O ano de 2012, assim como o anterior, foi excelente para a música pesada. E aproveitando o convite dos proprietários do Whiplash.net, fiz minha lista com os melhores lançamentos do ano, em minha opinião.

Uma das grandes bandas que vimos surgir nesse ano foi essa, formada por nomes consagrados do metal extremo, como Björn Speed Strid (vocalista do SOILWORK), pelo guitarrista David Anderson (SOILWORK), além do baixista Sharlee D'Angelo (ARCH ENEMY). A banda investe em uma sonoridade voltada ao classic rock e pop, com influências principalmente do final dos anos 70, início dos anos 80, com pitadas de funk, soul e de disco music, numa mistura tentadora e excelente, e que fará os fãs mais tradicionalistas do metal torcerem o nariz até a cabeça virar. Mas, se para você, o que importa é a qualidade das músicas, e não rótulos desnecessários, ouça, pois é difícil não gostar.

Os mestres do doom metal retornaram esse ano para o que pode ser seu último registro de estúdio. Se esse fato realmente se concretizar, sem dúvida encerraram sua brilhante carreira com chave de ouro, pois o disco é ótimo, com melodias fúnebres e carregadas, e muita melancolia. Mas mesmo assim, é impressionante como os caras tem o dom de cativar o ouvinte, mesmo criando um estilo de música tão arrastado e inacessível. Sem contar que o vocalista Robert Lowe (que já deixou a banda) possui uma das vozes mais marcantes do estilo.

Quem esperava por algo progressivo devido a presença de Mike Portnoy e Russel Allen no Adrenaline Mob caiu do cavalo! O disco de estreia da banda é puro metal tradicional, pesado, sujo, agressivo e pegajoso, como há tempos não se via. E, além do talento de Portnoy (mais contido do que na época de Dream Theater) e de Allen (em uma de suas melhores performances na carreira), ainda fomos apresentados ao guitarrista Mike Orlando, um verdadeiro monstro das seis cordas. Excelente!

Finalmente Max Cavaleira conseguiu lançar um disco fantástico com o Soulfly, digno de seus bons tempos de Sepultura. Os últimos discos da banda já mostravam que Max procurava por algo mais pesado e agressivo, deixando para traz as influências modernas, e buscando suas raízes musicais, e “Ensalaved” é o resultado final dessas buscas. O disco é pesado, agressivo e marcante, com ótimas faixas, e mostra que o principal música da história do metal brasileiro ainda tem muita fúria para exarar por ai. E só nos resta apreciar.

Os portugueses mais famosos do metal voltaram em 2012 com um dos melhores discos de sua carreira. Pesadíssimo e ultra obscuro, “Alpha Noir” chama a atenção por conseguir mesclar beleza e melancolia de uma forma única, com um talento irrepreensível. O grande Fernando Ribeiro continua sendo o carro chefe do som da banda, com sua performance vocal assustadora, e seu talento nato para compor letras tenebrosas e assustadoramente reais. E “Axis Mundi”, “Alpha Noir” e “Em Nome do Medo” entram fácil na lista de melhores músicas da banda.

O Fear Factory é daquelas bandas que ou você ama, ou você odeia. Os caras revolucionaram o metal, sendo uma das precursoras do que ficou conhecido como metal industrial. Assim, as modernidades apresentadas pelos caras não são bem vista por todos. Mas não há como negar o talento musical de Burton C. Bell e Dino Cazares. “The Industrialist” é o melhor disco da banda desde os clássicos “Obsolete” e “Demanufacture”, mantendo aquela sonoridade pesadíssima e moderna, com ótimas melodias, e muita fúria. A história conceitual do álbum também é muito interessante e assustadora, principalmente para os dias atuais, em que a tecnologia avança a cada segundo. Se tivesse que indicar para alguém que pretende se “iniciar” no metal industrial, sem dúvida esse seria o meu indicado.

