Por que Edu Falaschi evitou o caminho mais óbvio ao retratar o Oriente Médio em "MI'RAJ"
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de junho de 2026
Ao longo da história do heavy metal, não foram poucas as bandas que recorreram às escalas exóticas, instrumentos típicos e clichês sonoros para representar culturas do Oriente Médio. De "Powerslave", do Iron Maiden, a diversas obras conceituais do metal progressivo, a fórmula costuma ser conhecida. Em "MI'RAJ", porém, Edu Falaschi decidiu seguir uma direção diferente.
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Em entrevista a Gustavo Maiato para o Whiplash.Net, o vocalista e compositor explicou que, apesar de o novo álbum encerrar uma trilogia cuja história se passa no Oriente Médio do século XVI, a ambientação geográfica não foi o ponto de partida para as composições.
"Quando eu compus o disco, eu não compus pensando no Oriente Médio. Eu sabia da história, sabia de todo o caminho que eu ia tomar para compor o disco, mas primeiro pensei na música, em como eu ia compor aquilo", explicou.
Segundo Edu, muitas faixas nasceram sem qualquer preocupação inicial em reproduzir as características tradicionais da música oriental. A prioridade era construir canções fortes e funcionais antes de acrescentar os elementos que ajudariam a contextualizar a narrativa.
"Tem vários momentos que não têm nada de Oriente Médio na construção da harmonia. Tendo esse esqueleto montado, eu coloquei a roupagem do Oriente Médio. Eu gosto de fazer o contrário. Eu vesti as coisas que já existiam com a roupagem do Oriente Médio."
O músico contou que os elementos orientais foram adicionados posteriormente através de introduções, corais, melodias e passagens específicas, sem que isso se transformasse em uma obrigação para todas as músicas.
"Eu fui fazendo algumas harmonias que não eram do Oriente Médio, não tinham essas escalas típicas. Aí, naquele momento, eu pensava: 'Aqui eu posso construir uma melodia que fique dentro do contexto da música do Oriente Médio'. Foi acontecendo dessa maneira."
Para Edu, seguir o caminho mais óbvio poderia até prejudicar a experiência do ouvinte ao longo do álbum. Por isso, ele preferiu utilizar esses recursos com moderação.
"Eu não queria aquela amarra de pensar: 'Vou fazer uma música e ela tem que ter obrigatoriamente uma coisa do Oriente Médio'. Acho que também ficaria um pouco cansativo para quem estivesse ouvindo o disco inteiro. Só aquelas harmonias típicas o tempo todo poderiam deixar o álbum repetitivo."
O resultado, segundo ele, foi um equilíbrio entre conceito e musicalidade. As referências aparecem em momentos específicos, mas sem dominar completamente a identidade sonora do trabalho.
"Eu acho que a gente balanceou bem. Tem introduções, tem partes no meio das músicas que remetem a isso, mas sem ficar muito preso ao conceito da história."
Outro motivo para essa escolha foi o desejo de tornar "MI'RAJ" acessível mesmo para quem desconhece toda a narrativa iniciada em "Vera Cruz" e continuada em "Eldorado".
"A música vai ser ouvida por pessoas que não estão muito a par da trilogia. Vai ser ouvida por pessoas que talvez nem saibam que isso faz parte de uma história maior. Então eu também não quis ficar 100% amarrado harmonicamente ao conceito."
Para o cantor, as canções precisam funcionar independentemente da trama por trás delas.
"Eu queria que as pessoas se atraíssem pela música, não apenas por um elemento isolado ligado ao conceito."
Confira a entrevista completa abaixo.
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