Em 24/01/2013 | Scorpions: não foi plano ou estratégia, diz Klaus Meine

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Scorpions: não foi plano ou estratégia, diz Klaus Meine

Postado por Roberta Forster | Fonte: Scorpions Brazil

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No dia 12 de janeiro de 2013, Klaus Meine, vocalista do Scorpions, concedeu uma entrevista exclusiva ao Scorpions Brazil. Klaus falou sobre a polêmica decisão de não encerrar a carreira. O cantor foi enfático ao afirmar que não foi estrategia de marketing, eles realmente vão parar com as grandes turnês e usou o Rolling Stones como exemplo: o Stones está de volta à ativa, mas ficou 5 anos sem fazer shows. O Scorpions deve apenas parar com o ritmo louco de gravação de um álbum e sair pelo mundo em uma turnê massiva. Klaus Meine falou ainda sobre o Rock in Rio, Copa do Mundo e a possibilidade de voltar ao Brasil, além de relembrar o período da Guerra Fria e falar de sua impressão do mundo, desde o fim da guerra até hoje, e como foi para ele crescer num país dividido em um mundo bipolarizado e a influência dessa vivência em sua música. Confira!

Scorpions Brazil: Olá, galera do Scorpions Brazil, nós estamos aqui com Klaus Meine, vocalista do Scorpions (e alguém tem alguma dúvida de que esta é a melhor banda de rock alemã?). Nós entrevistamos o Klaus em 2010 quando eles anunciaram o fim da banda, deixando muitos fãs desolados. Mas aqui está o Klaus mais uma vez para falar com a gente e parece que, felizmente, a banda desistiu dos planos de aposentadoria. Vamos saber um pouco mais sobre isso? Olá, Klaus! Como vai?

Klaus Meine: Olá, Roberta! Como você está?

SB: Estou bem, obrigada! Então... como você se sente depois desses três anos da Final Sting Tour?

KM: Bem, eu me sinto como se isso fosse um pouco surreal, porque, por um lado, eu me sinto ótimo, pois nós terminamos a turnê no fim de dezembro, antes do natal, com um show fantástico em Munique, muitos fãs vieram de toda a Europa e acredito que do mundo todo. É maravilhoso estarmos fortes na ativa, chegando ao fim da linha de certo modo... mas então depois de umas duas semanas agora, eu me sinto como... eu quero fazer a minha mala de novo, sabe? Aonde vamos agora? (risos) É um pouco estranho, e diferente!

Mas é claro que eu aproveito o tempo que passo com a minha família, eu aproveito que temos o momento para dar uma boa respirada e nos darmos conta de tudo o que passamos nos últimos anos e isso é maravilhoso, é uma ótima sensação saber que tivemos uma turnê fantástica, de muito sucesso, com tantos fãs ao redor do mundo, são tantas memórias! É como um filme na minha cabeça, essas imagens vêm a mim, e claro, quando eu olho para os shows que fizemos no Brasil, tantos lugares em todos esses anos... nós começamos no primeiro Rock in Rio, tocando no Rio de Janeiro, em 1985, até chegar 2012... tem sido uma longa estrada, é muito empolgante! Nós nos divertimos muito voltando à América Latina, e nossos fãs no Brasil nos tratam sempre como... é incrível voltar ao seu país!

SB: Oh, isso é muito bom! E o que você sente sobre o Scorpions sendo comparado a bandas como o Kiss, que já desistiu da aposentadoria várias vezes, e também sobre as críticas que dizem que os seus planos de parar foram apenas uma estratégia de marketing. As pessoas têm dito coisas como essas, o que você pensa sobre isso?

KM: Bem, vou te dizer a verdade, quando nós terminamos o Sting in the Tail, nos o gravamos a maior parte bem aqui no estúdio, e todos nós sentimos, antes que fosse lançado, que era um álbum no qual nós realmente encontramos o DNA do Scorpions, e nós sentimos que fizemos isso, que gravamos um álbum que nossos fãs estavam esperando há muito tempo, nós realmente encontramos a pegada do Scorpions que muitos fãs procuravam ao redor do mundo e, com os nossos produtores Mikael Andersson e Martin Hansen, nós fizemos exatamente isso.

O sentimento foi... quem sabe se, depois de tantos anos, nós pudéssemos aliar esse tipo de ‘vibe’, se pudéssemos fazer novas gravações com a mesma qualidade, a mesma energia, o mesmo tipo de música, com o mesma força de material... e quando nós falamos sobre isso, nós sentimos que é um excelente álbum, ele poderia ser, de bom modo, depois de tantos anos, depois de 40 anos com o Scorpions, para terminar e dizer “então é isso, adiós”, com um ótimo álbum, uma ótima turnê que nos levou ao redor do mundo mais uma vez, 3 anos... e foi o que fizemos!

