Ripper Owens: "Há uma razão pro Iron Maiden tocar pra 20 mil e o Judas pra 5 mil"
Por Gustavo Maiato
Postado em 24 de junho de 2026
O cantor Tim "Ripper" Owens nunca foi conhecido por medir palavras. Prestes a desembarcar na América do Sul para a turnê Masters of Voices, que reúne também Edu Falaschi, Jeff Scott Soto e Eric Martin, o ex-vocalista do Judas Priest falou ao Whiplash.Net sobre diversos momentos de sua carreira. Entre eles, um tema que ainda desperta debates entre os fãs: o tratamento dado à sua passagem pelo Judas Priest e a diferença de postura da banda em relação ao Iron Maiden.

A discussão surgiu quando Owens comentou o fato de os álbuns "Jugulator" (1997) e "Demolition" (2001), gravados durante sua passagem pelo Priest, continuarem ausentes das principais plataformas de streaming. Segundo ele, a situação dificulta que novos ouvintes descubram aquele período da banda.
"É difícil atrair novos fãs quando os discos não estão disponíveis. Dá para encontrar no YouTube, mas realmente é uma pena. Quando faço meus shows solo e toco músicas de 'Jugulator' e 'Demolition', elas funcionam melhor do que quase qualquer outra coisa. Quando tocávamos 'Burn in Hell' com o KK's Priest, a recepção era tão boa quanto a de qualquer clássico", afirmou.
Na visão do cantor, a ausência dos discos é resultado de uma decisão da própria banda. "O Judas Priest decidiu apagar esses álbuns. Foi uma decisão deles. Tudo bem, é um direito deles. Mas não faz sentido que os fãs não tenham acesso a esse material. Eles colocaram os discos numa caixa que custava 500 dólares, então obviamente existe a possibilidade de disponibilizá-los. Simplesmente escolheram não fazer isso."
Tim "Ripper" Owens e a diferença entre Judas Priest e Iron Maiden
Ao falar sobre o assunto, Owens lembrou que o Iron Maiden segue um caminho diferente. Atualmente, Bruce Dickinson eventualmente interpreta músicas lançadas originalmente durante a fase de Blaze Bayley, algo que jamais aconteceu com composições da era Ripper no Judas Priest.
"Você disse que o Rob Halford raramente toca músicas da minha fase. Na verdade, ele nunca tocou nenhuma", observou. "Mas eu acho que ele soaria fantástico cantando 'Burn in Hell'. Honestamente, provavelmente ficaria até melhor do que a minha versão. Já 'Jugulator' eu gostaria de ver ele tentando cantar", brincou.
Foi então que o vocalista estabeleceu uma comparação direta entre as duas instituições do heavy metal. Para ele, a diferença não está apenas nas escolhas artísticas, mas também na forma como cada banda é administrada.
"Você está falando do Iron Maiden, que tem uma grande administração, grandes estratégias de negócio, marketing e uma equipe fantástica. Eles estão em outro patamar. Existe uma razão para o Iron Maiden tocar para 20 mil pessoas enquanto o Judas Priest toca para cinco mil."
Owens também citou a entrada das duas bandas no Rock and Roll Hall of Fame como exemplo. Segundo ele, o Maiden teria uma postura mais inclusiva em relação aos ex-integrantes.
"Eles exigiriam que Blaze Bayley fosse incluído. Já no caso do Judas Priest, a impressão é que a resposta seria: 'De jeito nenhum, o Ripper não vai entrar'. Essa é a diferença. O Iron Maiden tem uma gestão excelente e por isso faz as coisas de outra maneira."
Apesar das críticas, o cantor fez questão de destacar que guarda ótimas lembranças do período em que integrou o Priest. Ele voltou a afirmar que a experiência foi fundamental para sua formação profissional.
"Eu sempre digo que o Judas Priest foi a minha faculdade. Aprendi tudo lá. Eles abriram as portas para mim e aproveitei a oportunidade. Foram anos incríveis. Continuo amigo de vários deles, especialmente do K.K. Downing. O que aconteceu depois não apaga os momentos fantásticos que vivi naquela época."
Atualmente, Owens segue em atividade com o KK's Priest, projetos paralelos e apresentações solo. No Brasil, ele será uma das atrações da turnê Masters of Voices, na qual interpretará clássicos do Judas Priest como "Painkiller", "Breaking the Law", "Living After Midnight" e "The Hellion/Electric Eye", além de "Heaven and Hell", eternizada pela formação do Black Sabbath com Ronnie James Dio.
Confira a entrevista completa abaixo.
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