Nos deixou esta semana uma das matricarcas do nosso Rock ‘N’Roll tupiniquim. CELLY CAMPELLO foi, entre o final da década de cinquenta e início da década de sessenta, a prova viva de que Rock era algo para jovem, reforçando também a idéia que independente de ser menino ou menina, você pode se expressar através do Rock. O Rock é a música dos jovens. Para mim pelo menos, esta foi sempre a grande mensagem.

Nascida Célia Benelli Campello em 18 de junho de 1942, na cidade de São Paulo, passou a infância em Taubaté, interior do Estado, onde acabou iniciando sua carreira ao lado do irmão Tony Campello, nome artístico de Sérgio Campello, outro personagem importantíssimo na história do nosso Rock nacional. Embora Celly desde os seis anos já vinha sendo convidada para cantar em festas do Rotary Club e mais tarde em programas de rádio locais, foi somente quando o irmão Sérgio foi a São Paulo, e conseguiu iniciar sua carreira de músico, que Celly fez sua estréia, adentrando os estúdios para gravar um disco.
A história conta que Sérgio, como instrumentista do Mário Gennari e seu Conjunto, foi convidado a gravar duas canções, "Forgive Me" e "Handsome Boy". A idéia inicial era destas canções serem gravadas pela crooner da banda, Celeste Novaes, porém seu inglês não era convincente o suficiente para a tarefa. Sérgio gravou "Forgive Me", mas como não pegava bem um homem cantar uma letra falando de um Handsome Boy, Sérgio trouxe para o estúdio sua irmã Célia, então com quinze anos. Sua interpretação foi tão perfeita que a canção acabou sendo o Lado A deste compacto lançado em 1958 pela Odeon.

Mas foi de fato com "Estúpido Cupido" que o nome de Celly passaria a ser conhecido. E através do programa "Crush em Hi Fi" da TV Record, que a imagem da menina sorridente e simpática conquistaria os corações de pais e filhos nos grandes centros do país (ainda não havia transmissão televisiva para o Brasil inteiro). Em 1960, Celly Campello começou a ser reconhecida como a namoradinha do Brasil, título que passaria depois para Regina Duarte. E de fatos, éramos todos apaixonados por ela. Paixão que rendeu até alguns produtos no mercado, como a boneca Celly da Troll, e até um chocolate da Lacta chamado Cupido. Seria contratada juntamente com o irmão para cantar jingles comerciais vendendo produtos tão diversos como colírio Moura Brasil, biciletas da Monark e pó achocolatado da marca Toddy. Também em 1960, Celly e seu irmão Tony fariam uma pequena aparição no filme "Jeca Tatu" de Mazzaropi, onde cantam a canção "Tempo de Amar".

Em uma entrevista concedida em 1993, Celly deixa entender que foi somente após este revival que ela começou a tomar consciência da sua importância para a história musical do país. Três anos depois tomou conhecimento que estava com câncer de mama. Após passar por uma cirurgia e tratamento à base de quimioterapia, os médicos a consideraram curada. Posteriormente o câncer foi identificado em uma de suas costelas, mal que acabou atingindo a pleura. Outra cirurgia e mais quimoterapia não abalaram a moral ou esperanças da eterna "Broto Legal". No entanto, novamente internada no dia 20 de fevereiro, no Hospital Samaritano, Celly Campello acabaria por falecer no dia 4 de março de 2003. O sepultamento se deu no dia seguinte no Cemitério dos Flamboyants na cidade de Campinas onde ela residia. Ela deixa o marido, dois filhos e três netos.
Site recomendado
Para a mais completo tributo a Celly Campello na internet,
recomendamos o site Celly Campello no endereço www.cellycampello.cjb.net.

ESTÚPIDO CUPIDO (1959)
BROTO CERTINHO (1960)
A BONEQUINHA QUE CANTA (1960)
A GRAÇA DE CELLY E AS MÚSICAS DE PAUL ANKA (1961)
BROTINHO ENCANTADOR (1961)
CELLY (1968)
CELLY CAMPELLO (1976)
Coletâneas
GRANDES SUCESSOS - CELLY CAMPELLO (1995)
MEUS MOMENTOS - CELLY CAMPELLO (1996)
BIS JOVEM GUARDA - CELLY CAMPELLO (2000)
Participações em discos
ESTÚPIDO CUPIDO - TRILHA SONORA DA NOVELA (1976)
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Nascido no ano do rato. Era o inicio dos anos sessenta e quem tirou jovens como ele do eixo samba e bossa nova foi Roberto Carlos. O nosso Elvis levou o rock nacional à televisão abrindo as portas para um estilo musical estrangeiro em um país ufanista, prepotente e que acabaria tomado por um golpe militar. Com oito anos, já era maluco por Monkees, Beatles, Archies e temas de desenhos animados em geral. Hoje evita açúcar no seu rock embora clássicos sempre sejam clássicos.
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