RECEBA NOVIDADES ROCK E METAL DO WHIPLASH.NET NO WHATSAPP

Matérias Mais Lidas


Outras Matérias em Destaque

Téléphone: A banda que revolucionou a música francesa

O show de 1973 em que o Led Zeppelin tirou dos Beatles um recorde de 8 anos

As músicas favoritas dos integrantes do Rush e aquela que causava risadas amareladas

A música pedida pela gravadora que virou o hino definitivo do Kiss

A música pouco lembrada de Elton John que ele ama; "Uma grande faixa de rock and roll"

Tarja sobre o Nightwish: "Era tão infeliz, não eram tempos felizes"

10 músicas lançadas há mais de meio século que superaram 1 bilhão de plays no Spotify

O pior disco do Mastodon, segundo a Revolver Magazine

Em 1972, Mick Jagger defendeu a extinção da polícia em entrevista

Vocalista revela que o The Darkness já pensou em proibir celulares nos shows

Com mais de 40 atrações, Monsters of Rock Cruise fecha cast para viagem de 2027

A curiosa reação de Tarja Turunen ao ouvir sua voz no primeiro disco do Nightwish

A música do Led Zeppelin que Jimmy Page achava suave demais para o nome da banda

A música nua e crua dos anos sessenta que mudou a vida de Jack White

Coal Chamber cancela show para baterista operar câncer


Stamp
Eminence

Téléphone: A banda que revolucionou a música francesa

Por
Postado em 13 de junho de 2026

Édith Piaf, Charles Trenet, Georges Brassens, Jacques Brel. "Na França, até os garçons discutem filosofia". Europa Ocidental, poucos países levaram a cultura e a alta intelectualidade tão a sério quanto a França. Em uma nação onde filósofos ocupavam espaços de celebridades e escritores eram tratados como figuras públicas. A identidade francesa foi construída a partir de grandes pensadores, sábios, eruditos e cultos. Desde Napoleão até Godard.

A música erudita e popular estende-se esse ideal cultural, a França valorizava muito a figura do cantor-poeta, em que as letras eram mais importantes que a melodia e a construção sonora. Porém, a partir do choque Anglo-americano, os jovens franceses descobriram: Elvis Presley, Beatles e Stones. A França entrou numa crise de identidade musical, os jovens agora questionavam o padrão e a tradição, a guitarra elétrica vira a principal arma de revolução dos adolescentes.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Diante desse contexto, Johnny Hallyday e muitos outros artistas e bandas surfam na onda e se tornam intérpretes do rock americano na França, faltava autenticidade, e para um país com tanta personalidade, aquilo estava desalmado. O Rock parecia pertencer às bancadas britânicas e americanas. Muitos franceses tentavam reproduzir aquelas fórmulas, mas frequentemente soavam como imitações de algo criado em outro lugar.

Em maio de 1968, a França viveu uma das maiores convulsões sociais de sua história. Estudantes ocuparam universidades, trabalhadores entraram em greve e milhões de franceses passaram a questionar instituições que durante décadas pareciam intocáveis. O país não mudou da noite para o dia, mas uma nova mentalidade havia nascido.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

A geração que cresceu após Maio de 68 já não enxergava o mundo da mesma forma que seus pais. A juventude buscava mais liberdade, mais individualidade e novas formas de expressão. A cultura francesa continuava rica e respeitada, mas muitos jovens sentiam que ela já não representava completamente suas experiências.

Foi nesse ambiente que o rock encontrou terreno fértil. Não como uma ferramenta de destruição da cultura francesa, mas como uma forma de renová-la. A questão era que essa renovação ainda dependia fortemente de modelos importados da Inglaterra e dos Estados Unidos.

