Sam Dunn: "O Metal é parte da identidade"

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Sam Dunn: "O Metal é parte da identidade"

Postado por Julia Sabbaga | Fonte: Wikimetal

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Leia abaixo a transcrição completa da entrevista do cineasta Sam Dunn ao Wikimetal.

Sam Dunn: Olá, Nando.

W (Nando Machado): Olá, Sam.

SD: Como você está?

W (NM): Bem, cara, é bom falar com você. Faz muito tempo.

SD: Desculpe deixá-lo esperando, só tive que sair por um segundo, mas fico feliz que você ficou na linha.

W (NM): Legal, cara. Primeiro de tudo, parabéns pelo bebê.

SD: Obrigado.

W (NM): Excelente, excelente. Estou aqui com o outro apresentador, Daniel.

W(Daniel Dystyler): Oi, Sam, como você está?

SD: Muito bem, tudo bem com você?

W (DD): Sim, aqui é o Daniel. Primeiro, eu gostaria de agradecê-lo, pois passei uma parte considerável da minha vida explicando, argumentando, discutindo e tentando convencer as pessoas de porquê o Heavy Metal é tão especial, e não algo diretamente ligado com criminais ou pessoas más, ou que não é um tipo de música inferior. E seus filmes, acho que eles são o único esforço estruturado e consistente até agora para explicar o movimento headbanger de um jeito que não faz os fãs de Heavy Metal parecerem idiotas. Então, muito obrigado por isso e bem vindo ao programa Wikimetal.

SD: Muito obrigado, é nosso prazer. Fico feliz que pudemos fazer algo pelo Metal e obrigado por me receber.

W (NM): Sam, como você começou a trabalhar com o Scot e quão difícil foi convencê-lo a fazer documentários sobre Heavy Metal, já que sabemos que ele não é um fã de Metal como você?

SD: Bom, Scot já trabalhava com filmes muito antes de mim e ele trabalhou como supervisor de música e era bastante envolvido em filme e TV. E eu estava fazendo meu mestrado em antropologia e originalmente só queria escrever um livro sobre a história de Heavy Metal, pois eu realmente sentia na época – isso era em 99, 2000 – que isso não havia sido feito antes. E Scot disse “Que tal fazermos um documentário?”. E procuramos e descobrimos que não havia nenhum documentário sério e aprofundado sobre Metal. E nós pensamos que era uma grande oportunidade para fazer algo não só para fãs de Metal, mas também para não fãs, para dar uma perspectiva diferente sobre as pessoas que ouvem a música e pessoas que a criam.

W (DD): Você teve a oportunidade de falar com tantos heróis como TONY IOMMI, BRUCE DICKINSON, RONNIE JAMES DIO, etc. Sendo um fã de Metal como você, você pode ressaltar algum momento especial que você vai lembrar para sempre?

SD: Bom, eu tive muita sorte. Eu tive a oportunidade de encontrar diversos heróis os quais cresci ouvindo. Todos desde Dickinson, do IRON MAIDEN, até Tony Iommi e etc. E acho que agora, fazendo esse novo programa “Metal Evolution”, que tem onze episódios de uma hora cada, eu pensei se iria ter a mesma sensação de encontrar alguém tão especial. Mas devo dizer que ter a oportunidade de entrevistar BILL WARD e GEEZES BUTLER do BLACK SABBATH foi muito especial. Bill Ward especialmente nos cedeu bastante de seu tempo e muitos de seus pensamentos para a série e acho que muito do que ele fala sobre o Metal, os tipos de música que ele cresceu ouvindo – que era Jazz, Rock and Roll velho e Blues – realmente vai expandir as ideias das pessoas sobre a origem do Metal.

W (DD): Eu estava pensando que na série “Metal Evolution” você chega na casa dele e é um lugar bem bacana, né?

SD: Bom, na verdade, acho que você está pensando no primeiro filme, o “Metal: A Headbanger’s Journey”, quando eu entrevistei Tony Iommi na Inglaterra. E muita gente pensa que aquela era a casa dele, mas na verdade a casa dele estava sendo reformada, aquele era um hotel próximo. Mas, ei, se parece que eu estou frequentando a casa de Tony Iommi, não tem problema nenhum.

W (NM): Sam, como você entrou em contato com o mundo do Metal pela primeira vez? E se você pudesse escolher uma música que represente estes primeiros anos, qual seria?