A banda mais legal da cena southern rock da atualidade é prova viva de que a música não precisa ser complexa para ser boa. Com uma simplicidade única, o Blackberry Smoke lançou em 2012 seu melhor trabalho. Desde que comecei a acompanhar a carreira da banda, no final de 2010, sempre acreditei que os caras tinham um potencial absurdo, e esse disco concretiza esse potencial, e coloca a banda de vez no topo do estilo. Faixas como “Pretty Little Lie”, “Six Ways to Sunday”, “One Horse Town” e “Up the Road” são fantásticas, assim como todo o material. Agora só falta os caras conseguirem uma gravadora maior, que inclusive relance seus discos anteriores, para atingirem o grande público.

Finalmente, depois de tantos anos, pudemos ver novamente Michael Kiske e Kai Hansen em uma banda fixa novamente. E junto com o excelente produtor e baixista Dennis Ward lançaram um discaço, que não poderia ser melhor, pois foge daqueles padrões do metal melódico, incluindo passagens de hard rock, AOR e Rock de Arena, com muita qualidade, repleto de melodias grudentas, e com um vocalista ainda genial, mesmo após tanto tempo afastado dos palcos.

Afirmo sem medo de errar: o Maestrick é a banda mais criativa do Brasil na atualidade, e “Unpuzzle!” é a prova viva disso. Embora tenha sido lançado na última semana de 2011, o disco acabou fugindo da maioria das listas do ano passado, e por isso resolvi incluí-lo aqui. O material é uma verdadeira obra de arte, não só musicalmente, mas também conceitualmente. Tratando de uma exposição de arte em um museu, e várias intercorrências disto, a banda investe em um metal progressivo muito variado, com influências de música brasileira e latina, blues, jazz, e várias outras, criando climas que transitam entre o sombrio e positivo com maestria, e muita qualidade, que parecem tocar a alma do ouvinte. Sem dúvida um dos melhores discos nacionais que tive o prazer de ouvir na vida.

Quem diria que o Testament, beirando aos 30 anos de existência, lançaria em 2012 o melhor disco de sua carreira? Pois bem, “Dark Roots of the Earth” não só supera toda a discografia anterior do conjunto (o que é uma tarefa hercúlea), como também prova que o thrash metal está mais vivo do que nunca. O disco é “porradaria” do começo ao fim, com uma técnica absurda, e que cativa o ouvinte sem fazer força, utilizando-se de elementos clássicos do estilo, mas acrescentando outros mais modernos, o que deixou o som da banda bem atual e revigorante, embora mantendo-se fiéis à suas raízes. Não é nada de novo, realmente, mas e daí? O que importa na música é a qualidade e a capacidade de tocar o ouvinte, e isso “The Dark Roots of the Earth” tem de sobra.

A melhor banda de heavy metal da atualidade fechou esse atual ciclo de sua carreira com um disco que transborda fúria e energia, provando que consegue ser ainda melhor ao vivo. Indispensável.
METAL OPEN AIR: o festival que tinha tudo para ser o maior evento da história do metal nacional, se tornou a maior vergonha do metal brasileiro em todos os tempos. Com uma organização precária, diversas pessoas tiveram seu sonho transformado em pesadelo, em um episódio lastimável que ficará para sempre marcado na história do metal brasileiro. Tomara que todos os responsáveis pelos problemas sejam devidamente punidos.
E para você, amigo leitor, quais foram os melhores discos lançados em 2012? Faça sua lista nos comentários.
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Junior Frascá, casado, é advogado, e estudante. Além disso é guitarrista, compositor e fundador da banda de heavy metal tradicional Mud Lake. É apaixonado por heavy metal em todas as suas vertentes (em especial thrash e power metal) desde seus 15 anos, e é grande colecionador de álbuns do estilo. Também é fã de filmes de terror e séries americanas, e faz parte da equipe da revista digital Hell Divine.
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