Iron Maiden: Banda vence mais uma vez no Morumbi e continua na liderança do metal

Resenha - Iron Maiden (Morumbi, São Paulo, 06/10/2019)

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Por Daniel Abreu
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O estádio do Morumbi em São Paulo já foi palco de diversos clássicos e jogos históricos do futebol nacional. Os corintianos mais velhos até hoje não se esquecem qual foi a sensação de sair da fila após o gol de Basílio no campeonato paulista de 1977 contra a Ponte Preta de Campinas. Já os palmeirenses adoram lembrar da defesa do goleiro Marcos contra o ídolo corintiano Marcelinho Carioca na Libertadores de 2000. Isso lhe rendeu o apelido de São Marcos. Os santistas por sua vez sonham até hoje com as pedaladas mágicas de Robinho contra o lateral Rogério do Corinthians na conquista do campeonato brasileiro de 2002. Os donos da casa, os são paulinos, adoram lembrar da máquina tricolor comandada pelo mestre Telê Santana e a conquista do primeiro título da Libertadores de 1992 contra os argentinos do Newell's Old Boys.

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Porém, no último domingo (6), o estádio Cícero Pompeu de Toledo foi a casa do Iron Maiden em sua visita a cidade de São Paulo, parte da turnê Legacy of the Beast, e de seus fãs, ou melhor dizendo, torcedores! Sim, pode se dizer que a trupe liderada pelo baixista Steve Harris atualmente não possui no Brasil apenas fãs, mas sim torcedores fanáticos. No mesmo nível de corintianos e palmeirenses. O amor e a devoção que essas pessoas possuem por essa banda inglesa é algo muito especial e único no mundo do metal e da música. Não consigo ver esse tipo de "religiosidade" por bandas como U2, e isso não é uma crítica que eu faço aos irlandeses e seus seguidores, apenas uma constatação. Obviamente que esse fanatismo muitas vezes pode cegar, mas isso é outro papo.

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Falando sobre o show, o Raven Age, banda do filho do baixista do Maiden, aqueceu os cerca de 60 mil torcedores em uma tarde de clima mais frio na cidade de São Paulo. Será que eles acharam que estavam em Londres? O grupo, que estava divulgando seu último lançamento Conspiracy (2019), faz um metal alternativo, mais melódico e com groove, agradando boa parte dos presentes. Porém, e isso não é um demérito ao quinteto, nunca tocaria em um Morumbi lotado se não fosse por conta do fator "pai". De qualquer forma, banda extremamente afiada e competente.

Já o Iron Maiden vem desde o ano passado, mais exatamente 26 de maio, divulgando a "Legacy of the Beast World Tour". Ela é baseada no fraco jogo de mesmo nome que foi lançado em 2017. O setlist, que não muda durante toda a turnê, é formado por algumas músicas do jogo, portanto, a maioria clássicos do grupo desde 1980. Durante a preparação para a turnê, em entrevistas o vocalista Bruce Dickinson revelou que algumas surpresas estavam sendo preparadas e que provavelmente algumas músicas seriam apresentadas pela última vez. Em terras tupiniquins, os shows ocorreram no Rock In Rio (4), São Paulo (6) e em Porto Alegre (9).

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Como é de costume, pontualmente às 20 horas, o público começou a escutar os primeiros acordes de "Doctor, Doctor" da banda UFO, grande inspiração para o som do Maiden e de quem Harris "chupou" vários elementos que até hoje são marca registrada da banda. Logo em seguida o vídeo de abertura do clipe "Aces High" tomou lugar e com as palavras inspiradores de Winston Churchill a banda colocou o pé na porta com a faixa que abre o disco Powerslave de 1984. O teatro de fantasias e sonhos que o Iron Maiden promove se iniciava naquele momento.

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O legal dessa turnê, e os shows aqui no Brasil mostraram isso, é que eles conseguiram um ótimo mix de clássicos que não podem faltar ("The Trooper", "Fear of the Dark", "The Number of the Beast", "Hallowed Be Thy Name" e "Run to the Hills") com algumas músicas que geralmente não constam no setlist. Talvez o caso mais emblemático disso seja "Flight of Icarus", que não entrava nos shows da banda desde os anos oitenta! Isso é algo que o Maiden faz com maestria. Desde 2005 eles têm como costume intercalar disco novo com turnês comemorativas, dando espaço para "deep cuts", como os americanos dizem. Enfim, raridades.

