5 músicas famosas gravadas quando a banda estava praticamente acabada
Por Gustavo Maiato
Postado em 31 de julho de 2026
Nem sempre um grande clássico nasce no melhor momento de uma banda. Alguns discos históricos foram produzidos justamente quando seus integrantes mal conseguiam conviver, relacionamentos estavam desmoronando ou uma separação parecia cada vez mais inevitável. Curiosamente, esse ambiente turbulento às vezes resultou em músicas que sobreviveram muito mais do que os conflitos responsáveis por cercar suas gravações.
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The Beatles, The Police e Black Sabbath passaram por situações desse tipo perto do fim de determinadas formações, enquanto Pink Floyd chegou ao último grande capítulo de sua trajetória em estúdio sem saber exatamente que aquele seria o encerramento. Já o Fleetwood Mac viveu um caso particular: a banda continuou, mas os relacionamentos pessoais entre seus integrantes estavam praticamente em ruínas.
1. The Beatles - "The Long and Winding Road"
Quando os Beatles começaram a trabalhar no material que resultaria em "Let It Be", a relação entre John Lennon, Paul McCartney, George Harrison e Ringo Starr já estava profundamente desgastada. As sessões iniciadas em janeiro de 1969 deveriam representar uma volta às origens, com a banda tocando de maneira mais direta, mas acabaram registrando também alguns dos conflitos que precederam sua separação.
"The Long and Winding Road", composta por McCartney, ganhou posteriormente uma carga simbólica inevitável. A gravação básica foi realizada em janeiro de 1969, e a música acabaria incluída em "Let It Be", lançado em maio de 1970, quando o rompimento do grupo já havia se tornado público.
A versão lançada ainda provocou outro conflito. O produtor Phil Spector acrescentou orquestra e coral à gravação, decisão que desagradou profundamente McCartney. Assim, uma das baladas mais conhecidas dos Beatles não apenas nasceu durante a fase final do grupo como acabou envolvida nas próprias divergências que marcaram aquele período.
2. The Police - "Every Breath You Take"
Poucas músicas contrastam tanto com o ambiente em que foram produzidas quanto "Every Breath You Take". O enorme sucesso apareceu em "Synchronicity", de 1983, justamente quando Sting, Stewart Copeland e Andy Summers atravessavam um período de enorme tensão interna.
As sessões do álbum foram marcadas por conflitos, principalmente entre Sting e Copeland. Os integrantes chegaram a trabalhar separadamente em diferentes espaços do estúdio, enquanto a dinâmica que havia transformado o trio em um dos maiores grupos do mundo ficava cada vez mais difícil de sustentar.
"Every Breath You Take" se tornou o maior sucesso comercial do Police e ajudou "Synchronicity" a atingir proporções gigantescas. A ironia é que a banda chegou ao auge justamente quando sua trajetória conjunta estava perto de parar. Depois da turnê do disco, o trio entrou em um longo período de inatividade e só voltaria a excursionar junto décadas depois.
3. Black Sabbath - "Never Say Die"
O próprio título parece uma provocação quando observado retrospectivamente. "Never Say Die" foi lançado em 1978, em um período no qual a formação clássica do Black Sabbath estava sendo consumida por desgaste, drogas e dificuldades internas.
Ozzy Osbourne chegou a deixar o grupo durante a preparação do álbum e foi substituído temporariamente por Dave Walker, antes de retornar. O reencontro não resolveu os problemas, e as gravações de "Never Say Die!" aconteceram em meio a uma banda que já estava muito distante da estabilidade de seus primeiros anos.
A faixa-título acabou se tornando uma das músicas mais lembradas daquela fase. Em 1979, Ozzy deixou definitivamente o Black Sabbath naquele primeiro ciclo, e Ronnie James Dio assumiu os vocais. A banda sobreviveria e ainda viveria outra fase histórica, mas "Never Say Die" pertence ao último álbum da formação original antes de sua ruptura.
4. Fleetwood Mac - "Go Your Own Way"
O Fleetwood Mac não estava prestes a acabar quando gravou "Go Your Own Way", mas as relações pessoais que sustentavam aquela formação estavam praticamente implodindo. Durante a produção de "Rumours", Lindsey Buckingham e Stevie Nicks haviam terminado seu relacionamento, enquanto Christine e John McVie também atravessavam o fim do casamento.
Buckingham transformou sua separação de Nicks em "Go Your Own Way". O detalhe particularmente desconfortável é que a pessoa sobre quem ele havia escrito continuava na mesma banda, precisava participar da gravação e depois subir ao palco repetidamente para cantar a música ao lado do ex-companheiro.
O caos não destruiu o Fleetwood Mac naquele momento. O resultado foi justamente o contrário: "Rumours" tornou-se um fenômeno e colocou a banda em um patamar ainda maior. Por isso, o caso é diferente dos demais: não era o fim do grupo, mas o colapso das relações pessoais que existiam dentro dele.
5. Pink Floyd - "High Hopes"
Quando "High Hopes" encerrou "The Division Bell", em 1994, ninguém precisava tratá-la oficialmente como a despedida do Pink Floyd. Ainda assim, a composição de David Gilmour e Polly Samson ganhou esse significado com o passar dos anos.
Roger Waters já estava fora havia quase uma década, e o Pink Floyd funcionava naquele momento em torno de Gilmour, Nick Mason e Richard Wright. "The Division Bell" foi seguido por uma enorme turnê, mas o grupo não retornaria ao estúdio para produzir outro álbum convencional de novas canções com aquela formação.
"High Hopes" também ajudou a reforçar posteriormente essa sensação por seu caráter retrospectivo, olhando para juventude, escolhas e passagem do tempo. Wright morreu em 2008, encerrando qualquer possibilidade de uma continuação daquela formação. Em 2014, "The Endless River" utilizou principalmente material instrumental originado nas sessões de "The Division Bell", fazendo de "High Hopes" uma espécie de encerramento do último grande álbum tradicional do Pink Floyd.
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