Mas falar é uma coisa... ano após ano, depois de cada show chegando perto da do final da contagem regressiva... nós percebemos que uma coisa é falar “então é isso, nós vamos acabar com a banda”, mas é praticamente impossível para nós, como uma família, a “family of spiders” não é apenas com os fãs ao redor do mundo, mas também dentro banda. Nós temos a nossas famílias, mas com o Scorpions nós temos a nossa família do rock’n’roll, e depois de muitos anos isso se tornou cada vez mais emocional para todos nós e, vendo entrevistas, foi como... bem, eu estava vendo o que o Matthias dizia em entrevistas, vendo o que eu dizia em entrevistas e nós nem mesmo pesávamos de fato sobre aquilo, foi mais como... cada palavra era mais como “bem nós precisamos parar com essas turnês exaustivas, nas quais fazemos entre 60 e 100 shows pelo mundo ano após ano após ano... sem ter uma boa parada, sabe... apenas precisávamos algo como uma pausa mesmo, nós tínhamos que mudar esse tipo de rotina.

Essa decisão foi crescendo, especialmente nos últimos 12 meses, quando nós percebemos... “bem, essa turnê de despedida está chegando ao fim” e então nós dizemos “é isso, adeus”, quero dizer, todos nós estávamos atrás dessa decisão que era “essa vai ser a última turnê”, mas todos nós estávamos checando nossas emoções e, mais perto desse ponto... e, claro, o fato de que tantos fãs ao redor do mundo diziam “Scorpions, vocês estão loucos? Por que vocês querem acabar com a sua carreira? Por que vocês querem parar de fazer álbuns? Por que vocês querem parar de sair em turnê e tocar entre a Rússia e L.A., entre Moscou e L.A., Paris e São Paulo... por quê?”

E o fato é, também, que nós temos tantas crianças, tantos fãs jovens em frente ao palco todas as noites, nos temos toda uma nova geração de fãs do Scorpions nessa última turnê e eles estavam nos vendo tocar ao vivo pela primeira vez na vida deles, e isso foi... quero dizer, havia tanta energia que vinha da audiência, não só daqueles que estavam nos apoiando desde os primórdios mas também toda essa geração jovem de fãs do Scorpions... e isso foi realmente tocante, um sentimento maravilhoso saber que estávamos alcançando o coração desses jovens pelo mundo e, juntando tudo isso, no fim do ano, através dos dois últimos meses, nós chegamos a uma conclusão dizendo “Bem, vamos finalizar essa turnê em grande estilo e com o grande clímax e dar uma profunda respirada e ver então o que a vida nos traz”.

Então nós não vamos acabar com a banda... na verdade eu nunca disse que nós íamos acabar com a banda, eu disse que pararíamos com as turnês, há muito trabalho para todos nós fazermos e, claro, depois de 40 anos da nossa carreira, é impossível voltar para casa sem ter um trabalho artístico esperando por você... há muito trabalho, nós estamos fazendo um filme, há muita coisa, e se pararmos agora não da pra fazer tudo... há realmente muito trabalho para nós agora no qual ainda estamos todos envolvidos, então... esse é o outro lado, mas não há nada mais doce do que o sucesso, e eu sei que vai ter gente dizendo “Ah, qual é, caras, isso foi um plano desde o começo...”, não, não foi um plano, não mesmo! Eu sei, nós não somos os primeiros artistas a dizer “Então é isso” num dado momento, e depois voltam e continuam para sempre, mas... eu não sei o que será da história do Scorpions no fim das contas, mas eu sei que, de coração, nós acreditamos que esse é o passo certo, e começaremos a partir dele, e agora eu te digo, não há planos para shows agora, é diferente.

Você me perguntou no começo como eu me sinto e eu digo que é um pouco estranho porque não há plano para shows, quando nós estamos por ai vendendo ingressos, tocando em shows ao redor do mundo, como há um ano. Em janeiro, havia uma enorme quantidade de shows quando tinham muitos shows pela frente nos Estados Unidos... e nós estávamos de alto astral. E, neste momento, não tem nada, nós podemos fazer um show aqui e ali... participando de eventos especiais, mas não tem nada planejado. Nós costumávamos saber sobre os shows, e isso é meio diferente agora.

