A idéia de escrever sobre a gênese do termo heavy metal veio há um ano e meio atrás quando fomos contatados por uma famosa revista nacional afim de encontrar dados sobre o início do movimento, as razões da utilização da expressão em questão, entre outras coisas. Toda a equipe Whiplash! trabalhou para que uma resposta digna fosse apresentada aos leitores de tal publicação. Artigos foram produzidos, incluindo este, “A Polêmica Origem do Termo Heavy Metal” e o excelente “Sir Lord Baltimore, o Sirlordão”, lançado na coluna Hardão Setentista, do amigo Marcos A. M. Cruz.
Infelizmente, após receber todo o material, o repórter que nos procurou decidiu fazer uma edição acrescentando noções próprias. O resultado desastroso incluiu o Nirvana na categoria hard rock e negligenciou a existência de nomes capitais para a definição de música heavy e heavy metal. Por essas e outras, publico agora, oficialmente, o material no Whiplash!, de onde ele definitivamente não deveria ter saído.
Este artigo já nasce polêmico, assim como o estilo musical que nos motiva a escrevê-lo. É de grande dificuldade falar com exatidão a origem do termo heavy metal. Depois do sucesso da idéia, todos os compartilhantes da época (final dos anos 60) quiseram puxar a sardinha para si, e, sem um olhar epistemológico, dificilmente nos colocaremos próximos à realidade da problemática aqui apresentada.
É preciso, antes de tudo, deixar claro que “heavy metal” já possuía um significado militar e científico antes de qualquer relação sonora, e a utilização da expressão é constatada com freqüência em diversos estudos de décadas anteriores à explosão do novo estilo musical.
No início dos anos 30 fora usada para denominar armas de longo alcance e precisão. Porém, segundo William Morris, autor de “Dictionary Of Word And Phrase Origins”, o sentido dado ia além e tratava mais especificamente de tanques de guerra considerados então as sensações em aspectos tecnológicos.
O dicionário inglês Oxford trata do uso de heavy metal na ciência e relata que em 1936, no livro “Bjerrum’s Inorganic Chesmitry”, o cientista dinamarquês Niels Bjerrum trabalha, através da densidade da forma elementar do metal, a definição de ‘heavy metals’. Para ele, tais metais possuiriam densidades maiores que 7g/cm³.

O autor que ganhou grande repercussão com "Naked Lunch" (1959) - traduzido para "Almoço Nú" no Brasil (1985 - Editora Brasiliense) -, donde costumeiramente dizem que temos a origem do termo heavy metal, explorou questões sobre homossexualidade, autoritarismo, ciência e drogadicção, porém nada diretamente ligado a um estilo musical.
Sua influência no que vem a posteriori da cena musical, do rock leve ao pesado, é inegável. Todavia, ao usar o termo em “Naked Lunch”, Burroughs referia-se, em metáfora, à ingestão de “comida envenenada” nas ruas de Urano – “eating heavy metal meals on the streets of Uranus...” (BURROUGHS, 1959).
Em termos musicais, a primeira referência ao termo vem no ano de 1967 com a banda Hapshash & The Coloured Coat, em seu álbum intitulado “Featuring The Human Host And The Heavy Metal Kids”. Novamente não há referência a um estilo musical específico, inclusive o conjunto em pauta caracterizava-se por uma salada musical estranhíssima, em jams e improvisos terríveis, melhores definidos por Marcos A. M. Cruz: “uma banda banhada a ácido e fazendo bizarrices meio desafinadas”.
Um ano depois vem o mais famoso dentre aqueles que, de fato, aproximam-se do pioneirismo sobre a expressão “heavy metal” como é mais conhecida hoje. O Steppenwolf usa a frase “I like smoke and lightning, heavy metal thunder”, num dos maiores sucessos da história, a música “Born To Be Wild”.
Muitos passaram então a clamar pela original nomeação de heavy metal como uma vertente do rock, incluindo John Kay, vocalista do último grupo mencionado. Instaurou-se uma real batalha acerca do assunto. Nada muito novo se refletirmos bem. Apenas a velha história do filho renegado que faz sucesso e é conseqüentemente alvo de um instantâneo e fervoroso ‘amor’ de vários candidatos a pais. Um curiosíssimo ímpeto paterno suscitado na multidão.


As confusões com outros críticos, como por exemplo, Dave Marsh, ocorrem freqüentemente. No caso deste último, também foi um pioneiro, é verdade. Exatamente neste mesmo lançamento da histórica CREEM, Marsh definiu punk rock em artigo sobre o Question Mark And The Mysterians.
Leituras e sites recomendados:
“Let It Burt – The Life & Times Of Lester Bangs, America’s Greatest Rock Critic”
Livro de Jim DeRogatis
Site Oficial da Revista Creem
Versão original da resenha de Mike Saunders para o
álbum “Kingdom Come” do Sir Lord Baltimore)
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Thiago Sarkis: Colaborador do Whiplash!, iniciou sua trajetória no Rock ainda novo, convivendo com a explosão da cena nacional. Partiu então para Van Halen, Metallica, Dire Straits, Megadeth. Começou a redigir no próprio Whiplash! e tornou-se, posteriormente, correspondente internacional das revistas RSJ (Índia - foto ao lado), Popular 1 (Espanha), Spark (República Tcheca), PainKiller (China), Rock Hard (Grécia), Rock Express (ex-Iugoslávia), entre outras. Teve seus textos veiculados em 35 países e, no Brasil, escreveu para Comando Rock, Disconnected, [] Zero, Roadie Crew, Valhalla.
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