City and Colour: uma apresentação emocionante para um público apaixonado
Resenha - City and Colour (Tokio Marine Hall, São Paulo, 16/06/2024)
Por Diego Camara
Postado em 18 de junho de 2024
Foram oito anos desde os shows no Cine Joia em São Paulo, e o que impressiona é como a banda de Dallas Green cresceu de público: saiu o apertado Cine Joia, com seu formato bastante exótico, para o Tokio Marine Hall, uma casa grande com um palco espaçoso na Zona Sul de São Paulo. Muita gente foi até lá para conferir o retorno do guitarrista, que deixou a pista e os camarotes pequenos para tanta gente. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.
A apresentação começou na hora marcada, e o público lotou a pista do Tokio Marine Hall de uma ponta a outra, em um misto de tribos de públicos diferentes: dos fãs do hardcore do Alexisonfire até os fãs do rock alternativo e acústico que se característica o som do City and Colour.

O som estava perfeito desde o início, especialmente nos vocais de Dallas Green, que puxaram o ânimo do público. O intimismo da banda, com seu som lento e envolvente, trouxe a magia ao palco da casa, e o público respondeu com muita cantoria e paixão. Inclusive essa foi a constante em quase todo o show: o público cantou em todas as músicas, puxando o refrão ou participando do ritmo junto com a voz de Green.

Um dos primeiros destaques do show foi "The Love Still Held Me Near". A música cheia de melancolia, vagarosa e com seu ritmo arrastado, contrastou com o público, que cantou a letra com muita vontade. A beleza da voz de Green aqui é a cereja do bolo: o cantor consegue trazer todo o sentimento para fora de maneira muito especial, e o som da casa não faltou um minuto também para com ele.

Com "We Found Each Other in the Dark", Green pediu ao público que fossem gentis um com os outros, pois este era o tema da música. Além disso, sua satisfação do show ficou latente com seu comentário de que deveria ter voltado antes do Brasil. O público recebeu muito bem esta, cantando de leve e puxando a introdução junto com os vocais da banda. Outra apresentação lindíssima, que levou aqui e ali os fãs as lagrimas.

A sequência posterior teve um foco maior nos instrumentos. "Weightless" e "Underground" tiveram uma presença forte nas guitarras, que contrastavam com o vocal arrastado de Dallas Green. A apresentação ganhou com a complexidade do som, e a qualidade da casa deu um passo adiante: era possível ouvir cada um dos instrumentos da música, por si, e todos soavam com a mesma perfeição. A música foi coroada com a performance do público, que puxou os vocais a capella na parte final.

O silêncio se fez na casa, quando os teclados de maneira bastante intimista puxaram a introdução de "Astronaut". Logo em seguida, "The Grand Optimist" brilhou novamente na voz de Dallas Green e no seu trabalho de violão, muitas das vezes deixado de lado, mas peça importante para a dualidade do som da banda, com seu perfil de calma e melancolia em conflito com a potência instrumental de algumas canções.

Quando o show foi chegando na sua parte final, o público foi premiado com a dançante "Hard, Hard Time", onde o público novamente cantou junto do início ao fim. Logo em seguida tocaram "Hello, I’m in Delaware", do primeiro disco solo de Green, que em breve fará 20 anos de idade. A música lenta e arrastada não fez com que o público deixasse de cantar por um momento sequer, dando um clima mágico novamente ao show.

No final, o show fechou com "Bow Down to Love", com uma apresentação dinâmica e mais um ponto forte do trabalho da banda de apoio. A música é completada com um solo de guitarra potente, que ajuda a elevar o ânimo do público por mais uma vez.

Passaram-se alguns minutos e Dallas Green voltou ao palco, tocando "Northern Wind" com voz e violão. A beleza poética da canção trouxe paz a pista do Tokio Marine Hall, e o público respondeu com paixão, dividindo com ele os vocais. O medley escalou ainda mais a relação de amor dos fãs, e novamente o belíssimo trabalho dos vocais de Green encheu a casa, assim como as duas últimas: "Lover Come Back" e "Sleeping Sickness".
O final do show foi uma das mais belas demonstrações de entrega de um público para um músico: uma cantoria maravilhosa e com várias pessoas muito emocionadas.

No final, os fãs mais aficionados do Alexisonfire talvez tenham ficado um pouco decepcionados com o show – se eles esperavam pelo menos alguma música da banda. A promessa de fazer um moshpit, que algumas pessoas próximas de mim na pista fizeram, acabou ficando só na vontade. Mas talvez, quem sabe o Alexisonfire retorne em breve ao Brasil para acalmar o coração dos fãs da versão pesada de Dallas Green? Torçamos.

Setlist:
Meant to Be
Living in Lightning
Northern Blues
Thirst
The Love Still Held Me Near
Two Coins
We Found Each Other in the Dark
Weightless
Underground
Astronaut
The Grand Optimist
Nutshell (cover do Alice in Chains)
Little Hell
Waiting...
Hard, Hard Time
Hello, I'm in Delaware
Bow Down to Love
Encore
Northern Wind
Comin' Home / This Could Be Anywhere in the World (música do Alexisonfire)
Lover Come Back
Sleeping Sickness








Receba novidades do Whiplash.NetWhatsAppTelegramFacebookInstagramTwitterYouTubeGoogle NewsE-MailApps



Dimmu Borgir confirmado no Liberation Festival em São Paulo
A banda que era a "versão brasileira do Iron Maiden", segundo Max Cavalera
A música do Led Zeppelin que Brian May considera insuperável na obra da banda
Rush volta aos palcos e inicia a turnê "Fifty Something"; confira setlist
Os melhores discos de 15 gigantes do thrash metal, segundo o Loudwire
Fabio Lione homenageia Andre Matos e alfineta: "ninho de cobra que conhecemos bem"
O álbum inesperado de estreia que virou o disco de rock mais vendido dos anos 90
A frase desesperada de Dave Grohl para tentar evitar a morte de Kurt Cobain
Veja a performance completa de Anika Nilles no primeiro show com o Rush
A música mais importante que Roger Waters escreveu para "Dark Side of the Moon"
Por que Paulo Ricardo se arrependeu da única intervenção estética que fez na vida?
A música que salvou a carreira de Ozzy Osbourne e se tornou um símbolo pop do metal
O disco do Jethro Tull que Ian Anderson achava que passou do ponto e ficou complicado demais
A banda brasileira infiltrada entre hits do rock na trilha sonora do novo filme do He-Man
O hit que deu segurança financeira ao Judas Priest, segundo Ian Hill


Resenha e fotos do show da banda Dogma em Porto Alegre
Wolf Alice e Lykke Li transformam o Vivo Rio em ponto de encontro do indie europeu
CDM Metal Fest - Metal como resistência cultural no Sul de Minas Gerais
Bandas impressionam, mas repetem padrão com público no segundo dia do C6 Fest
Nação Zumbi celebra 30 anos de Afrociberdelia no Circo Voador em noite de celebração coletiva
Mesmo com chuva, Korn preenche o Allianz Parque em apresentação única
Como uma música de 23 minutos me fez viajar 500 km para ver uma das bandas da minha vida
Deicide e Kataklysm: invocando o próprio Satã no meio da pista


