The Hellacopters: espetacular show de rock 'n' roll em São Paulo

Resenha - Hellacopters (São Paulo, Carioca Club, 14/03/2020)

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Por Jorge A. Silva Junior
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Fotos: Lucca Miranda (Solid Music)

Dezessete anos se passaram desde a primeira e única apresentação do HELLACOPTERS em São Paulo. Na ocasião, desfrutando de certo destaque internacional pelo lançamento dos ótimos álbuns 'High Visibility' (2000) e 'By the Grace of God' (2002), o grupo sueco foi uma das atrações do extinto festival Kaiser Music (2003), realizado no Estádio do Pacaembu e que também contou com DEEP PURPLE e SEPULTURA. Agora, quase duas décadas depois, Nicke "Royale" Andersson (vocal, guitarra), Matz Robert Eriksson (bateria), Dregen (guitarra, BACKYARD BABIES), Anders Lindström (teclado) e Rudolf DeBorst (baixo) desembarcaram na capital paulista e compensaram o atraso com um show simplesmente espetacular no Carioca Club.

Fotos: Lucca Miranda (Solid Music)

Sempre foi uma tarefa difícil encaixar o HELLACOPTERS em algum subgênero do rock. A vasta lista de influências que resultou na sonoridade única da banda tem sua raiz fincada nos primórdios do punk e garage rock, mas também inclui o peso e feeling do hard rock setentista. De qualquer forma essa discussão pode ser considerada irrelevante se for levado em conta o alto nível das composições e principalmente das apresentações ao vivo, que devido ao repertório sempre certeiro e presença de palco explosiva podem ser classificadas como 100% rock 'n' roll.

O fato de o grupo não lançar um disco de estúdio completo há 12 anos - o último foi 'Head Off' (2008) - e, obviamente, a tensão causada pelo novo Corona Vírus, que foi classificado como pandemia pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na última quinta-feira (12) pareceu não fazer tanta diferença para o público, que compareceu em grande número e fez com que a casa chegasse bem perto de sua lotação máxima.

Em meio a um clima de muita ansiedade a banda entrou em cena com um atraso de quarenta e cinco minutos, às 19h45, mas de forma avassaladora com "Hopeless Case of a Kid in Denial", que mostrou ser a escolha perfeita para a abertura - o público cantou a letra inteira de maneira frenética e mal se podia escutar os vocais de Nicke "Royale". Ainda sob êxtase geral, na sequência vieram a pesada "Alright Already Now", o hit "Carry Me Home" e o petardo "You Are Nothin'".

Vale lembrar que o HELLACOPTERS entrou em um hiato em 2008 e retomou as atividades em 2016. Infelizmente apenas um ano depois do retorno, o guitarrista Robert Dahlqvist veio a falecer, tendo seu posto ocupado por Dregen, que integrou a formação original e gravou os dois primeiros álbuns - 'Supershitty to the Max!' (1996) e 'Payin' the Dues' (1997). Aliás, Dregen foi um show à parte. Durante todo tempo o cara esbanjou atitude Rock/Punk, tanto na maneira de tocar quanto no visual. Ele também abusou da dança do pato manco que CHUCK BERRY popularizou e até ascendeu alguns cigarros, um deles compartilhado com Nicke. Este, inclusive, se refrescou em certo momento com uma bela long neck de cerveja Corona.

Boa parte do repertório focou os primeiros trabalhos. E desta fase, digamos, mais pesada e suja estiveram presentes "Born Broke", "Ghoul School", "Psyched Out & Furious" e "Soulseller". Em contrapartida a belíssima "My Mephistophelean Creed", que foi composta também nos primórdios, mas lançada oficialmente em formato de EP apenas em 2016, foi um dos pontos altos da noite - uma verdadeira "viagem", como diriam os roqueiros antigos. Seguindo essa pegada cadenciada o outro destaque ficou por conta de "No Song Unheard", sem dúvida uma das melhores músicas de toda a carreira e que também funciona muito bem ao vivo.

