Kiss: Ace Frehley, a realização de um sonho

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Kiss: Ace Frehley, a realização de um sonho

Por André Pepino | Fonte: KISS Army Brasil

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Em meados de 1998, após uma manhã cansativa no colégio, chego em meu quarto procurando descansar. Ligo a TV e, após alguns clipes na MTV, inicia-se um ruído de guitarras com uma bateria marcante e pesada. Ao olhar melhor, vejo um circo, um palhaço e uma cortina com a palavra “KISS”. Ao atravessar essa cortina, 4 caras maquiados começam a tocar uma música que me faz pensar “É isso!!! Que tesão!”. Essa foi a minha introdução ao mundo KISS, ao velho rock n roll, e à melhor banda do mundo! Foi a partir deste momento que eu decidi aprender a tocar guitarra, pesquisar mais sobre a banda e, como todo fã de KISS, colecionar!

PARTE 1: Welcome to the Show!

Vou ser sincero, dos quatro mascarados, o que menos me chamava atenção era um maluco vestido de astronauta. Eu me empolgava com o cara que cuspia sangue, tinha asas de morcego e tal. Passou alguns meses, ganhei do meu pai o CD Psycho Circus e, recém iniciado na internet, comecei a baixar músicas, clipes, shows, fotos e ler sobre a banda. Em muito pouco tempo comecei a querer tocar como o astronauta, corretamente chamado de Spaceman! A cada nova música dos primeiros CDs da banda (até 1979) que eu escutava, mais eu admirava a simplicidade, mas a composição perfeita de seus solos. Mais e mais eu me deparava pensando: “Era esse o solo que eu queria escutar!”. Além disso, eu delirava por ele soltar fumaça e foguetes de sua Les Paul! Pronto, estava fã não apenas do KISS, mas de um dos grandes guitarristas da história do puro rock n roll: Ace Frehley!

PARTE 2: Fractured Mirror

Os anos foram passando e infelizmente o Ace já não estava mais no KISS. Me envolvia (e ainda me envolvo! Hehe) nas discussões de nosso fã clube desde seus primórdios, “defendendo” o criador dos solos mágicos que fizeram parte da minha adolescência. Nenhum outro guitarrista de outras bandas havia me feito sentir prazer ao escutar solos de guitarra!

Entre 2003 e 2008, tive a oportunidade de conhecer Eric Singer e Bruce Kulick (duas vezes), mas ainda me faltava o tesão do KISS. Até que em 2009, o KISS confirmava sua presença para a tour Alive 35 em São Paul e Rio de Janeiro. Seria a primeira vez que iria ver meus ídolos de perto! Eu e minha irmã (já convertida para o RnR) não perdemos a oportunidade e fomos nos dois shows! Uau! Lembro que eu via Gene Simmons e Paul Stanley a poucos metros de mim, tocando seus maiores sucessos! Mas eu queria mais! Queria conhecê-los! Foi quando uma oportunidade (beeeem ajeitada!) “coincidentemente” fez com que eu fosse a trabalho para a Espanha na mesma semana que o KISS estava fazendo sua tour Sonic Boom. Estava aí a chance de vê-los de perto. Realizei o Meet & Greet com eles, troquei algumas palavras, peguei autógrafos e tirei fotos. De quebra, conheci um grande amigo, Ricardo Lopes, do KISS Army Brasil. Parceiro, amigo, gente boa e que compartilhou esse momento mágico comigo! Porém, ao sair daquela experiência, eu via nos olhos dele o quão era importante ele ter conhecido Gene e Paul. Eu me sentia meio frustrado por não estar tão irradiante como ele. Após rápida reflexão, percebi o que estava faltando: o Ace! Voltando para o hotel, falei para o Ricardo e sua esposa: “Meu próximo desafio será conhecer o Ace! Esse é meu sonho!”.

PARTE 3: A Little Bellow the Angels

Durante estes últimos anos, segui a trajetória do Ace. Acompanhei de perto (através de mp3, youtube, shows baixados...) a evolução e o ressurgir de um homem que tinha sérios problemas com álcool e drogas e que agora tocava novamente de forma majestosa. De quebra, lançando um novo álbum (Anomaly) e marcando o lançamento de sua autobiografia (No Regrets). A cada entrevista que eu lia, mais empolgado e vibrante eu ficava: “Ace is back and he told you so!”.

No mês de Abril deste ano (2011), saía a agenda de alguns shows do Ace para uma tour nos EUA. Junto com ela, estava à venda o pacote VIP, que dava a chance do comprador de tirar uma foto e pegar um autógrafo com o Ace. Neste momento eu pensei: “Tem que ser agora!”. Os planos começavam as serem feitos, dinheiro gasto com “porcarias” agora tinha destino certo, uma poupança para complementar uma outra, formada em 2010 após meu papo com o Ricardo, em Madri/Espanha. A coisa ficou mais séria quando apareceu a confirmação de um show, durante o feriado de 15 de Novembro (aqui no Brasil), em uma cidade chamada Green Bay/WI, 320Km de Chicago/IL. Tudo começou a caminhar para a concretização do meu sonho.

