Engraçado como certas coisas mudam tão rapidamente. Quando do lançamento do álbum “The Cosmos Rocks”, fruto da parceria entre Brian May, Roger Taylor e Paul Rodgers, esperava-se que o CD seria apenas o início de uma longa e duradoura empreitada, reunindo três grandes lendas do rock britânico. Agora, cerca de um ano depois, estamos aqui com a chegada do DVD “Live In Ukraine”, com gosto de réquiem desta reunião, cujo fim foi anunciado por Rodgers não faz muito tempo.
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O show já começa com uma dobradinha conhecidíssima pelos fãs do extinto quarteto: “One Vision” e “Tie Your Mother Down”, sendo seguidas por “The Show Must Go On”. Logo de cara nos chama atenção a enorme quantidade de pessoas assistindo à exibição. A contracapa do DVD cita mais de 350.000 presentes, e não é de se duvidar, como pode ser conferido pelas tomadas panorâmicas. Tudo isso comprova o poder de fogo que o nome Queen ainda tem: apesar do grande frio evidente pelos trajes da platéia, esta estava lá, elétrica, empolgadíssima.
Estão presentes ainda outros clássicos, como “Hammer To Fall”, “Fat Bottomed Girls”, “I Want To Break Free”, “Another One Bites The Dust”, “Crazy Little Thing Called Love”, as obrigatórias “Bohemian Rhapsody”, “We Will Rock You” e “We Are The Champions”... pode se sentir falta de alguns grandes hits, como por exemplo “Radio Ga Ga” ou “Under Pressure”, mas a banda reveza bem a seleção das músicas, e inclui aqui uma que nunca tocaram ao vivo nos tempos de Freddie Mercury e John Deacon: a grande “I Want It All” (que, para quem não sabe, é do álbum “The Miracle”, e nesse período Freddie já se encontrava fragilizado pela AIDS, o que levou a banda a não fazer mais shows).
Recheando isso tudo, grandes destaques ficam por conta do set acústico, com a óbvia “Love Of My Life” e a deliciosa levada folk de “‘39”, bem como o solo de bateria de Taylor, contando com uma ajuda do baixista Danny Miranda. Notem que uma segunda bateria é montada neste momento, para a execução a seguir de “I’m In Love With My Car” e “Say It’s Not True”. Outro ponto alto é a nova homenagem ao Freddie (sim, mais uma), no meio do solo de Brian May: este recria “Bijou”, do álbum “Innuendo”, e os vocais e as imagens do saudoso frontman tomam conta do palco.
Da parte de Paul Rodgers (leia-se: mapeando sua carreira) destacam-se grandes temas, como “Feel Like Makin’ Love”, “Bad Company” (onde ele se senta ao piano) e, claro, “All Right Now”. Estranhamente, a princípio fica claro que o público parece não conhecer este clássico, mas lá pelo refrão, aos poucos, começam a cantá-la, tendo o esforço reconhecido pelo próprio vocalista. E do fruto da parceria, aparecem a divertida “Cosmos Rockin´” e a ótima “C-Lebrity”. Resumindo: grande show, duas horas de puro rock and roll.
Mas como nem tudo é perfeito, há de se lamentar não haver nenhum extra no disco - talvez o lançamento tenha sido feito apenas numa tentativa de coibir sua pirataria, já que o mesmo foi transmitido pela TV e já vinha sendo difundido pela internet. Como prêmio de consolação, foram inclusas legendas, permitindo aos fãs cantarem juntos os clássicos. E no exterior foi lançado também em CD duplo, e uma edição limitada de luxo reunindo os CDs, o DVD e até mesmo uma camiseta. Resta saber se o mesmo irá acontecer aqui no terceiro mundo...
1. One Vision
2. Tie Your Mother Down
3. The Show Must Go on
4. Fat Bottomed Girls
5. Another One Bites the Dust
6. Hammer to Fall
7. I Want It All
8. I Want to Break Free
9. Seagull
10. Love of My Life
11. ´39
12. Drum Solo
13. I´m in Love With My Car
14. Say It´s Not True
15. Shooting Star
16. Bad Company
17. Guitar Solo
18. Bijou
19. Last Horizon
20. Crazy Little Thing Called Love
21. C-Lebrity
22. Feel Like Makin´ Love
23. Bohemian Rhapsody
24. Cosmos Rockin´
25. All Right Now
26. We Will Rock You
27. We Are the Champions
28. God Save the Queen
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Conheceu o rock and roll ao ouvir pela primeira vez Bohemian Rhapsody, lá pelos idos de 1981/82, quando ainda pegava os discos de suas irmãs para ouvir escondido em uma vitrolinha monofônica azul. Quando o Kiss veio ao Brasil em 1983, queria ser Gene Simmons e, algum depois, ao ver o clipe de Jump na TV, queria ser Eddie Van Halen. Hoje é apenas um bom fã de rock, que ouve qualquer coisa que se encaixe entre Beatles e Sepultura, ama sua esposa e juntos têm um cãozinho chamado Bono.
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