Esta matéria foi publicada em 13/04/05. Procura matérias recentes sobre Rock e Heavy Metal?
(Press-Release)
Dizem que o segundo é o disco decisivo na carreira de uma banda. Muitos artistas desaparecem após um hit nas rádios e um clipe estourado na MTV. Outros aproveitam a experiência para crescer, aprimorando o estilo e incorporando novos elementos criativos a seu espectro de cores e formas.
Reason, seu segundo disco de estúdio, é a prova de que o Shaaman faz parte do segundo grupo. Ritual, de 2002, trouxe melodias inovadoras e a inconfundível voz de Andre Matos, um dos maiores vocalistas de rock pesado não apenas do Brasil, mas do mundo. A combinação bem sucedida levou o primeiro disco da banda a ser lançado em 15 países e transformou o Shaaman em um dos maiores nomes do heavy metal mundial. No Brasil não foi diferente: Ritual foi consagrado pela crítica especializada e eleito o disco do ano pelos leitores da Folha de S. Paulo, o mais importante jornal do país.
Como toda boa banda de rock, o Shaaman levou sua música para a estrada. E a estrada levou o Shaaman pelo mundo. Em pouco mais de um ano, fizeram mais de 130 shows e conquistaram legiões de fãs na Europa, Ásia e América Latina. No Brasil, o sucesso de público foi tão grande que acabou imortalizado em RituAlive, CD/DVD gravado ao vivo em São Paulo com a participação de grandes nomes do metal internacional, como Michael Weikath, do Helloween, e Tobias Sammet, do Edguy, além do talentoso violinista mineiro Marcus Viana.
Reason, gravado na Alemanha e lançado no Brasil pela Deckdisc, é a evolução natural de Ritual. Como o antecessor, foi produzido pelo alemão Sascha Paeth, conhecido por seu trabalho com Edguy, Rhapsody e Virgo. Há, no entanto, uma diferença evidente entre os dois trabalhos. Enquanto Ritual privilegiava a inegável virtuose dos músicos, Reason abre espaço para a alma e o coração da banda. A música de Andre Matos (voz e teclados), Ricardo Confessori (bateria), Luis Mariutti (baixo) e Hugo Mariutti (guitarra) ficou mais orgânica, o que ajudou a evidenciar o contraste entre guitarras pesadas, teclados repletos de 'climas' e batidas tribais de world music. Não há limites para a criatividade: o que existe é música boa e música ruim. E o Shaaman faz música boa. Muito boa.
Um bom exemplo é More, uma das melhores do disco. Sucesso nos anos 80 com o Sisters of Mercy, a canção ganhou roupa nova, costurada com acordes distorcidos e pianos sombrios. O tom grave de Andre Matos revela também que seu espectro vocal é bem mais amplo que o da maioria dos vocalistas de metal, principalmente aqueles que ainda pensam que gritaria é sinônimo de qualidade.
O disco também vai agradar desde o início aos headbangers tradicionais, que vão aumentar o som e bater cabeça ao som da thrash Turn Away, a mais pesada do disco. Enquanto a canção que batiza o CD, Reason, traz de volta aquelas velhas e boas guitarras gêmeas do Iron Maiden e Metallica, In The Night revela um lado progressivo do Shaaman que mata as saudades das boas fases de Journey e companhia. Há ainda a belíssima Innocence, épico orquestral com arranjos de cordas que remetem às grandes baladas de nomes como Queen e Scorpions. Da primeira à última música, o Shaaman dá uma prova atrás da outra de que tem personalidade e talento para seguir ainda mais longe na estrada do rock and roll. Afinal, Reason passa com louvor no difícil teste do segundo disco.
PS. Para aqueles que estão estranhando a grafia do nome ‘Shaaman’, uma explicação de rodapé: depois de uma consulta espiritual com o xamã amazônico Santo Darem, a banda ganhou um ‘A’. Não sou xamã, mas acho que este ‘A’ é de ‘alma’, coisa que a banda agora tem em dobro.
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