Iron Angel: a segunda passagem de uma lenda do Speed Metal no Brasil

Resenha - Iron Angel, Em Ruínas, Cemitério (La Salsa Discotek, São Paulo, 28/10/2018)

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Por Alexandre Veronesi
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O texto representa opinião do autor, não do Whiplash.Net ou dos editores.

Dia 28/10/2018, um domingo de eleição, recheado de eventos voltados à música pesada em São Paulo. Mas, tivemos um em especial que foi feito sob medida para aqueles aficionados pelo Heavy Metal "old school", e que marcou a segunda passagem de uma lenda do Speed Metal mundial pelo Brasil. Estou falando dos alemães do IRON ANGEL, que se apresentaram na La Salsa Discotek, casa de shows localizada na região central da cidade. A abertura do evento ficou por conta das bandas EM RUÍNAS, CEMITÉRIO e BITER.

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O rolê começou cedo, pouco após às 15h, e o pontapé inicial foi dado pelo BITER, grupo oriundo de Indaiatuba/SP. O quarteto, composto por Brian Adriano (vocal e baixo), Diego Alcon (vocal e guitarra), Jimmy Walker (guitarra) e Anderson Bregantin (bateria) vem obtendo grande visibilidade dentro do cenário underground nacional, consolidando sua posição com o lançamento do excelente debut, "The Eyes Of The Biter", em 2017. Com uma sonoridade simples, porém muito cativante, o BITER bebe diretamente da fonte do Heavy Metal tradicional dos anos 80, em especial das bandas pertencentes ao movimento NWOBHM (New Wave Of British Heavy Metal), como Iron Maiden, Angel Witch e Diamond Head. Ao vivo, os caras honram a alcunha de "revelação" do gênero, mostrando bastante solidez e desenvoltura sobre o palco. O repertório foi composto pelas 6 músicas do primeiro disco (destaco "Midnight City", "Wild 'n' Free", "Heavy Metal Hurricane" e "The Eyes Of The Biter"), além de 2 bons covers: "Anger" (Thor) e "Trick Or Treat" (Fastway). Uma belíssima atuação, abrindo o evento de forma totalmente positiva!

Após uma rápida troca de palco, foi a vez do CEMITÉRIO incendiar o recinto com seu Death Metal oitentista, altamente cru e ríspido. Responsável pelo som mais extremo do dia, o grupo é uma espécie de "empreitada solo" de Hugo Golon, multi instrumentista e integrante de um sem-número de bandas, que nas apresentações ao vivo faz somente os vocais, e é acompanhado por Henrique Perestrelo (guitarra), Douglas Gatuso (baixo) e Guilherme de Pádua (bateria). Uma peculiaridade é que todas as canções do CEMITÉRIO são baseadas em obras cinematográficas de horror (principalmente dos anos 70 e 80), nem todas conhecidas do grande público. O show do quarteto foi brutal e avassalador, calcado majoritariamente no álbum homônimo de 2014, contando com temas como "A Vingança de Cropsy", "Holocausto Canibal", "Sexta-Feira 13", "Tara Diabólica", "Oãxiac Odèz", "A Sentinela dos Malditos" e "O Dia de Satã". O encerramento se deu com "Natal Sangrento" e "Pague para Entrar, Reze para Sair". Sem sombra de dúvidas, uma das melhores bandas nacionais do gênero no presente.

A última atração nacional do evento foi o EM RUÍNAS, velhos conhecidos da cena metálica paulistana, em atividade desde o já longínquo ano de 2002. O fundador Igor Lopes (vocal e guitarra) comanda o time, que hoje é integralizado por Lucas Vieira (baixo) e Charles Erlan (bateria). A banda vem divulgando seu novo trabalho, o ótimo "No Speed Limit (Metal Tornado)", de 2017, que Igor gravou em parceria com Rene Simionato, atual guitarrista do Torture Squad. Do registro citado, o trio tocou apenas as canções "Somente a Morte é Real" - que também consta na demo "Headbanger Resistance", de 2008 - e "Furiosa (The Warrior)". A maior parte do setlist foi formada por sons que compõem o álbum de 2010, "...From The Speed Metal Graves", como "Nuclear Nightmare (Power In Devastation)", "Son Of Hell (Hammer's Trial)", "Morbid Pits" e "Burn In Hell (The Self Damnation)". Para aqueles que não conhecem, o EM RUÍNAS executa um Speed Metal feroz, 100% fundamentado na velha escolha, com doses sutis de Heavy e Thrash. Em "Headbangers Race (Warriors Of Tomorrow)", que deu o tom final ao show, tivemos a participação especial do antigo baixista do grupo, Adelfe "Zóio" Jr., dividindo os microfones com Igor. Simplesmente matador!