SD: Acho que para muita gente o Black Sabbath é o ponto de partida para o Heavy Metal. Há um bom argumento de que a primeira música do primeiro álbum do Black Sabbath, a música “Black Sabbath”, é realmente a primeira música de Heavy Metal. Ela tinha um som mais obscuro e pesado do que tudo antes; as pessoas tocavam com distorção e músicas com “power chord”, esse tipo de coisa, mas acho que o que o Sabbath fez… eles trouxeram tudo em um único pacote. Havia o peso da música, a escuridão das letras, a arte dos discos e foi a primeira banda a realmente criar esse pacote todo, o que soava como algo muito novo. Como vimos no primeiro episódio de “Metal Evolution”, o Bill e o Geezer falam “Bom, esta música veio de uma composição clássica de Gustav Holst”, chamada “The Planets Suite”, é uma composição clássica bastante obscura e eles adoraram o som e começaram a brincar com isso com as guitarras e o baixo, e o Tony encontrou um jeito um pouco diferente de tocá-la e acabou sendo o memorável primeiro riff do primeiro álbum do Sabbath.

W (NM): E você se lembra quem te mostrou o Heavy Metal pela primeira vez? Talvez um vizinho ou um irmão mais velho, algo assim. E qual foi a primeira música de Metal que você ouviu, você se lembra?

SD: Bom, eu era um adolescente nos anos 80 então foi um momento em que o Glam Metal estava bastante popular e estava nos canais de música na TV. Eu era exposto a bandas como TWISTED SISTER, RATT, MÖTLEY CRÜE e VAN HALEN quando eu tinha 9 anos. Mas acho que a primeira vez que realmente ouvi algo que me fez sentir diferente, que tinha aquela sensação pesada e de rebeldia foi quando eu tinha um amigo mais velho. Ele era guitarrista e tocou “Ride the Lightning” do Metallica e eu lembro de ter ouvido a música “Fight Fire With Fire”, e comparado a “Hot for Teacher” do Van Halen, era como se alguém tivesse descascado uma camada inteira do que o Metal poderia ser e eu me lembro de ter ficado impressionado por aquele som. Eu não achava que música podia soar assim, não pensava que podiam haver sons assim, até ouvir aquele disco do METALLICA e depois é claro, me pegou para sempre.

W (NM): Então, qual música deste álbum você gostaria de ouvir no nosso programa agora, podemos tocá-la.

SD: Bom, porque não ouvimos “Fight Fire With Fire”, é definitivamente um hino Thrash e o Metallica, diga o que quiser sobre eles, eles tiveram seus altos e baixos e nem sempre concordei com o que fizeram com a carreira, mas temos que lembrar que esta é a banda que, sem dúvida, começou o Thrash Metal e este era e ainda é meu gênero favorito de Metal. Então, sim, “Fight Fire With Fire”.

W (DD): Sam, nós entrevistamos diversos grandes artistas até agora, como IAN GILLAN, ZAKK WYLDE, PHIL ANSELMO, GLEEN TIPTON e toda vez que vou começar uma entrevista eu penso “Acho que agora vai ser meu momento Mayhem”. Isso porque me lembro da entrevista que você fez com o Mayhem no seu primeiro filme. Você pode compartilhar um pouco desta experiência?

SD: Bom, fomos para o ‘Wacken’ em 2004 para entrevistar diversas bandas, Ronnie James Dio e alguns outros artistas e um deles era o Mayhem. E queríamos fazer um capítulo sobre Black Metal no filme e eu estava interessado em falar com eles sobre a história do Black Metal norueguês; de onde veio, suas influências e o porquê das controvérsias que cercam o estilo. Não preciso dizer que a entrevista saiu totalmente dos trilhos. Acho que eles não estavam levando a entrevista a sério, acho que eles pensaram que só estávamos fazendo um trabalho de escola, algo de baixo orçamento. Mas o engraçado é que originalmente não íamos colocar isso no filme, pois pensamos que era uma causa perdida mas Scot disse “Talvez a gente deva dar mais uma olhada naquela entrevista do Mayhem, eu lembro que era engraçada”. E acabamos colocando no filme, pois no final do dia queremos criar filmes não só para dar um monte de informações e conhecimento sobre o Metal, mas também para entretenimento. E o humor é importante quando se está fazendo filmes, então isso acabou sendo um momento engraçado e se tornou um lendário – talvez isso seja muito – mas um notório momento no filme, que todos parecem amar.

W (NM): Depois dos seus primeiros filmes, foram feitos diversos filmes sobre Metal, como o do LEMMY, há um bom chamado “Heavy Metal in Bagda”, o do Anvil foi um sucesso, o Rat Skates do Overkill está fazendo alguns também, “The History of Thrash Metal” e tantos outros. Quais são seus favoritos, fora os seus?

