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Resenha - Soundhouse Tapes - Iron Maiden

Antes da Internet, “velhos” de trinta e cinco anos como eu, dependiam de duas coisas para ter acesso a certas preciosidades: dinheiro ou sorte. Singles, versões ao vivo, vídeos de shows clássicos, resenhas de LESTER BANGS, demos e outras “pequenas alegrias” eram raridades disputadas no tapa. As publicações - salvo honrosas exceções, como as edições especiais da SOMTRÊS e da BIZZ e alguns fanzines - se limitavam à música pop e outras chatices.

Nota: 10

O texto representa a opinião do autor e não a opinião do Whiplash.Net ou de seus editores.

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Em um desses raros momentos, li uma resenha a respeito de “The Soundhouse Tapes”, o EP que primeiro registrou o som do IRON, antes de sua homônima estréia em estúdio. Gravado em dezembro de 1978 nos estúdios Spaceward, em Cambridge, “Soundhouse” foi lançado em novembro do ano seguinte. Originalmente registrado com quatro faixas (“Strange World” - aparentemente recusada por falta de qualidade - também estava no track list original e aparece como bônus em versões posteriores), o EP foi lançado com três canções e entregue ao Dj NEAL KAY – fato definitivo na história da banda, uma vez que essa circunstância fez o MAIDEN ser apresentado a ROD SMALLWOOD - que todo fã da banda sabe quem é.

Muito bem: sabe aquele som que você conhece dos discos do MAIDEN, com guitarras “gêmeas” bem trabalhadas, vocais brilhantes, bateria impecável? Então esqueça! O buraco aqui é bem mais embaixo: o disco foi gravado com apenas um guitarrista- DAVE MURRAY - ADRIAN SMITH foi convidado para ingressar em dezembro de 79, depois da gravação do EP, mas declinou, e no seu lugar entraria DENNIS STRATTON -, o que resulta em uma sonoridade bem diferente daquela que caracterizou a banda depois. No vocal, PAUL Di´ANNO mostrava apenas rudimentos do excelente vocalista que viria se tornar posteriormente; na bateria DOUG SAMPSON - CLIVE BURR só entraria no final de 1979 - e claro, STEVE HARRIS no baixo.

“The Soundhouse” é tão cru quantos os registros punks da época: “Iron Maiden” é “pedra bruta” até dizer chega - introduzida pela solitária guitarra de MURRAY, seu refrão parece algo saído de “Never Mind The Bollocks”, tamanha sua “secura” - diferente, mas excelente!!

Na sequência, “Invasion”, mostra um pouco mais da faceta metal que caracterizaria a banda; a faixa é uma “coluna” de distorção, com excelente solo de guitarra, repleto de notas modificadas – cortesia das boas alavancadas de MURRAY.

O mesmo não se pode afirmar da desafinadíssima introdução de “Prowler” onde, sinceramente não dá para entender o que MURRAY fez ali. No entanto, na continuidade da faixa só se ouvem acertos, onde se destaca a bateria super bem conduzida - ainda que baixa demais na mixagem - de SAMPSON.

Resumo da ópera: se você é fã da banda você TEM que ouvir esse registro - que mostra a passagem da rudeza às pedras polidas que viriam nos anos seguintes. Agora se você não é fã da banda tudo bem - uma hora dessas, você não está nem lendo esse texto mesmo.

Track list:

1. "Iron Maiden"
2. ."Invasion"
3. "Prowler"

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Sobre Paulo Severo da Costa

Paulo Severo da Costa é ensaísta, professor universitário e doente por rock n´roll. Adora críticas, mas não dá a mínima pra elas.

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