Cannibal e Napalm: fazer um show deste nível devia ser um crime

Resenha - Cannibal Corpse e Napalm Death (Carioca Club, São Paulo, 15/09/2018)

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Por Diego Camara
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Casa lotada, público brutal e um som de ótima qualidade. Foi isso que o público do metal recebeu ao ir na apresentação do Cannibal Corpse e do Napalm Death neste último sábado, em São Paulo. O Carioca Club ficou até pequeno para tanta gente, que se apinhava perto da pista amassados, de um lado pela grade e de outro lado pelos enormes mosh pits que bagunçavam no centro da casa. Confira abaixo os principais detalhes do show, com as imagens de Fernando Yokota.

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NAPALM DEATH

O show começou em ponto. As filas enormes de fora da casa não tinham se esgotado, fazendo com que muita gente que chegou próximo ao horário do show tenha ficado do lado de fora da casa. O público, embora não tenha lotado a casa no momento, já era grande e se reunia no aperto próximo as grades. Já na abertura, de "Multinational Corporations", já dava pra ver que o Napalm faria um grande arregaço no show: o som redondinho, com as baterias soando incríveis encheu a casa, fazendo o público ficar insano e abrir já desde o início um moshpit no centro da pista.

A pancadaria foi incessante durante toda a apresentação de mais de uma hora da banda. As 23 músicas eram tocadas rapidamente, quase que uma atrás da outra, para delírio dos fãs. Barney, sem dúvidas o pulmão da banda, corria de um lado para o outro da pista, levantando ainda mais o público presente na casa a entrar na pancadaria do mosh pit. Já em "On the Brink of Extinction", a fila do lado de fora parecia ter acabado, com o público se apertando muito próximos a frente do palco, sem muito espaço para se mover pela casa.

A música só parava nos momentos de Barney lançar suas palavras e explicar os temas de algumas das músicas. Falando contra as corporações, a favor do humanismo e contra os exageros tecnológicos, o Napalm leva sua mensagem de maneira brutal e visceral, sem papas na língua e com direito a um soco na cara. Ótimos exemplos das críticas do Napalm em músicas como "Smash a Single Digit", "Standardization". Ainda houve espaço para uma crítica pesada contra a igreja e a religião em "Suffer the Children" e um pedido para o fim das armas nucleares com "Call that na Option?"

Fechando a incrível apresentação, a banda trouxe uma homenagem aos punks do Dead Kennedys com a música "Nazi Punks Fuck Off", falando contra os fascistas e nazistas que estão cada vez mais soltinhos por mundo à fora. A parte irônica nessa música, tocada para o público do metal, é a quantidade de fascistas junto ao meio do metal atualmente aqui no Brasil. De um ritmo de conflito social e contra o status quo, que prega o Napalm, para a pobreza de ideias que atualmente dita o metal brasileiro, esta um pulo. Se Barney soubesse, ficaria bastante decepcionado.

Setlist:
1. Multinational Corporations
2. Instinct of Survival
3. On the Brink of Extinction
4. Unchallenged Hate
5. When All Is Said and Done
6. Smash a Single Digit
7. The Wolf I Feed
8. Practice What You Preach
9. Standardization
10. Everyday Pox
11. Scum
12. Life?
13. Control
14. You Suffer
15. Dead
16. Victims of a Bomb Raid (cover de Anti Cimex)
17. Suffer the Children
18. Breed to Breathe
19. Call That an Option?
20. How the Years Condemn
21. Nazi Punks Fuck Off (cover de Dead Kennedys)
22. Cesspits
23. Inside the Torn Apart

CANNIBAL CORPSE

Sem o clima de revolta política, mas ainda mantendo a classe de uma apresentação de metal brutal, o Cannibal Corpse subiu ao palco faltando 20 minutos para as 21h. O show também prometia brutalidade e força, e o público teve tempo pra descansar depois da pequena maratona da apresentação do Napalm Death. O show começou firme depois da longa espera, o público recebendo a banda aos gritos e com grande empolgação.

A qualidade do som deixou um pouco a desejar no comecinho da apresentação, com a voz tendo dificuldade de sair de trás dos outros instrumentos da banda. O público, porém, não desanimou nem um pouco, e já na parte mais rápida e brutal da música estourou mais um enorme mosh pit no centro da pista. O som ficaria melhor mais para "Red Before Black", que contou com uma bela gritaria do público dividindo o refrão junto com Fisher.

O mosh estava tão violento e intenso, e a casa com tão pouco espaço, que até era difícil transitar dentro do espaço aberto no centro da pista. Congestionamento até no mosh pit! Destaque para alguns sucessos da banda, como a oldschool "Gutted", "Devoured by Vermin", com um moshpit visceral, que quase tomou toda a pista de lado a lado, e "I Cum Blood", com direito a Fisher fazendo um desafio para o público, pedindo que os fãs tentem bater cabeça como ele: "Vocês vão fracassar, eu sei, mas ainda assim será bom vocês tentarem", disse ele em um tom de desafio.

O grande destaque do show vai para a incrível performance de Fisher, que tomou o palco e dominou o público com maestria. Extremamente carismático ao falar com o público - do seu jeito, é claro - ele mostrou maestria nos vocais em uma performance acima da média. A banda inteira, porém, merece os louros da incrível apresentação: a bateria estava rápida e firme, com grande força para fazer o público ficar mais insano na pista. As guitarras também soaram ótimas, e os solos de guitarra davam ainda mais o ritmo de emergência na música do Cannibal Corpse.

Resumindo, o show foi tão bom que deveria ser considerado crime fazer uma apresentação tão perfeita.

Setlist:
1. Code of the Slashers
2. Only One Will Die
3. Red Before Black
4. Scourge of Iron
5. Evisceration Plague
6. Scavenger Consuming Death
7. The Wretched Spawn
8. Pounded Into Dust
9. Kill or Become
10. Gutted
11. Devoured by Vermin
12. A Skull Full of Maggots
13. I Cum Blood
14. Make Them Suffer
15. Stripped, Raped and Strangled
16. Hammer Smashed Face



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Sobre Diego Camara

Nascido em São Paulo em 1987, Diego Camara é jornalista, radialista e blogueiro. Seu amor pelo metal e rock começou há 6 anos. Um amante da nova geração, é um grande fã de Arjen Lucassen, Andre Matos e bandas como Nightwish, Hammerfall, Sonata Arctica, Edguy e Kamelot. Também não deixa de ter amor pelos clássicos, como Helloween, Gamma Ray e Iron Maiden e do Rock de bandas como Oasis, Queen e Kings of Leon. Atualmente seus textos podem ser lidos no blog OCrepusculo.com sobre assuntos diversos, além de planos para criação de um projeto totalmente voltado aos blogs de Rock e Metal.

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