SD: Eu sou um grande fã do filme do Anvil, pois acho que é uma grande história e eu sei de tudo o que eles passaram. Nem sempre é uma história feliz, mas realmente admiro a banda por fazer esse filme, acho que o cineasta fez um ótimo trabalho e é uma história muito comovente. Acho que este é um dos melhores filmes de Metal de todos os tempos.

W (DD): E é canadense.

SD: Sim, é claro, é canadense, sou um pouco parcial neste aspecto.

W (DD): Deixe-me voltar a um assunto em que tocamos, que gostaria que você comentasse um pouco mais. Uma das razões pelas quais todos condenam e tratam o Heavy Metal tão mal é o fato das bandas e da música tocar em tópicos que passam por aspectos obscuros e sombrios da existência humana. E sendo fãs de Metal, sabemos que não há nada de errado em gostar do “The Number of the Beast” do Iron Maiden ou de VENOM e SLAYER, ou até de bandas mais extremas. Como você se sente sobre a cena de Black Metal na Noruega, que passou dos limites e as consequências que isso traz à comunidade do Heavy Metal?

SD: Bom, como eu disse no “Headbanger’s Journey”, sou um grande fã de muitas bandas norueguesas, especialmente uma banda como “Enslaved”, que realmente amadureceu de uma banda reta e direta de Black Metal norueguês para uma grande banda de Prog Metal extremo. Mas quando chegou ao que aconteceu com o incêndio da igreja e o assassinato e tudo o mais, acho que para muitos, não só para mim, realmente passou dos limites. Não se tratava mais da música e o Metal é importante para as pessoas, dá a elas um lugar a se pertencer, é parte da identidade, é realmente parte do que somos como pessoa. Mas não acho que isso significa necessariamente que isso precisa influenciar nossas ações no âmbito político e religioso. Do ponto de vista histórico eu consigo entender o que aconteceu na Noruega, pois a Noruega era um país pagão por muito tempo e o Cristianismo chegou tarde no país. Os modos de vida tradicionais na Noruega foram removidos à força quando o Cristianismo chegou por volta de 1080. Então consigo entender que as pessoas sentiram que isso foi uma grande injustiça à sua cultura e ao seu país, mas isso não significa que você deve sair matando pessoas e queimando o que são, aos meus olhos, exemplos magníficos de arquitetura e história. Acho que me senti assim, senti que – apesar de não caber a mim, pois não sou norueguês e essa não é minha cultura, mas do meu ponto de vista – isso foi longe demais.

W (NM): Temos uma pergunta tradicional, uma que perguntamos a todas as pessoas que entrevistamos…imagine-se dirigindo ou em casa, com seu iPod no modo shuffle, e toca uma música que você não consegue se controlar e começa a headbanguear onde quer que esteja. Qual música seria essa para tocarmos no programa agora?

SD: Tem muitas, mas acho que “Raining Blood” do Slayer, essa música… não fica melhor que isso.

W (NM): Você está certo. O álbum todo, mas esta música em particular é realmente boa. Vamos ouvir “Raining blood” do Slayer.

W (DD): Sam, o seriado “Metal Evolution” ainda não foi ao ar no Brasil, mas tive a oportunidade de assistir a dois episódios e estou bastante animado para assistir a série toda, pois você capturou grandes momentos históricos da comunidade Headbanger, como aquela no final do episódio 3 em que Rob Halford olha para a câmera e diz “Sim, temos orgulho de ser Heavy Metal!” e faz o gesto de chifres com as mãos. Você pode compartilhar com nossos ouvintes os momentos que você sentiu orgulho de ter capturado na câmera?

SD: Acho que esse momento é realmente importante e fico feliz que você tenha citado, pois acho que o que realmente vemos na série é que “Heavy Metal” não era um termo popular quando as pessoas começaram a usá-lo no fim dos anos 60 e começo dos 70. Apesar de grandes bandas como Black Sabbath, DEEP PURPLE e Led Zeppelin terem criado o som que foi identificado como Metal, eles não se viam como sendo Heavy Metal, ainda era um conceito externo. Eles se viam como bandas de Hard Rock e acho que o que é importante é que quando o JUDAS PRIEST começou a ganhar popularidade no final dos anos 70 e começo dos 80, essa foi a primeira banda e ROB HALFORD foi o primeiro músico a se levantar e dizer “Somos Metal”. Isso deu uma guinada neste tipo de música, pois passou da coisa que as pessoas evitavam e até tinham vergonha, para algo que é uma identidade e um distintivo de honra. E acho que se o Metal, como sempre discutimos, é um estilo de vida e uma cultura, então esse foi o momento em que começou, quando Halford se levanta e diz “Somos Metal”.