A partir de setembro, com 90% dos recursos financeiros necessários, comecei a ficar atendo a promoções aéreas. Dia 14 de Outubro de 2011, após minha conferida diária em sites de promoções, surgiu uma oportunidade incrível para viajar até Chicago. Em 10 minutos eu estava com o voucher da minha viagem! Meu coração disparou e pensei: “Meu Deus, deu certo!”. No mesmo dia, comprei o ingresso do show e o pacote VIP. Não dormi aquela noite...

PARTE 4: Fox on the Run

Certo, sabia que iria conhecer o Ace, mas eu queria mais! Queria ficar perto dele, trocar um papo e, quem sabe, pegar autógrafo em uma das minhas Les Paul. Quem geralmente tem acesso a esses privilégios, são entrevistadores. Tava aí minha nova idéia: entrevistar meu ídolo, Ace Frehley! Comecei, então, a “mexer os pauzinhos”. Com algum esforço, consegui contato dos representantes do Ace, dos Tour Managers e, então, do Manager do Ace. Vou ser sincero, a cada passo que eu dava, mais ansioso eu ficava. Além disso, eu tinha muito pouco tempo para fazer esse “meio de campo” (menos de 4 semanas). As respostas vindas dos EUA demoravam 2 ou 3 dias para chegar. Enquanto isso, eu me perguntava se teria condições emocionais para continuar com essa loucura. Porém, uma força vinha dentro de mim, me fazendo acreditar que sim.

Na semana antecedente ao show, eu ainda não tinha confirmações. Para ajudar a piorar as coisas, passei por sérios problemas de saúde, levando-me inclusive a ficar internado. Chorava sozinho com a possibilidade de ter ido tão longe e “morrer na praia”, tendo que cancelar minha viagem. Com uma rápida melhora, decidi que iria fugir do hospital, se necessário fosse! Isso me deu incentivo e no mesmo dia, recebi um email de um dos Tour Managers que ele estava cuidando da minha entrevista. Para mim, isso serviu como um aviso dizendo: “Levanta a bunda daí que você vai conhecer o Ace!”. Graças a Deus, melhorei e dia 11/11/11 (não, não foi às 11:11! hehe), eu estava embarcando para os EUA.

PARTE 5: Rocket Ride

Cheguei em Chicago às 11:30 de Sábado, dia 12 de Novembro, um dia antes do show. Apesar dos emails dos Tour Managers, ainda não tinha confirmação sobre a possível entrevista. Aluguei um carro, comprei comida no Wal Mart (mais umas muambas) e voltei para o hotel descansar, pois no dia seguinte teria que pegar a estrada até Green Bay. Checava meus emails e tentava ligar para um dos Tour Managers, até que recebo o email que mudou o rumo das coisas: um dos Tour Managers me passou o telefone do Manager do Ace. Eu olhava para aquele número e pensava: “estou a uma ligação de ficar mais um tempo com o Ace!”. Liguei e conversei com um dos caras mais gente boa que já conheci. O manager do Ace disse que iria rolar a entrevista, mas que eles estavam chegando de viagem e que era para eu mandar um email para ele, com o que eu exatamente estava querendo. Cinco minutos depois, o email já tinha sido mandado.

No dia seguinte, revisei as perguntas que iria fazer ao Ace, mas não tinha a porr* da confirmação. Resolvi ligar novamente, mas dessa vez os telefones não atendiam. Tentei mais algumas vezes e nada. Já era perto da hora de viajar até Green Bay, então peguei tudo, coloquei no carro e segui viagem. Após 3 horas de viagem, parei em um McDonald’s perto do Oneida Casino (onde seria o show). Tinha internet grátis e verifiquei o email do Manager do Ace. Ele havia confirmado a entrevista, mas ele pensava que eu iria fazer em áudio. Falei com ele novamente, explicando que iria gravar um vídeo para publicação na web (www.kissarmy.com.br).

Cheguei no Casino às 17:15, mesmo tendo instruções de que o Meet & Greet seria apenas às 19:00, afinal, queria garantir essa entrevista. Já fui falando com seguranças, responsáveis pela entrada/saída e organização do evento lá para ter certeza que estava todo mundo sabendo da minha presença, e nada do Manager ou do próprio Ace. Às 18:50, chega o seu Manager: “Hey, are you Andre from Brazil? (Ei, você é o André do Brazil?)”. Meu coração bateu forte e disse: “Yes! Hi, how are you?” Conversamos um pouco e ele perguntou quanto tempo eu queria. Disse que eu tinha planejado algo em torno de 15 minutos. Neste momento ele disse que estavam atrasados e se eu teria como reduzir para uns 5 minutos. Falei que sim e já peguei meu celular para mudar as perguntas. Tremia tanto que não conseguia escrever direito. Então, ele me informou que a entrevista seria depois de todos fazerem o M&G, inclusive eu.

