A música longa que apavorou a gravadora do Queen mas acabou chegando ao topo das paradas
Por Bruce William
Postado em 31 de julho de 2026
Quando Freddie Mercury mostrou "Bohemian Rhapsody" ao produtor Roy Thomas Baker, a composição ainda parecia começar como uma balada ao piano. Então veio o aviso: "É aqui que entra a parte da ópera, querido."
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O Queen estava acostumado a ideias extravagantes, mas lançar aquela faixa como primeiro single de A Night at the Opera parecia um risco de outra ordem. Eram quase seis minutos divididos entre balada, ópera, hard rock e um encerramento melancólico - praticamente o dobro da duração habitual de um compacto.
A gravadora tentou convencer o grupo a escolher algo mais simples, relembra a Far Out. "You're My Best Friend", de John Deacon, parecia uma alternativa evidente, enquanto "I'm in Love with My Car", de Roger Taylor, também tinha dimensões mais aceitáveis para o rádio.
A banda não cedeu. Freddie Mercury entregou uma cópia ao amigo Kenny Everett, apresentador de um dos programas mais populares da Capital Radio. Everett prometeu não tocar a música inteira sem autorização e, tecnicamente, cumpriu o acordo: começou exibindo apenas pequenos trechos.
A provocação funcionou. Os ouvintes passaram a pedir a gravação completa, e a pressão cresceu até que Everett finalmente recebeu permissão. Em dois dias, tocou "Bohemian Rhapsody" 14 vezes.
Quando gravações do programa chegaram a emissoras dos Estados Unidos, a gravadora percebeu que já não controlava a situação. O público havia transformado uma música considerada inviável num lançamento aguardado.
"Bohemian Rhapsody" permaneceu nove semanas no primeiro lugar britânico, foi o número um do Natal de 1975 e levou o Queen ao top 10 americano pela primeira vez. A faixa que assustava os executivos acabou fazendo exatamente o que a banda pretendia: transformou o grupo numa potência mundial sem pedir que ele parecesse normal.
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