W (NM): Então, aproveitando o que você acabou de dizer.. na série “Metal Evolution” há uma parte em que você está na Inglaterra, no escritório do agente do ROBERT PLANT e você menciona que está tão perto e ao mesmo tempo tão longe das lendas do LED ZEPPELIN. E então você fala diretamente para a câmera que o Robert Plant e o JIMMY PAGE, eles não querem ser associados com o Heavy Metal, apesar de serem muito influentes. O que você acha disso?

SD: Bom, eu realmente queria fazer uma entrevista com Page e Plant para a série e também falei com John Paul Jones, mas nenhum deles queria se envolver. É claro, da nossa perspectiva como cineastas, é decepcionante pois Led Zeppelin é uma banda que influenciou muitas gerações de Rock e Metal. E ainda assim, este termo “Heavy Metal” ainda carrega um estigma muito grande, é bastante limitador, como se não capturasse a essência do Led Zeppelin. E eu entendo, isso é totalmente justo e faz bastante sentido, no entanto eu só esperava ter a oportunidade de falar com eles e especular porque tantas pessoas foram influenciadas pelo que eles fizeram e ouvir deles o que eles fizeram exatamente com a música na época que foi tão inovador. Isso é o que o programa fala, fala da evolução do som, a evolução da música e o Led Zeppelin é uma peça crítica, pois o Plant tem aquela voz poderosa e de grande alcance e o Page, é claro, tinha aquele timbre distorcido de guitarra e se você pensar em uma música como “Communication Breakdown”, do primeiro disco do Led Zeppelin, é realmente a primeira vez em que ouvimos aquele riff de guitarra rápido e repetitivo. E você não consegue imaginar bandas como Metallica ou Iron Maiden ou outras mil sem esse som que o Led Zeppelin foi o primeiro a fazer.

W (DD): Mudando um pouco o assunto, tivemos uma situação aqui no Brasil há duas semanas, em que o vocal principal de uma banda chamada Almah, que é o mesmo da banda Angra, você deve conhecer, postou um vídeo em que ele diz que os fãs de Metal no Brasil não apoiam as bandas locais o bastante, só vão a shows de bandas internacionais, etc. e a maneira que falou foi bastante agressiva.

W (NM): Foi logo depois de um show em que havia muito poucas pessoas.

W (DD): Só havia cem pessoas. Então, você acha que isso é algo que acontece em todo lugar, essa falta de apoio a bandas locais ou isso é algo especificamente do Brasil? Como você vê isso?

SD: Acho que isso acontece em todo lugar. É um fenômeno humano estranho em que sempre ficamos mais fascinados pelas coisas que vêm de outros lugares e o Canadá não é exceção. Temos bandas fantásticas de Metal, como Voivod e Strapping Young Lad e até bandas de Death Metal como Gorguts e Annihilator. Todas essas bandas, são realmente grandes bandas, mas os canadenses não vêm a significância delas até viajarmos pelo mundo e falar “Eu sou do Canadá” e eles dizerem “Sim, nós amamos Voivod, amamos Sacrifice, amamos todas essas bandas”. Então acho que é uma coisa bastante humana e entendo que os músicos do Brasil fiquem frustrados, pois acho que é algo que as pessoas encaram em todo lugar. Eu lembro quando fui à Noruega para filmar “Headbanger’s Journey” e estava falando com as pessoas de Oslo. Na época eu estava muito animado com o novo álbum do Dimmu Borgir e um cara virou para mim e disse “Eu não entendo, um desses caras costumava entregar meu leite”. Então acho que é algo bastante humano de ficar fascinado com o que vem de fora, mas entendo totalmente a frustração dos caras no Brasil.

W (NM): Como baixista, você já se sentiu frustrado por não poder viver da música e tocar em uma banda? Especialmente depois de ter passado tanto tempo com todas aquelas lendas. Podemos esperar algo do músico Sam Dunn no futuro?

SD: Houve um breve momento em que fiquei interessado em seguir na música profissionalmente, mas acho que no final do dia percebi, primeiro de tudo, quão difícil isso é e talvez eu tenha duvidado demais do meu talento. Eu sempre quis poder tocar, mas não necessariamente seguir isso como uma carreira. E agora, fazendo filmes e programas de televisão sobre Metal e Rock está dando certo. Acho que posso ser bem mais efetivo deste jeito do que no palco.

W (DD): Agora é a minha hora de pedir uma música. Há bastante preconceito de fãs mais velhos contra bandas novas. Muitos fãs de Metal, eles pensam que o Metal só foi bom nos anos 80 e isso definitivamente não é verdade. Quais, na sua opinião, são as bandas mais importantes que apareceram no mundo nos últimos 15 anos e você poderia escolher uma música de uma banda nova que provaria que há grandes bandas novas no presente, para ouvirmos agora?

