RECEBA NOVIDADES ROCK E METAL DO WHIPLASH.NET NO WHATSAPP

Matérias Mais Lidas


Outras Matérias em Destaque

O motivo pelo qual Kurt Cobain dizia que não queria se tornar como Eric Clapton

O cara que Dave Grohl sempre considerou do Foo Fighters: "Devia estar na banda"

O dia em que Robert Plant desembolsou R$ 50 mil por causa de "Stairway to Heaven"

O guitarrista que deixou Eric Clapton maravilhado e mudou seu jeito de tocar

A bebedeira que virou um dos maiores clássicos do Deep Purple

O riff clássico do Black Sabbath que surgiu após suposta aparição de um fantasma

A inesperada melhor performance de Freddie Mercury, de acordo com Brian May

Beach Boys cancela shows e saúde de Mike Love vira alvo de rumores

O dia em que Blackie Lawless foi um cavalheiro com Doro Pesch

"Take Me Back to Eden", álbum do Sleep Token, ganha disco de platina nos EUA

Diamond Head está em hiato, confirma o guitarrista Brian Tatler

O cover do Papa Roach que levou Tarja Turunen às lágrimas

O grande hit dos Titãs que nasceu cercado por coincidências trágicas

Peavy passa por cirurgia e Rage cancela compromissos dos próximos meses

Cantora Leather Leone anuncia afastamento do mundo da música


Stamp
Edu Falaschi 2026

Téléphone: A banda que revolucionou a música francesa

Por
Postado em 13 de junho de 2026

Édith Piaf, Charles Trenet, Georges Brassens, Jacques Brel. "Na França, até os garçons discutem filosofia". Europa Ocidental, poucos países levaram a cultura e a alta intelectualidade tão a sério quanto a França. Em uma nação onde filósofos ocupavam espaços de celebridades e escritores eram tratados como figuras públicas. A identidade francesa foi construída a partir de grandes pensadores, sábios, eruditos e cultos. Desde Napoleão até Godard.

A música erudita e popular estende-se esse ideal cultural, a França valorizava muito a figura do cantor-poeta, em que as letras eram mais importantes que a melodia e a construção sonora. Porém, a partir do choque Anglo-americano, os jovens franceses descobriram: Elvis Presley, Beatles e Stones. A França entrou numa crise de identidade musical, os jovens agora questionavam o padrão e a tradição, a guitarra elétrica vira a principal arma de revolução dos adolescentes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Diante desse contexto, Johnny Hallyday e muitos outros artistas e bandas surfam na onda e se tornam intérpretes do rock americano na França, faltava autenticidade, e para um país com tanta personalidade, aquilo estava desalmado. O Rock parecia pertencer às bancadas britânicas e americanas. Muitos franceses tentavam reproduzir aquelas fórmulas, mas frequentemente soavam como imitações de algo criado em outro lugar.

Em maio de 1968, a França viveu uma das maiores convulsões sociais de sua história. Estudantes ocuparam universidades, trabalhadores entraram em greve e milhões de franceses passaram a questionar instituições que durante décadas pareciam intocáveis. O país não mudou da noite para o dia, mas uma nova mentalidade havia nascido.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

A geração que cresceu após Maio de 68 já não enxergava o mundo da mesma forma que seus pais. A juventude buscava mais liberdade, mais individualidade e novas formas de expressão. A cultura francesa continuava rica e respeitada, mas muitos jovens sentiam que ela já não representava completamente suas experiências.

Foi nesse ambiente que o rock encontrou terreno fértil. Não como uma ferramenta de destruição da cultura francesa, mas como uma forma de renová-la. A questão era que essa renovação ainda dependia fortemente de modelos importados da Inglaterra e dos Estados Unidos.

