Fortaleza: Hellhoundz, Omminous e Oráculo no Garagem Metal Bar
Resenha - Hellhoundz, Omminous e Oráculo (Garagem Metal Bar, Fortaleza, 16/03/2019)
Por Leonardo M. Brauna
Postado em 30 de março de 2019
A noite de sábado, 16 de março, em Fortaleza/CE, foi uma grande celebração ao metal tradicional e melódico em um clima de baixa temperatura na capital cearense. Para elevar o ponteiro do termômetro, nada melhor que um encontro de grandes artistas locais com seu público fiel, que não se intimidou com a ameaça de chuva e foi ao Garagem Metal Bar curtir música boa e rever os amigos.
A abertura ficou por conta da HELLHOUNDZ, uma banda formada em 2016 por músicos habilidosos e que, em abril de 2018, lançou um EP autointitulado. O grupo pode ser novo na cena de Fortaleza, mas seus músicos possuem um bakcground conhecido pelos cearenses, como o vocalista João Júnior, que já subiu em vários palcos com sua ex-banda Final Prophecy. E como canta, esse rapaz! Notas altas, médias, agudas, não há limite para o seu "gogó" que, dentre as músicas do EP "The Gunslinger", "Midnight in the Garden of Good and Evil", "Desert Rider" e "Gargoyle", ainda surpreendeu nas inéditas "Burning Witches", "Merciless Blade", "When the Night Begins to Rise" e "Hounds of Hell". Mas o carisma e postura à la Bruce Dickinson do vocalista não são as únicas sensações da Hellhoundz, o veterano Joe Wilson (ex-Darkside) e o garoto Renan Magalhães reforçam o significado do som da banda com riffs bem sacados e solos empolgantes. A seção rítmica conduzida pelo baterista Rodrigo Magnani (ex-Necromorten) e pelo baixista Augusto Oliveira (ex-Encéfalo) é, sem dúvida, o setor mais agressivo da banda e pelas referências dos músicos é fácil saber o porquê. Você que já ouviu o EP "Hellhoundz" e gostou do que é tocado nele, espere até vê-los ao vivo.
Por alguns instantes do set da OMMINOUS, a banda teve problemas com microfonias e falhas no microfone do vocalista Lenine Matos, que inspirava cuidados na voz por conta de um resfriado de última hora, mas a maioria do show percorreu os seus quarenta minutos de duração na mais pura harmonia. A banda que aos poucos conquista uma posição de carro-chefe do progmetal cearense, trouxe ao Garagem Metal Bar muita virtuose na guitarra de Yago Sampaio que, desde moleque, quando tocava em uma banda de adolescentes chamada Intrusor, mostrava que seu lugar era em algo maior, e aqui está ele inserido na lista de melhores guitarristas de seu estado. Interação e simpatia não faltaram, e essas qualidades completam a cara da Omminous. Lenine não se limita em apenas cantar, como verdadeiro frontman o vocalista também instiga a plateia antes, durante e depois das execuções com discursos de agradecimento e reconhecimento, tanto pelo ambiente que estava com um número considerável de headbangers, como pela oportunidade de estar ali com seus companheiros. Ao lado direito do palco, George Rolim acumulava funções no baixo e na mesa de samples, afinal, o clima que o vindouro álbum "Immensity" trará ao ouvinte, deve ser reproduzido com a máxima honestidade em palco, e como bom compositor cercado de ideias, George sabe o que faz. O Show foi inteiramente dedicado ao seu debut, nada de revisitar o passado, até porque o passado tem outro nome e músicas como "Behind All the Consent", "Vile Maxium" e "Prisioner of a Present Time" significam redenção para a banda completada pelo baterista Diego Vidal, que segurou bem a pegada lá atrás. O show seguiu com "Black Sun" e "Why?" que Lenine fez questão de dizer que é de sua autoria, gerando um clima brincalhão de vingança ao olhar para George que assina a maioria das músicas. "Into Decay" e duas músicas compostas por Yago, "Master of Disguise" e "Sideral Death", com uma performance épica do baixo de George, finalizaram a parte mais descontraída do evento, com direito a foto panorâmica de todos presentes no palco, chamados por Lenine.
A última apresentação da noite trouxe a ORÁCULO. A banda de heavy metal tradicional em atividade mais antiga de Fortaleza, que tem à frente a voz poderosa de Robson Alves, os riffs perfeitos e solos simétricos de Paulo Henrique (Fist Banger) e Franzé Mendes (Betrayal) e a cozinha interligada do baterista Sula Cavalcante (Betrayal) e do baixista Vicente Wilson, deu significado ao termo competência dentro do metal, em um show completamente estupendo. O quinteto começou com a intro do álbum "Wisdom" (2005), "The Beginning", e emendou com "Strange Redemption". Este início de set foi o bastante para Vicente saltar do palco para tocar junto às pessoas lá embaixo, em sua habitual performance ao vivo. Se, em um show da Oráculo, o palco não tiver dois metros de altura ou mais, o baixista corre mesmo pra galera e toca muitas músicas cara à cara com o fã. Não há como negar que Robson é um dos maiores vocalistas de metal da história do Ceará, e isso se aplica à canções como "Mercurius" e "Oráculo", mas a que fez todo mundo cantar a plenos pulmões foi o clássico "Lord of the Seas" que, faça chuva ou faça sol, não pode faltar no set list da banda e já é considerado um hino da cena metálica de Fortaleza. "Pandora", que é velha conhecida do público e foi oferecida às mulheres, também arrancou acompanhamento do fã. As bases pesadas e a pegada marcante da música, justifica porque é uma das melhores de "Wisdom". A última banda da noite ainda mandou nos PAs "The Thoughts of The Kings", "Disciples of Metal" e "Centaurus War", deixando um desejo insaciável por mais metal, porém, os momentos finais do evento foram dedicados à uma superjam com membros de todas as bandas que tocaram nessa noite, executando os clássicos "Balls to the Wall" do Accept e "Breaking the Law" e "Painkiller" do Judas Priest. Grande presente para quem curtiu a festa até o final!
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