O álbum do Rush rejeitado pelo público que Neil Peart guardava no coração
Por Bruce William
Postado em 31 de julho de 2026
Antes de conquistar estádios e construir uma das discografias mais respeitadas do rock, o Rush quase se perdeu numa aventura ambiciosa demais para boa parte de seu público. Lançado em 1975, "Caress of Steel" representou um salto criativo para o trio, mas a recepção passou longe daquilo que Neil Peart, Geddy Lee e Alex Lifeson esperavam.
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O álbum aprofundou o caminho iniciado em "Fly by Night", lançado alguns meses antes. Em vez de buscar músicas mais diretas, a banda apostou em estruturas longas, mudanças constantes e narrativas fantásticas. As maiores demonstrações dessa liberdade aparecem em "The Necromancer", com mais de 12 minutos, e "The Fountain of Lamneth", que ocupa praticamente todo o segundo lado do disco.
Havia momentos mais imediatos, especialmente "Bastille Day", mas eles não foram suficientes para impedir o fracasso comercial. O disco vendeu pouco, a turnê teve público reduzido e acabou ganhando entre os integrantes o apelido nada animador de "Down the Tubes Tour", algo como "turnê pelo ralo".
Neil Peart admitiu posteriormente que a rejeição havia sido especialmente dolorosa. "Nosso terceiro álbum, Caress of Steel, também era muito próximo dos nossos corações, mas o público nunca compartilhou nosso entusiasmo. Por isso, a cada novo álbum, temos certa cautela em relação à reação do público", afirmou o baterista, segundo a Far Out.
Peart também não atribuía o problema apenas à falta de compreensão dos ouvintes. "O mesmo vale para as músicas. Quando uma faixa não consegue alcançar as pessoas, a culpa realmente é sua, e tivemos essa experiência em quase todos os álbuns", completou.
A gravadora pressionou o Rush para que adotasse uma abordagem mais comercial no trabalho seguinte. O grupo fez exatamente o contrário: manteve as composições extensas, ampliou o lado conceitual e abriu "2112", de 1976, com uma suíte de mais de 20 minutos. Dessa vez, o público embarcou na viagem.
"Caress of Steel" continuou sendo um dos discos menos populares da banda, mas acabou ganhando status de obra cult entre os fãs. É o retrato de um Rush ainda tentando descobrir até onde poderia levar suas ideias - e quase pagando caro por descobrir que nem todo mundo estava disposto a acompanhá-lo.
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