1970s: A necessidade de uma identidade cultural própria para o rock foi se intensificando, os franceses não queriam revolução, criar uma contracultura, eles precisavam de algo que fosse deles, para poder se orgulhar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O vocalista Jean-Louis Aubert e o guitarrista Louis Bertignac já tocavam juntos em projetos anteriores e compartilhavam entre si uma admiração pelo rock britânico e americano. Mas queriam criar algo genuíno sem sacrificar suas inspirações, em 1976 com a entrada da baixista Corine Marienneau e do baterista Richard Kolinka. A química foi imediata. Diferentemente de muitos grupos franceses da época, o quarteto possuía uma energia crua e espontânea, era algo bruto, verdadeiro, tinha uma essência punk de que o importante é a expressão e a música apenas. Em meio a tanta seriedade e injustiças sociais, a conexão com a juventude da época foi imediata e espontânea. Os shows rapidamente chamaram atenção, o público francês viu que existia algo que eles poderiam chamar de deles.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Téléphone não surgiu para liderar uma revolução. A revolução veio depois.

Sua capacidade de unir a energia do rock internacional com letras que faziam sentido para o público com uma complexidade diferente com a da sua cultura, fez o grupo estourar e virar a referência da época. O álbum de estreia, lançado em 1977, revelou uma banda jovem, sem excesso. Nos anos seguintes vieram discos cada vez mais ambiciosos, turnês lotadas e uma sucessão de canções que se tornariam clássicos da música francesa. Faixas como Hygiaphone, La Bombe Humaine e Cendrillon ajudaram a transformar o grupo em um fenômeno nacional. Eles se tornaram rapidamente a maior banda de rock da França e uma das maiores atrações ao vivo do país.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Diferentemente de artistas franceses mais tradicionais, o grupo se apresentava com uma energia quase física. Jean-Louis Aubert não era um cantor tecnicamente perfeito, mas transmitia emoção e urgência. Louis Bertignac construía guitarras simples, porém extremamente eficazes, misturando a influência dos Rolling Stones, The Who e do punk emergente da década de 1970. La Bombe Humaine talvez seja a canção que melhor representa o Téléphone. A letra fala da violência, da raiva e das tensões escondidas dentro de cada indivíduo. Em vez de abordar guerras ou política internacional, a banda transforma o próprio ser humano em uma bomba prestes a explodir. Musicalmente, a faixa alterna momentos de tensão e explosão, acompanhando perfeitamente a mensagem da letra.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Vendeu milhares de discos, foram reconhecidos por gigantes do rock mundial como os próprios Rolling Stones. Pela primeira vez, uma banda francesa parecia ocupar o mesmo espaço simbólico que grupos britânicos e americanos ocupavam em seus respectivos países.

Diante de diferenças criativas e pessoais e divergências, em 1986 o grupo chega ao fim. Para muitos fãs a separação foi um choque. A resposta para os dias frios e monótonos e o delírio cultural de uma época chegava ao fim. Mas o legado já tomaria conta. Ao longo das décadas seguintes, inúmeras bandas francesas surgiram em um cenário que eles ajudaram a construir. O legado de uma banda não está apenas nos discos vendidos ou nos shows realizados. Está na mudança da mentalidade que provocaram. O Téléphone não foi a primeira e nem a última banda importante da França. Mas pode ter certeza que ajudaram uma geração acreditar que sua música poderia ter identidade de uma nação tão importante. Enquanto suas canções continuarem ecoando, a revolução que iniciaram permanecerá viva.

Compartilhar no FacebookCompartilhar no WhatsAppCompartilhar no Twitter

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps


Machine Gun Kelly

publicidadeGustavo Anunciação Lenza | Luis Alberto Braga Rodrigues | Paulo Eduardo Farias | Thomas Wisiak | Rogerio Antonio dos Anjos | Miguel Angelo Leal | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Sobre Emanuel Rossetto Silva

Emanuel Rossetto Silva, 18 anos, estudioso das interseções entre música, arte e cultura contemporânea.
Mais matérias de Emanuel Rossetto Silva.

 
 
 
 

RECEBA NOVIDADES SOBRE
ROCK E HEAVY METAL
NO WHATSAPP
ANUNCIE NESTE SITE COM
MAIS DE 3 MILHÕES DE
VIEWS POR MÊS