1970s: A necessidade de uma identidade cultural própria para o rock foi se intensificando, os franceses não queriam revolução, criar uma contracultura, eles precisavam de algo que fosse deles, para poder se orgulhar.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal
Foto: Reprodução
Foto: Reprodução

O vocalista Jean-Louis Aubert e o guitarrista Louis Bertignac já tocavam juntos em projetos anteriores e compartilhavam entre si uma admiração pelo rock britânico e americano. Mas queriam criar algo genuíno sem sacrificar suas inspirações, em 1976 com a entrada da baixista Corine Marienneau e do baterista Richard Kolinka. A química foi imediata. Diferentemente de muitos grupos franceses da época, o quarteto possuía uma energia crua e espontânea, era algo bruto, verdadeiro, tinha uma essência punk de que o importante é a expressão e a música apenas. Em meio a tanta seriedade e injustiças sociais, a conexão com a juventude da época foi imediata e espontânea. Os shows rapidamente chamaram atenção, o público francês viu que existia algo que eles poderiam chamar de deles.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Téléphone não surgiu para liderar uma revolução. A revolução veio depois.

Sua capacidade de unir a energia do rock internacional com letras que faziam sentido para o público com uma complexidade diferente com a da sua cultura, fez o grupo estourar e virar a referência da época. O álbum de estreia, lançado em 1977, revelou uma banda jovem, sem excesso. Nos anos seguintes vieram discos cada vez mais ambiciosos, turnês lotadas e uma sucessão de canções que se tornariam clássicos da música francesa. Faixas como Hygiaphone, La Bombe Humaine e Cendrillon ajudaram a transformar o grupo em um fenômeno nacional. Eles se tornaram rapidamente a maior banda de rock da França e uma das maiores atrações ao vivo do país.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - CLI
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Diferentemente de artistas franceses mais tradicionais, o grupo se apresentava com uma energia quase física. Jean-Louis Aubert não era um cantor tecnicamente perfeito, mas transmitia emoção e urgência. Louis Bertignac construía guitarras simples, porém extremamente eficazes, misturando a influência dos Rolling Stones, The Who e do punk emergente da década de 1970. La Bombe Humaine talvez seja a canção que melhor representa o Téléphone. A letra fala da violência, da raiva e das tensões escondidas dentro de cada indivíduo. Em vez de abordar guerras ou política internacional, a banda transforma o próprio ser humano em uma bomba prestes a explodir. Musicalmente, a faixa alterna momentos de tensão e explosão, acompanhando perfeitamente a mensagem da letra.

CONTINUA DEPOIS DA PUBLICIDADE - GOO
Anunciar no Whiplash.Net Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Vendeu milhares de discos, foram reconhecidos por gigantes do rock mundial como os próprios Rolling Stones. Pela primeira vez, uma banda francesa parecia ocupar o mesmo espaço simbólico que grupos britânicos e americanos ocupavam em seus respectivos países.

Diante de diferenças criativas e pessoais e divergências, em 1986 o grupo chega ao fim. Para muitos fãs a separação foi um choque. A resposta para os dias frios e monótonos e o delírio cultural de uma época chegava ao fim. Mas o legado já tomaria conta. Ao longo das décadas seguintes, inúmeras bandas francesas surgiram em um cenário que eles ajudaram a construir. O legado de uma banda não está apenas nos discos vendidos ou nos shows realizados. Está na mudança da mentalidade que provocaram. O Téléphone não foi a primeira e nem a última banda importante da França. Mas pode ter certeza que ajudaram uma geração acreditar que sua música poderia ter identidade de uma nação tão importante. Enquanto suas canções continuarem ecoando, a revolução que iniciaram permanecerá viva.

Compartilhar no FacebookCompartilhar no WhatsAppCompartilhar no Twitter

Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps


Sepultura
Edu Falaschi


publicidadeRogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel |
Siga Whiplash.Net pelo WhatsApp
Anunciar bandas e shows de Rock e Heavy Metal

Sobre Emanuel Rossetto Silva

Emanuel Rossetto Silva, 18 anos, estudioso das interseções entre música, arte e cultura contemporânea.
Mais matérias de Emanuel Rossetto Silva.

 
 
 
 

RECEBA NOVIDADES SOBRE
ROCK E HEAVY METAL
NO WHATSAPP
ANUNCIE NESTE SITE COM
MAIS DE 3 MILHÕES DE
VIEWS POR MÊS