Aracaju: uma noite Viscerall para o underground
Resenha - Viscerall, Tchandala e Reunion X (Lado B Studio Pub, Aracaju, 18/05/2019)
Por Cris Figueiredo
Postado em 18 de junho de 2019
Na noite chuvosa do sábado, 18 de maio, a princípio silenciosa, Aracaju vivenciou uma celebração do mais puro e autêntico Heavy Metal, surpreendendo aos mais jurássicos dos Metalheads presentes, tamanha a qualidade das bandas e o envolvimento do público, transformando o show no Lado B Studio Pub num verdadeiro espetáculo de Metal intimista, termo, aparentemente, fora de contexto, mas que traduz, literalmente, o que aconteceu - sem diminuir o volume, o peso e a distorção, principais características do estilo - arriscaria dizer que foi algo excepcional, até mesmo, para as bandas do cast.

Os trabalhos tiveram início por volta das 22h, com a subida ao palco da banda Tchandala - na estrada desde 1996, quatro discos lançados - uma das maiores expressões do Heavy Metal no Nordeste e, principalmente, do estado, mostrando competência e uma qualidade indiscutível nas suas canções, claramente refletida na empatia com os headbangers presentes ao iniciarem os primeiros acordes de The Flame, aquecendo o ambiente e dando sequência com Labyrinth, já sinalizando que os caminhos dessa noite seriam de temperaturas elevadas e, ao riff de One Billion Light’s, a saga dos nordestinos viria à tona, mostrando o quanto é duro sonhar e ter esperanças vivendo no agreste, porém, em seguida, parte da resposta ao sofrimento desse povo surge com Valley of Greed, mas, a batalha não parou aí e continuou com Fantastic Darkness, provando que esses caras não se rendem e nem se deslumbram com o show business, mantendo os pés no chão, segue a candência com Shadows e Tears of River, clamando pela preservação do meio ambiente e, inexoravelmente, da vida, quando nos surpreendem, positivamente, mais uma vez, com a intrigante Echoes Through the Fourth Dimension na sequência e, sem deixar decair o ritmo a frente dos presentes, eis que surge a, talvez, mais aclamada pelos fãs, Mirror of Decay, uma pancada conclamando a marcharmos juntos e, bradando pelo politicamente correto, sugerindo nos colocarmos no lugar do outro, Flatland prepara a marretada final - resistindo e superando às dificuldades de fazer Metal no Brasil e, principalmente, no Nordeste - com Resilience, encerrando sua participação nessa noite, que ficará na memória dos camisas pretas de Aracaju. Excelente show dessa pérola nordestina, que ainda não recebeu o seu devido valor e lugar, mais que merecido, ao sol.

