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Por Mick Wall, traduzido por Nacho Belgrande

Quando não estava obcecado com montar a nova banda a seu ritmo no estúdio, ou arrancando seus cabelos para escrever letras, Axl passava a maior parte de seu tempo por trás de seus portões automáticos em sua reservada casa em Latigo Canyon. Com Beta fazendo todas suas compras e dirigindo pra ele, Axl passava quase todos seus dias ou malhando – ultimamente, ele tinha desenvolvido um apreço pelo kickboxe – ou fuçando em uma impressionante coleção de computadores de última geração que ele também tinha montado, ou simplesmente jogando fliperama. Ele também começou a ter aulas de guitarra pela primeira vez. Na verdade, ele se envolveu tanto com o trabalho que ele estava fazendo com o seu professor, o ex-membro do Circus of Power, Gary Sunshine, que ele o convidou para participar de algumas das sessões no estúdio.
Uma vez por ano ele convidava amigos e suas famílias para uma festa a fantasia especial de Halloween. Decorando a piscina com Zé – lanternas e teias de aranha falsas penduradas nas palmeiras, ele também construía labirintos especiais. Os convidados nessas festas depois descreveriam-no como estando quase tão animado quanto todas as crianças presentes, enquanto ele transitava, se divertindo. Dave Quakenbush, vocalista da banda punk de LA The Vandals, e um convidado da festa de Halloween de 1999, lembra-se de Axl “vestindo uma fantasia de dinossauro. Quando alguns garotos chegaram perto dele e perguntaram se ele era Barney, o Dinossauro, ele disse, ‘Nah! Barney é uma bichona! E daí pensou e disse, ‘Oh, huh, quero dizer, o Barney é um frouxo’”.
À medida que os anos passaram e os filhos de seus amigos crescerem, as festas de Halloween ficaram menores, simbolizando, como um convidado diria depois, o ‘universo encolhedor de Axl’. Todos os empregados ainda eram obrigados a assinar acordos de confidencialidade contendo severas penas legais e financeiras se quebrados. Também se tornou costumeiro que todos os empregados entregassem uma foto de si próprios, as quais Axl levaria a Yoda para ‘inspeção psíquica’, para revelar seus verdadeiros intentos; forças e fraquezas. Que tipo de energia eles emitiam. Até fotografias dos filhos dos empregados foram exigidas em uma ocasião.
Até mesmo velhos amigos começaram a sentir os dedos gelados da paranóia de Axl apertando-se claustrofobicamente ao redor deles. “Eu tinha me mudado de volta pra Los Angeles e estava dando um rolê um dia e pensei, porra, vou lá na casa dele,” Izzy lembra. “Filho da puta, ele mora lá em cima do morro, ele tem uma baita duma casa, eu vou lá ver o que ele está fazendo, manja? E eu vou lá e ele tem portões de segurança, câmeras, muros, e toda essa merda, você sabe. Então eu estou tocando no interfone e lá pelas tantas alguém vem e me deixa entrar e lá está ele. E ele manda, ‘Hey, cara! Que legal te ver! Me dá um forte abraço e me mostra a casa. Foi ótimo. ‘Daí, eu não sei, acho que um mês depois, uma noite ele me liga e a gente conversa sobre eu ter saído do Guns N’ Roses. Eu disse a ele como era pra mim. Eu disse exatamente como eu me sentia em relação a isso e o porquê eu saí.” De repente, a conversa virou monólogo. “Digo, ele tinha uma porra dum bloquinho. Eu conseguia ouvir ele virando as páginas e dizendo, ‘Bem, ah, você disse em 1982… blá blá blá… ’ e eu penso, que caralho – 1982? Ele estava revirando umas coisas muito velhas. E eu disse, que seja, mano.”
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Nacho Belgrande, 33 anos, residente em Marilia - SP, é professor de inglês e francês, apesar de formado em Técnico de Engenharia de Estúdio pelo Recording Workshop de Los Angeles, nos EUA. Suas lembranças musicais mais remotas datam de 1983, com a fervilhante passagem do Kiss pelo Brasil e da alta popularidade do Queen no país. Fã(nático) por Mötley Crüe (de quem tem mais de 100 CDs), segue de perto também o trabalho de Slayer, Krisiun, Guns N´ Roses, Van Halen e Ozzy Osbourne, entre outros.
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