Mas o local realmente veio abaixo quando Rudolf DeBorst fez a famosa introdução de baixo de "Toys and Flavors", música de maior sucesso comercial do grupo. O refrão foi cantado em uníssono de maneira que ficou complicado até escutar o que saía dos PAs. Naquele momento a banda estava visivelmente impressionada com tamanha interação.

A parte final ainda reservou espaço para momentos de pura agitação, como na chuckberryana "Before The Fall", além da conhecida "By The Grace Of God" e de "I'm In The Band", faixa do álbum 'Rock & Roll Is Dead' (2005). Um jeito interessante de resumir a apresentação pode ser: se algum dia um leigo lhe perguntar o que é um verdadeiro show de rock 'n' roll, leve-o para ver o HELLACOPTERS.

Logo após o evento conversei com dois leitores do Whiplash.Net, que também estiveram presentes na primeira vinda do HELLACOPTERS há 17 anos e falaram sobre o que viram no Carioca Club.

"Foi perfeito, 7x1 pra eles! Parecia o último show dos caras. Na primeira vez que os vi, em 2003, eles pareciam tocar tudo que podiam porque quase ninguém os conhecia. Mas hoje, mesmo com casa lotada e o público só deles, a banda tocou igual ou com ainda mais vontade. Foi uma pancada atrás da outra, sem tempo para respirar", disse Alexandro Gomes.

Gian Mazzi, 34, seguiu linha semelhante: "Foi uma apresentação de rock como não se via há muito tempo por aqui. Muita energia, teve aquela veia punk também. Fiquei impressionado com a loucura da galera cantando todas as músicas. E os caras perceberam e entregaram exatamente o que se esperava deles", relatou.

CORAZONES MUERTOS

A banda liderada pelo argentino erradicado no Brasil Joe Klenner (vocal, guitarra) ao lado de Ziggy (guitarra), Indio (baixo) e Jeff Molina (bateria) fez um ótimo esquenta, tocando por quase uma hora som autoral altamente recomendado com notáveis influencias de NEW YORK DOLLS, DEAD BOYS e JOHNNY THUNDERS & THE HEARTBREAKERS. Os destaques ficaram por conta de "Death & Glory", "Don't Kill Rock & Roll" e o cover de "My Brain Is Hanging Upside Down" dos RAMONES. Para mais informações, acesse www.facebook.com/officialcorazonesmuertos.

URUTU

Infelizmente não foi possível entrar a tempo de acompanhar o URUTU, grupo paulistano de crossover formado Thiago Nascimento (vocal), Eduardo Vaz (baixo), Felipe Nizuma (guitarra) e Thiago Babalu (bateria). Para conhecer o trabalho, acesse www.facebook.com/vrvtv.

THE HELLACOPTERS - Set List
Carioca Club - São Paulo (14/03/2020)

01. Hopeless Case of a Kid in Denial
02. Alright Already Now
03. Carry Me Home
04. You Are Nothin'
05. Born Broke
06. Like No Other Man
07. The Devil Stole the Beat From the Lord
08. My Mephistophelean Creed
09. Ghoul School
10. No Angel to Lay Me Away
11. Toys and Flavors
12. Down on Freestreet
13. Long Gone Losers
14. No Song Unheard
15. Psyched Out & Furious
16. Before the Fall
17. Soulseller
18. By the Grace of God

Bis:

19. Tab
20. I'm in the Band
21. (Gotta Get Some Action) Now!



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Sobre Jorge A. Silva Junior

Jorge Junior é paulistano, jornalista diplomado e colaborador do Whiplash.Net desde 2009. Tem mais de 400 matérias e notas publicadas, que somam aproximadamente um milhão e meio de acessos. Também realizou a cobertura de shows de grande porte, entre eles Ringo Starr, Eric Clapton, Deep Purple, System Of A Down, Red Hot Chili Peppers e Ozzy Osbourne. O autor pode ser seguido no Twitter: @jorgejunior85.

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