Outro ponto muito legal é a parte visual. O show é repleto de efeitos visuais, explosões, avião gigante, chamas de fogos, um lança chamas, além das diversas trocas de roupas de Bruce, aumentando a dramaticidade do espetáculo. Realmente a Donzela de Ferro sabe como preparar um show épico.

Obviamente eu não posso me esquecer de falar da performance musical de Bruce, Steve, Dave, Janick, Adrian e Nicko. Não adianta nada duas horas de explosões e lancha chamas se na parte que interessa o sexteto londrino não consegue dar conta, correto?

Com mais de 40 anos de estrada, o Iron Maiden ainda consegue parecer tão bom quanto no começo de carreira. É claro, eles deram uma desacelerada com o passar das décadas, ninguém mais ali tem 20 anos, mas mesmo assim os velhinhos continuam dando conta do recado. Não tem como se decepcionar. As três primeiras músicas são um exemplo disso. "Aces High", "Where Eagles Dare" e "2 Minutes to Midnight" foram compostas na primeira metade dos anos oitenta e exigem da voz de Bruce. E, mesmo após passar por um câncer de língua em 2015, ele continua tirando de letra. Já mais para o final do show, com a voz um pouco mais cansada, ele, que sabe que tem o público na palma da mão, aproveita para usar os torcedores do Maiden para cantarem o refrão de "Run to the Hills" e encerrar mais uma visita do grupo na cidade de São Paulo.

Após quinze músicas e quase rouco de cantar os versos que marcaram, e continuam marcando a minha vida, eu tenho uma certeza: show do Iron Maiden é igual a uma final de campeonato. A diferença é que no final você sabe que o seu time vai sair campeão, não importa o resultado. E isso é bom demais!

Antes de finalizar essa resenha, eu quero fazer uma crítica aos organizadores do evento. Eu poderia escolher diversos pontos que são um absurdo em shows grandes, como o preço abusivo que é praticado. Eu tenho sempre a impressão de estar adentrando em uma outra dimensão, no qual uma cerveja é cobrada em libra, porém eu ganho em real – e estamos falando de cerveja Itaipava, gente!

Mas eu quero apontar para um problema que eu já presenciei diversas vezes no estádio do Morumbi: a saída. Eu acompanhei o show na pista premium e na hora que a apresentação terminou havia apenas um pequeno portão para escoar o público que estava nesse setor para os arredores do estádio. Sabe boi a caminho do abatedouro? Então, igualzinho. Algum idiota pode dizer, "Quer conforto assiste em casa", porém a questão é o volume de pessoas que ficam aglomeradas. Muitas aproveitaram a chance para tomar uma ou outra assistindo a sua banda favorita. A chance de um acidente ocorrer é muito grande. Acho que os fãs poderiam ficar mais atentos e cobrarem os organizadores, que ganham muito dinheiro às custas de nós fãs cegos, e das autoridades que deveriam fiscalizar esse tipo de evento para evitar uma tragédia.

Setlist:
Aces High
Where Eagles Dare
2 Minutes to Midnight
The Clansman
The Trooper
Revelations
For the Greater Good of God
The Wicker Man
Sign of the Cross
Flight of Icarus
Fear of the Dark
The Number of the Beast
Iron Maiden
Encore:
The Evil That Men Do
Hallowed Be Thy Name
Run to the Hills




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Sobre Daniel Abreu

Jornalista formado pela Universidade Paulista (UNIP). Apaixonado por cultura desde moleque, começou a escrever sobre música na internet em 2014. Anos depois fundou o Literatura do Rock no Instagram, Facebook e Youtube, tratando apenas de livros sobre rock. Em 2019 fundou o Geleia Mecânica com a proposta de falar sobre cinema, arte e, principalmente, música da melhor qualidade. Atualmente, trabalha com levantamento de dados na Secretaria da Educação do Estado de São Paulo. Também é redator do Whiplash.Net, o maior site de rock e heavy metal do Brasil.

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