Às 19:20, todos nós (15 pessoas), fizemos uma fila ao lado de uma sala de convenções (pequena). Um a um, íamos entrando, tirando foto com o Ace, pegando 1 autógrafo e trocando uma rápida idéia com o Ace (estilo M&G com o KISS, para quem já vez). Ao ver o Ace Frehley, meu ídolo, na minha frente, fiquei louco! Meu Deus, aquilo era demais!!! Coloquei minha pickguard da minha AF Les Paul na mesa para o autógrafo e o segurança tirou, dizendo que não podia. Eu questionei: “Hey, I know it is not allowed to sign guitars, but this??” (Ei, eu sei que não é permitido assinar guitarras, mas isso??). Nem deu a chance do Ace tocar nela e já tirou da mesa. Peguei autógrafo no meu LP Ace Frehley (coleção Back to Black – igual que peguei do Gene e Paul) e no LP do Luciano da Rock Soldiers.

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Dei um aperto de mão, um abraço e pose para a foto: BLAH, que foto lixo que esse segurança tirou! Fiquei louco, pois as fotos de todos os outros estavam ficando excelentes! A minha máquina é um pouco pesada, acho que o cara nunca tinha mexido numa dessas. Pois bem, arrumei a câmera no tripé e comecei a falar com o Manager dele, explicando que a foto tinha ficado ruim. Ele disse: “I will personally take yours again.” (Vou tirar pessoalmente a sua de novo!). Quando os 14 outros participantes do M&G saíram do salão, começou um dos momentos mais animais da minha vida!!! Tiramos mais 3 fotos, até ficar legal! Comecei, então, a entrevista (estou editando o vídeo, em breve vou pedir para o Márcio colocar no site). Os 5 minutos voaram! Entreguei camisetas da Rock Soldiers, um quadro com a história da banda e tentei falar o quanto ele é querido no Brasil. Enfim, animal!!! Acabou o tempo, nos despedimos e nos levantamos. Comecei a desligar câmera, desmontar o tripé e o Ace ali, do meu lado, junto com sua noiva, seu manager, 2 seguranças e mais um pessoal da produção. Ainda sem acreditar no que tinha acontecido, peguei minha pickguard e o award da Rock Soldiers e tentei a sorte de novo.

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Foi aí que o inesperado aconteceu: o Ace pegou as coisas, autografou na boa, conversamos por mais uns 15 ou 20 minutos. Vou ser sincero, chegou uma hora que eu não sabia mais o que falar com ele! Vi ele confirmando o Set List do show, falamos (eu, Ace, sua noiva e seu Manager) sobre o Brazil, a Rock Soldiers, seu livro, sua tour, enfim, o MOMENTO MAIS FODA DA MINHA VIDA!!!!!!! Aí ele se despediu novamente, falando “Well, I have a concert to do now! Enjoy it! See you soon!!! Bye!” (Bem, tenho um concerto para fazer. Se divirta! Te vejo em breve! Tchau!). Tirei uma foto como o seu Manager também, nos despedimos e sai daquele salão com a sensação de que eu já poderia morrer, pois tinha realizado o meio maior sonho da vida! Mas peraí!!! Ia rolar um PUTA show do Ace em minutos! Deixei as coisas em um guarda volumes (sim, fiquei com um puta medo de acontecer alguma coisa com as coisas) e entre no local do show.

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O show começou com Rocket Ride, seguido por Parasite. O set list (que eu tinha visto ele conferir) não tinha Fox and Free, mas ele fez um medley de Led. Foram 2 horas de perfeição!!! Filmei o show praticamente inteiro (depois disponibilizo por torrent). Ele não errou nenhuma nota! É impressionante como o Ace está tocando e cantando bem! Delirei com todas as músicas! Todos os solos! Toda a banda! Algumas lágrimas correram durante Parasite. Não acreditava na noite que eu estava tendo. Simplesmente perfeita!

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O show acabou 22:40 e peguei a estrada novamente. Ainda com a adrenalina de tudo o que ocorreu, as 3 horas de viagem passaram voando. Não sei se dormi naquela noite, pois sonho e lembranças do ocorrido de misturavam! Algo que nunca senti na vida!

Como é o título desta “matéria”, foi a realização de um sonho!

Um forte abraço em todos!

André Pepino.

Veja a matéria original no link abaixo:
http://kissarmy.com.br/index.html#n20

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