Por volta da meia noite, os baianos da Viscerall, atração principal do cast, surgem no palco ao som da sua épica e marcante Intro, pareciam estar em casa, diante da imediata interação e calorosa receptividade do público presente que, mesmo numa noite nublada e chuvosa, se fez presente no lado B Studio Pub, celebrando a força do Metal nordestino e do Brasil. Na estrada desde 2016, formada pelos experientes Alexandre Humildes (vocal), André Fiscina (Baixo), Davi Carvalho (teclados), Gleuber Machado (guitarrista), Igor Tavares (guitarrista) e Leandro Araújo (bateria), iniciam o set chutando a porta de entrada da cidade de Aracaju, com Death Machine - canção tema do Lyric Vídeo divulgado nas redes sociais em 2018 e bem recepcionado pelo público nacional e até internacional - uma sacudida nos Metalheads mais curiosos na casa. Na sequência, mantendo a temperatura em alta, Keeping the Flame Alive faz um convite aos camisas pretas manterem a cena viva e nossa bandeira, permanentemente hasteada; uma canção com a força do Metal, a maestria da música clássica e melodias marcantes, daquelas que ao dormir sonhamos com elas. O massacre seguiu testando a resistência dos batedores de cabeças, sem tréguas, com a pesada e cadenciada Between the Cross and the Sword, simplesmente uma marretada pra impulsionar nosso exército metálico a seguir marchando, sem temer obstáculos e firmes no propósito. Dando seguimento ao setlist, bastante singular eu diria, fomos brindados com um hard/heavy, longe do convencional, Into the Darkness (pelo que pude apurar, uma das favoritas da banda), mostrando que a música pesada não reconhece fronteiras, colocando abaixo qualquer tipo de prisão ou limite, trazendo uma mensagem muito forte sobre as drogas em sua letra, alertando sobre o sofrimento em viver na escuridão; magnífica composição.
Rogerio Antonio dos Anjos | Luis Alberto Braga Rodrigues | Efrem Maranhao Filho | Geraldo Fonseca | Gustavo Anunciação Lenza | Richard Malheiros | Vinicius Maciel | Adriano Lourenço Barbosa | Airton Lopes | Alexandre Faria Abelleira | Alexandre Sampaio | André Frederico | Ary César Coelho Luz Silva | Assuires Vieira da Silva Junior | Bergrock Ferreira | Bruno Franca Passamani | Caio Livio de Lacerda Augusto | Carlos Alexandre da Silva Neto | Carlos Gomes Cabral | Cesar Tadeu Lopes | Cláudia Falci | Danilo Melo | Dymm Productions and Management | Eudes Limeira | Fabiano Forte Martins Cordeiro | Fabio Henrique Lopes Collet e Silva | Filipe Matzembacher | Flávio dos Santos Cardoso | Frederico Holanda | Gabriel Fenili | George Morcerf | Henrique Haag Ribacki | Jorge Alexandre Nogueira Santos | Jose Patrick de Souza | João Alexandre Dantas | João Orlando Arantes Santana | Leonardo Felipe Amorim | Marcello da Silva Azevedo | Marcelo Franklin da Silva | Marcio Augusto Von Kriiger Santos | Marcos Donizeti Dos Santos | Marcus Vieira | Mauricio Nuno Santos | Maurício Gioachini | Odair de Abreu Lima | Pedro Fortunato | Rafael Wambier Dos Santos | Regina Laura Pinheiro | Ricardo Cunha | Sergio Luis Anaga | Silvia Gomes de Lima | Thiago Cardim | Tiago Andrade | Victor Adriel | Victor Jose Camara | Vinicius Valter de Lemos | Walter Armellei Junior | Williams Ricardo Almeida de Oliveira | Yria Freitas Tandel | A essa altura do show, a banda Viscerall proporciona o momento mais emocionante da noite, surpreendendo aos presentes, faz uma merecida homenagem a Fábio Andrade, ex-proprietário do Lado B Studio Pub - falecido no início deste ano - e também, a sua ex-companheira, que segue a frente da casa, Araceli Rodrigues, executando, de forma particular e mágica, a canção All That I Bleed, da consagrada e lendária banda norte-americana, Savatage, simplesmente de arrepiar diante da aclamação do público, que interagiu de forma quase solene fazendo desse momento, único.
Retornando ao repertório autoral, a curta Act Seven faz a transição - com uma breve apresentação dos membros da banda - para, a também instrumental, Krusaders, provocando o exército de Headbangers à cerrar fileiras na peleja em nome do Metal, para, logo em seguida colocar os corações à prova, eis que soam os acordes de mais uma surpresa da noite, Metal Heart, tributo ao Accept, destacada e emblemática banda alemã, mais um momento excepcional do show, quando o golpe final é proferido com Age of Steel, cortante como o aço, chamam os verdadeiros para construir o nosso Império Metálico.

Fica o gostinho de quero mais, anunciando que breve estarão de volta às terras sergipanas, para celebrar o reencontro com os Metalheads do estado, esperando que não demore muito.
Porém, ainda tinha muita celebração pela frente, eis que, próximo às 2h da manhã, sobe ao palco a banda Reunion X (tribute band), anunciando que a noite ainda se prolongaria madrugada a dentro, executando grandes clássicos do Metal. O público, por sua vez, cantou junto com a banda uma música atrás da outra e o repertório não decepcionou, iniciando o tributo com March of Time (Helloween) e na sequencia, Edge of Thorns (Savatage), contando com a preciosa participação do tecladista da Viscerall, Davi Carvalho. Seguindo a celebração, eis que os sinos dobraram anunciando For Whom the Bell Tolls (Metallica) e prossegue com The Ripper (Judas Priest), Sabbath Bloddy Sabbath e Paranoid (Black Sabbath), Don’t Fear the Night (Omen) e, finalizando em grande estilo o primeiro bloco do setlist, Abigail (King Diamond), levando ao delírio os bangers presentes. Na sequência, tentando dar folego ao público, que não arredava o pé do show e iniciando o segundo bloco da apresentação, os caras surpreendem ainda mais, com Children of the Damned (Iron Maiden) e A Tale That Wasn’t Right (Helloween). Colocando mais lenha na fogueira, dando seguimento ao cortejo, com a energia exalando pelos poros e quase que em uníssono, Breaking the Law (Judas Priest) abala a casa mais um vez; o que parecia o fim, mas não havia trégua pra essa noite por parte da Reunion X, ainda tinha uma sequência matadora em homenagem à maior banda de Heavy Metal da história, Iron Maiden; The Trooper e Aces High decretam o fim, deixando desfalecidos os bravos Metalheads que resistiram até ali.

Os caras executaram com qualidade, competência e respeito às canções originais - fazendo dessa noite algo apoteótico e memorável - deixando o palco com um sonoro bis dos presentes.
Parabéns, ao Lado B Studio Pub pela receptividade, qualidade dos equipamentos da casa e a atenção nos bastidores, respeitando os músicos das bandas de forma profissional. Também ao público que compareceu e ficou até o ultimo acorde da noite, sem deixar cair a vibração e o nível do calor humano no ambiente.
Vida longa ao Metal sergipano, nordestino e do Brasil!

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