar de um lado para outro entoando Ring My Bell.
Mas o Pato Fu não poderia sair sem brincar de Capetão 66.6 FM, com a alteração da voz de Fernanda - igual ao Max Cavalera, inclusive cantando Ratamahatta "vamos detonar essa porra!". Armada de uma guitarra Flying V e com uma demoníaca cara vermelha (fruto das luzes), "evil"Fernanda foi divertida.
Falando em luzes, o palco era relativamente simples. No maior clima isopor, a banda estava vestida toda de branco, chegando a parecer uma equipe médica. Em cada lado do palco, dois tubos gigantes com ventiladores, fazendo centenas de bolinhas de isopor girarem no ritmo das canções - parecia que era água dentro.
A banda estava perfeita, pareciam crianças se divertindo, brincando com seus amigos. Se Fernanda concentra as atenções - não fica só na voz e manda ver na guitarra - John é seu contraponto. Um legítimo mineiro, quieto e faceiro no canto do palco. Apesar da voz rouca, em Pinga ele comandou os pinguços. E não dá para deixar de comentar a decoraçao da sua guitarra, com um Yakko Warner e a turma de South Park - o tradicional bom humor do Pato Fu, uai ! No baixo, Ricardo Koctus se divertia, ficava tocando e cantarolando. Quando o casal FeJão (nickname de Fernanda e John) deu uma paradinha, ele fez o público cantar A Mais Pedida, dos Raimundos. Um mestre de cerimônias. Fechando o time, Xande foi um motor na bateria, conduzindo a banda a um grande show, mostrando que apesar de alguns samplers, o Pato Fu é uma banda completa - honesta, sincera e com conteúdo lírico e musical.
As influências de Pizzicato Five estão mais do que presentes, principalmente na hora de Made In Japan. Porém o Pato Fu é mineiro, brasileiro. Se a juventude dos anos 80 teve em Renato Russo seu poeta, a década termina consagrando Fernanda Takai. Ela (e a banda) tem o dom de saber falar sério com o público (Antes que seja Tarde, Canção para você viver Mais) e ao mesmo tempo brincar, seja na divertida Capetão 66.6 FM ou na quase séria Depois. O som ao vivo está diferente do estúdio, mais pesado - certas horas lembrando levemente um show de metal, excelente - e bem excecutado. Esta turnê não pode acabar sem um disco ao vivo.
Talvez seja esta a única barreira que a banda ainda precisa quebrar para gravar o nome dentro do RockPop do país. Tem trajetória, começou no underground mineiro e passou pelas mãos de Dudu Marote, e talento. Sobre os planos para o futuro, Fernanda não deu muitos detalhes. Lembrou que apresa de toda festa pelo ano 2000, será apenas mais um ano, com mais trabalhos, mais alegrias e mais tristezas - "pés no chão" total, ciente de que apesar do sucesso o Pato Fu ainda tem estrada a seguir. Um fato curioso é a liderança de Minas Gerais no atual rock brasileiro. "Mineirizando" o Sepultura e juntando com Skank e JQuest, o Pato Fu conduz a turma do pão de queijo. Ela lembra que isso tem prós e contras, "porque todo mundo faz coisas distintas e ninguém se ajuda como na Bahia (imitando um trio elétrico). A gente se encontra na Estrada". Para consolo dos gaúchos, ela lembrou que Nunca Diga, dos gaúchos da Graforréia Xilarmônica, vai voltar ao repertório da banda. Talvez este seja o único defeito da noite, a ausência da Melôs da Unimed e Nunca Diga.
Se o BRock (e o mundo pop também) parecia fechar o milênio lamentando a perda de Chico Science, agora tem uma nova tarefa - manter vivo o espírito do Pato Fu, bem-humorado e responsável. Nas palavras de Fernanda, "O ano 2000 vai trazer muitas surpresas, mas a galera tem que continuar trabalhando senão vai por água abaixo..."
PS) é preciso registrar o apoio de duas grandes pessoas, Sady e João Vicente, do Nenhum de Nós, que tornaram possível o encontro Whiplash/Pato Fu. Thanks!
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