A espera pelo IRON ANGEL foi longa e tortuosa. Primeiramente, fomos informados que houve um atraso no voo da banda a São Paulo, e após algumas horas, com tudo montado e os músicos já no local, vieram os problemas técnicos (com a bateria, para ser mais específico), que perduraram por bastante tempo. Finalmente, poucos minutos antes das 21h, o espetáculo teve início. Dirk Schröder (vocal, único remanescente da formação original), Micha Meyer (guitarra), Robert Altenbach (guitarra), Didy Mackel (baixo) e Mäx Behr (bateria) abriram o set com a nova "Writing's On The Wall", seguida pelo primeiro clássico da noite, "Sinner 666", e a também atual "Ministry Of Metal", música de trabalho do novo álbum, "Hellbound" (2018). Dirk, embora praticamente estático no palco, é dono de um grande carisma e simpatia ímpar - além da voz singular - interagindo e brincando o tempo todo com a platéia. O trio de cordas também é um show à parte, com destaque para o vibrante e divertido baixista Didy. O repertório abrangeu os 3 discos de estúdio da banda, tendo sido "Hellish Crossfire" (1985) o mais bem representado, com 6 de seus 10 petardos executados. Dentre outras, tivemos porradas como "Heavy Metal Soldiers", "Blood And Leather", "Black Mass" e "Son Of A Bitch", tocadas com perfeição e de maneira contagiante pelo quinteto. A poderosa trinca final da atuação foi composta por "The Metallian", "Fight For Your Life" e "Rush Of Power", fazendo esvaírem-se as últimas energias dos numerosos headbangers presentes.

O show foi relativamente curto, tendo cerca de 1 hora de duração, e ficaram de fora alguns sons imprescindíveis, como "Stronger Than Steel", "Legions Of Evil" e "Metalstorm", provavelmente em decorrência do enorme atraso que se sucedeu. Isto, infelizmente, é algo corriqueiro dentro do underground, e não podemos culpar produção nem banda, que fizeram todo o possível com os recursos dos quais dispunham.

Poderia ter sido melhor? Sim. Mas, de qualquer maneira, tivemos o privilégio de prestigiar 3 grupos nacionais de altíssima qualidade, além de um verdadeiro ícone teutônico da música pesada, ainda em grande forma, que influenciou - e permanece influenciando - gerações de amantes do gênero.

SETLISTS

IRON ANGEL

01. Writing's On The Wall
02. Sinner 666
03. Ministry Of Metal
04. Hunter In Chains
05. Heavy Metal Soldiers
06. Blood And Leather
07. Black Mass
08. Son Of A Bitch
09. Hellbound
10. The Metallian
11. Fight For Your Life
12. Rush Of Power

EM RUÍNAS

01. Nuclear Nightmare (Power In Devastation)
02. Somente a Morte é Real
03. Son Of Hell (Hammer's Trial)
04. Morbid Pits
05. Furiosa (The Warrior)
06. The Flight Of The Renegade (Poisoned Freedom)
07. Burn In Hell (The Self Damnation)
08. Headbangers Race (Warriors Of Tomorrow)

CEMITÉRIO

01. A Volta dos Mortos Vivos
02. A Vingança de Cropsy
03. Quadrilha de Sádicos
04. Holocausto Canibal
05. Sexta-Feira 13
06. Tara Diabólica
07. Oãxiac Odèz
08. O Dia de Satã
09. A Sentinela dos Malditos
10. Natal Sangrento
11. Pague para Entrar, Reze para Sair

BITER

01. Nightfall (instrumental)
02. Midnight City
03. Mistress Of Darkness
04. Anger (Thor cover)
05. Heavy Metal Hurricane
06. Wild 'n' Free
07. Trick Or Treat (Fastway cover)
08. The Eyes Of The Biter




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