Eu acho que, de certa forma, mesmo deixando mais aberto do que estava planejado, ainda parece como uma pausa, nós todos concordamos que não queríamos que a coisa continuasse da forma como estava sendo feita esses anos todos. Até os Stones, que são uma geração à nossa frente, tinham as suas pausas. Eles tiravam um tempo pra eles, e eles voltaram a fazer shows agora, mas havia cinco anos que eles não tocam ao vivo. Com Scorpions sempre foi estar no estúdio ou fora em turnês ou de volta ao estúdio... e estamos fazendo isso há quarenta anos, é claro espero que todos possam compreender que chegamos num ponto que temos que parar essas turnês massivas. Qualquer coisa que faremos no futuro será como um trabalho extra e, o mais importante, será mais como “vamos nos divertir, rapazes! Vocês querem fazer isso? Oh, que bom! Por que não? Querem voltar ao Brasil? Que tal? Sim, poderia ser pra abertura da copa. Você tá brincando?? Claro que voltaríamos ao Brasil!”

Nós também ouvimos rumores sobre a copa no Brasil. Sei que havia pessoas falando que seria ótimo se os Scorpions viessem em 2014 e tocassem na abertura ou fechamento, não importa, participar na copa. Nós somos fãs de futebol, nós amamos futebol e isso é ótimo já que agora com nossa nova agenda, eu posso assistir jogos do meu time favorito, o Hannover 96 e ir ao estádio me divertir e torcer pro meu time. Nós adoraríamos ser parte de um evento mundial como a copa no Brasil em 2014, mas nesse ponto nós não podemos planejar com antecedência a não ser que haja uma oferta oficial. Então o que quero dizer é que são muitos rumores. Seria maravilhoso, sem dúvidas, mas é isso o que posso dizer por enquanto.

Nós estamos sempre abertos para este tipo de coisa, pois temos a mente bem aberta e este é o motivo pelo qual nós fazemos projetos, como aquele com a Filarmônica de Berlim, e estamos sempre abertos para coisas diferentes, então se houver ofertas e projetos para o futuro, eventos especiais por vir, nós daremos uma olhada. Se parecer legal, então diremos sim, “sim, vamos fazer isso. Vamos nos divertir, rapazes!”

Essa é a situação, é diferente do que estamos acostumados a fazer por todos esses anos e com essas turnês intermináveis ao redor do mundo. Sabe, isso é tipo uma pausa séria, uma mudança séria de nossas vidas como artistas e músicos. Mas posso te dizer algo diferente, se você me perguntasse daqui a 6 meses o que rolaria, a resposta poderia ser totalmente diferente, pois nós não sabemos. Nós já tivemos muita experiência, muita experiência mesmo, e assim como o Matthias costumava dizer: “Como será terminar a carreira? Não tocar mais por aí?” Nós não sabemos como será. Em poucos meses, todos provavelmente ficariam muito tristes e dizendo que sentem muita falta da turnê, sabe? “Vamos voltar!” Eu não sei, mas não posso culpar vocês pelas críticas ou por dizer “Ah, qual é, rapazes. Isto foi um plano, uma estratégia ou algo assim”. Eu só posso dizer como eu me sinto de como eu me sinto ao que vivemos estes últimos dois anos e meio, foi maravilhoso, e se a vida abrir as portas amanha... e não poderemos agradecer por todos estes anos que tivemos como artistas, e a maneira que estamos conectados com o mundo todo, isso é algo que ninguém poderá tirar de nós.

SB: Ok, eu só posso dizer que...

KM: Foi uma longa fala, não?

SB: O quê?

KM: Foi uma longa resposta (risos)

SB: (risos) Ah, sim, e você já respondeu algumas perguntas que eu ia fazer como a Copa do Mundo... essa era uma pergunta que eu ia fazer!

KM: Então é isso? (risos) Obrigado Roberta, foi um prazer te ver...

SB: Não, não! Ainda há mais algumas perguntas... Por favor não vá ainda! (Risos) Bom, eu estou muito feliz que vocês decidiram não parar, os fãs estão muito felizes. E você está no seu estúdio agora, certo?

Leia a entrevista na íntegra em ScorpionsBrazil.NET:
http://www.scorpionsbrazil.net/br/noticias.php?subaction=sho...

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Sobre Roberta Forster

Sou paulista, apaixonada por rock'n'roll, fotografia e literatura, nascida nos maravilhosos anos 80, funcionária pública, graduada em Artes Visuais pela Universidade Belas Artes de São Paulo. Especializei-me em fotografia pela Escola Focus em 2008 e, atualmente, estudo Letras na Universidade de São Paulo - USP e atuo como fotógrafa de Rock e Heavy Metal para o Whiplash! quando Chronos permite. Prazer!

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