SD: Sim, acho que há algumas bandas fantásticas que apareceram nos últimos dez anos, algumas das minhas favoritas são Opeth, Mastodon, é claro Lamb of God. Estas são bandas que se provaram ser algo consistente. É claro, há centenas e centenas de outras bandas que apareceram ainda mais recentemente, mas gosto de chamar atenção para aquelas bandas que estão naquele lugar de suas carreiras em que já fazem parte dos livros de história do Heavy Metal. Então se eu tivesse que escolher uma música, gostaria de ouvir a primeira faixa do novo álbum do Mastodon, chamada “Black Tongue”.

W (NM): Então, deixe-me perguntar uma coisa, quais são seus planos para o futuro?

SD: Bom, temos dois novos projetos. O primeiro que estamos fazendo é um documentário sobre o Alice Cooper, que irá focar do começo da sua carreira até a sua volta nos anos 80. Então, o documentário do Alice Cooper será como um arquivo semi-animado da jornada através da carreira de Alice Cooper. E ele é um daqueles artistas lendários cuja história nunca foi contada, sentimos que ele é uma figura tão envolvente e tem uma carreira pessoal e profissional tão fascinante, será um grande documentário. O outro filme que estamos fazendo gera certa controvérsia. Estamos fazendo uma história moderna de Satã. Então estamos procurando a influência de Satã na cultura popular, dos anos 60 até o presente, estamos pesquisando a ascensão do uso de imagens do diabo no cinema, música e literatura e dentro da cultura contemporânea. Mesmo que em diversas partes do mundo a religião está em declínio na fé e até nas forças espirituais, a imagem de Satã ainda se mantém bastante poderosa e evocadora. Então, basicamente, a questão do filme é o porque disso e por que Satã ainda importa.

W (DD): Sam, antes de terminarmos, preciso contar algo a você, pois há dois anos, quando eu terminei de assistir seu primeiro filme pela primeira vez, disse a mim mesmo que se tivesse a oportunidade de falar com você, contaria isso: os últimos cinco minutos do filme “Metal: A Headbanger’s Journey”, quando você diz que nós, fãs de Metal, celebramos o que a sociedade nega, defendemos o que a sociedade teme, e aí começa a parte do meio de Master of Puppets, e todas aquelas declarações de como o Metal é importante na vida das pessoas e no final você diz “Se você não entende o Metal, tudo bem, não precisamos de você”. Isso foi a coisa mais fenomenal que alguém já criou em termos de defesa do Heavy Metal. Então, em nome de todos os headbangers brasileiros, muito obrigado.

SD: Bom, muito obrigado, eu fico muito feliz e até me arrepiei de novo quando você falou sobre isso.

W (NM): Eu também, Sam, eu também. Sabe, para nós, que somos fãs de Metal há 28 anos, é realmente emocionante ouvir algo tão bem construído como isso, então obrigado de novo.

SD: O prazer é meu e obrigado por me receber, cara. Me desculpem que isso ficou tão longo, estou feliz que pudemos fazer acontecer.

W (NM): Foi um prazer, cara. Você pode deixar uma última mensagem para todos os fãs brasileiros de Metal?

SD: Sim, é claro. Aqui é o Sam Dunn, da Banger Filmes no Canadá, e eu só quero dizer a todos os fãs brasileiros de Metal, muito obrigado por nos apoiar nos filmes que fizemos e fazer parte em diversos filmes que fizemos, como Global Metal e 666. Amamos o Brasil e mal posso esperar para vê-los todos logo.

W (NM): Muito bem, Sam, então muito obrigado de novo pelo seu tempo. Nós sentimos muito que tomamos tanto tempo seu, mas acho que teremos dois episódios com esta entrevista. Sempre que precisar, qualquer coisa que precisar do Brasil, conte conosco, dê um grito. Estaremos prontos para ajudá-lo em qualquer coisa, ok?

SD: Muito obrigado, obrigado, cara.

W (DD): Obrigado, Sam. Muito obrigado.

SD: Se cuidem.

W (DD): Tchau, tchau.

SD: Tchau, tchau.

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Sobre Julia Sabbaga

Julia Sabbaga é assistente responsável pela área de marketing e conteúdo do Wikimetal. Formada em Relações Internacionais pela PUC/SP e apaixonada por música em geral. Classic Rock e Punk Rock sempre estiveram no topo das preferências, mas conhecer Heavy Metal tem sido uma grande experiência.

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