British Lion - show feito para os verdadeiros fãs de Steve Harris
Resenha - British Lion (Fabrique Club, São Paulo, 05/12/2024)
Por Diego Camara
Postado em 10 de dezembro de 2024
A grande vantagem de ver um show do British Lion é realmente estar próximo de uma das mais importantes e proeminentes figuras do Heavy Metal: o baixista Steve Harris, do Iron Maiden. Sejamos sinceros: não há nada de muito especial no British Lion que pudesse fazer uma quantidade razoável de pessoas irem até a Fabrique Club, se não fosse ele. Vê-lo de perto, em uma casa pequena onde nunca tocaria em outras circunstâncias, é o verdadeiro espetáculo.
Primeiro, subiu ao palco Tony Moore com seu projeto Awake, que basicamente é o multi instrumentalista ex-Iron Maiden, com seu teclado, guitarra e extravagância tocando algumas músicas próprias. É um som profissional, com uso extremo da música de fundo que preenche a composição inteira, ficando a cabo de Moore apenas uma fração do ao vivo. O show não chama grande atenção além da própria presença e do carisma do músico.
O British Lion foi subir ao palco com 10 minutos de atraso para seu show. Apesar da noite caótica, e da grande quantidade de chuva que atingiu a cidade, um bom público encheu a Fabrique Club – provavelmente o melhor público do British Lion nesta turnê pela América do Sul – e alguns fãs arranharam os vocais de "This Is My God" logo de início. O público, porém, estava mais lá para assistir do que qualquer coisa, e a maioria apenas observava com atenção cada movimento da banda.
A qualidade do som de palco foi decente durante o show, não sendo a melhor possível para a casa, mas ficando distante dos piores shows apresentados na Fabrique. Uma boa puxada no violão por Richard Taylor em "Judas" agradou os fãs, e o som do baixo, ressaltado em cada uma das músicas, era a única mostra de quem era a estrela do espetáculo: fora isso, não há estrelismo, não há holofote diferenciado nem tratamento especial, o cara estava ali apenas para tocar com sua banda – tem artistas que fariam de tudo para aparecer numa situação dessas, não é o caso de Harris.
O British Lion toca um estilo clássico, que margeia no Hard Rock antigo e representa a vontade do baixista em tocar no estilo que o fez famoso: de volta as raízes, sem as pressões que envolvem o trabalho extremamente profissional do Maiden. A banda tem um bom som e músicos profissionais, que entregam muito bem na apresentação: o trabalho das guitarras é consistente durante todo o show, assim como a cozinha de Simon Dawson, que trabalha com ótima consonância com o baixo de Steve.
"2000 Years" tem um som chamativo e cativante, em especial o refrão, que faz o público para cantar junto, se animando bastante. "The Burning" é um dos grandes sucessos do Leão, contando com um solo bom na introdução e belíssimas tiradas de baixo de Steve Harris. Os fãs interagiram bastante em "These Are the Hands" e "A World Without Heaven", a primeira música tocada por Leslie e Taylor junto de Harris no início da década de 90.
"Us Against the World" é uma das melhores músicas da banda para tocar ao vivo: o refrão pegajoso é fácil, o público pega ele rapidamente e aplaude muito no final. "Lightning" é outra que caiu no gosto dos fãs, especialmente pelo trabalho firme da guitarra, com outro solo emocionante: o público puxou o coro, acompanhando a emoção do momento, e bateu cabeça com vontade.
Fechando o show, a banda mandou muito bem com "Last Chance" e "Eyes of the Young", mostrando o conjunto das habilidades em duas músicas potentes e clássicas. Quando o show acabou, ficou na cara o quanto ele serviu como um termômetro para os grandes fãs do Iron Maiden.
Setlist
This Is My God
Judas
Father Lucifer
Bible Black
2000 Years
The Burning
Legend
These Are the Hands
A World Without Heaven
Spit Fire
Land of the Perfect People
The Chosen Ones
Us Against the World
Wasteland
Lightning
Last Chance
Eyes of the Young
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